Por João Aveledo (*)
Em 2000, aparecia na Bretanha «Jean Floc’h», um roaz-corvineiro solitário e brincalhão que gostava mais dos humanos que dos seus congéneres. Alcunhado de «golfinho embaixador » foi percorrendo as costas atlânticas e cantábricas até chegar faz agora um ano, em dezembro de 2007, às nossas rias. E deveu gostar, pois ficou por estas águas… ultimamente foi visto em Portosim.
As costas galegas são ainda um observatório privilegiado de diferentes espécies de golfinhos, entre elas:
- O roaz-corvineiro (Tursiops truncatus), a espécie mais conhecida do público em geral por ser a habitual nos delfinários. A CEMMA (Coordenadora para o Estudo dos Mamíferos Marinhos), entidade dedicada desde 1990 à investigação dos nossos cetáceos, estima a sua população galega nuns 600 exemplares.
- Muito mais abundante, o golfinho-comum (Delphinus delphis) é o mais visto no interior das rias, com cerca de 10.000 efetivos.
- O espetacular golfinho-riscado (Stenella coeruleoalba) é mais oceânico do que os anteriores e, portanto, poucas vezes observado nas proximidades da costa.
- Outras espécies menos frequentes nas nossas águas costeiras, e também pertencentes à mesma família Delphinidae, são: a baleia-piloto (Globicephala melaena), que chega às 3 toneladas de peso, o grampo (Grampus griseus) de pele semeada de cicatrizes e a orca (Orcinus orca), injustamente chamada de «baleia assassina».
Na Galiza têm-se produzido nas últimas décadas vários arrojamentos massivos de golfinhos às praias, alguns de grande dramatismo polo número de exemplares atingidos, como o acontecido em Vares, em 84, quando os próprios vizinhos salvaram douscentos golfinhos-riscados que se introduziram na sua enseada ou o de Fisterra, em 95, quando um milhar de golfinhos-comuns deram frente à praia de Lagosteira, ainda que deles tenham perecido apenas 5 graças ao lavor de turistas e de nadadores-salvadores. As causas dos arrojamentos de cetáceos podem ser várias e nem sempre estão claras: doenças, intoxicações, acidentes com aparelhos de pesca ou com embarcações, desorientação…
O pesado cérebro dos golfinhos tem um córtex associativo (a parte especializada no pensamento abstrato e concetual) maior do que o nosso, no entanto, para os cientistas as suas capacidades inteletivas reais representam todavia uma incógnita…
Há quem diga que «Jean Floc’h», rebatizado na Galiza de «Gaspar», se chama realmente «Takuma» e que foi treinado com fins militares. De fato, «Takuma» teria fugido de umas manobras conjuntas da V Flota Americana e da Royal Navy em frente às Ilhas dos Açores, que antecederam à guerra do Iraque. Poderemos duvidar ainda da sua inteligência?
(*) Artigo publicado originalmente no n.º 73 do Novas da Galiza
