Por Valentim Fagim
Um dos objetivos básicos da maioria das empresas é ter a maior quota de mercado possível oferecendo produtos que deixem a maior das rentabilidades: pouco gasto, muito lucro. Há quem diga que a empresa que está no topo desde há muito tempo, mesmo antes de existir o capitalismo, é a Igreja Católica. A final de contas oferece um produto, a SALVAÇÃO, que requer uma baixo custo financeiro, tem um mercado quase universal, poucos concorrentes a sério e, o mais importante, se o cliente ficar insatisfeito não há possibilidade de reclamar. Um negócio da China, enfim, que se diz nestes casos.
Vender um produto não é assim tão fácil como parece. Peguemos, sei lá, no galego Ilg-Rag (não sei porque me viria à cabeça, tantos exemplos que se podiam colocar). A linha comercial costuma bater o ponto sempre nos mesmos itens: é fácil, é popular e tem um enorme consenso social. Felizmente, à diferença da empresa anterior, neste caso sim dá para reclamar. Facilidade? Certeza, é mais fácil que o produto com que estou a digitar este texto mas ainda o podia ser muito mais. No limit, caramba. Popularidade? Como todas as línguas que são mesmo línguas, foi elaborada por um grupo muito reduzido de pessoas. Não houve democracia direita via I like nem nada similar [Ainda bem, seja dito de passagem]. Consenso? Badala na minha cabeça a frase que os autores do livro galego, português, galego-português deitavam numa recente entrevista no PGL: É urgente que as instituições abandonem qualquer discurso de “consenso normativo”, pois é evidente que não o há.
O que evidenciam as entrevistas deste livro, focadas sobretudo em elites culturais que usam o galego dito oficial, é que o que move as pessoas a usá-lo é a fé ou o pragmatismo. Ambas são respeitabilíssimas, porque, afinal, quem não se move em muitos aspetos das suas vidas movido por estas pulsões? O que creio que está acontecendo, no entanto, é que cada vez há menos lugar para a fé e o pragmatismo se “muove”.
(*) Opiniom publicada originalmente no n.º 127 do Novas da Galiza.
