Por Valentim Fagim
Uma mulher galega, nascida na Austrália e que leva 8 anos a morar no nosso país visita a secção de urgências de um hospital citadino, Corunha, Vigo, tanto dá. É recebida por vários médicos a quem explica o porquê da sua presença ali:
– Estava a trabalhar, comecei a me sentir mal e sofrim um desmaio. Quando acordei nom me lembrava de nada.
Antes de poder dar mais detalhes é interrompida por um médico solícito:
– ¿Ay, eres portuguesa? Entonces, vamos a llamar a Carmen que es de allí e está de prácticas en nuestro hospital.
A mulher galega nascida na Austrália recebe o primeiro carimbo de estrangeira mas responde:
– Não sou portuguesa, sou australiana.
Nesse momento os cabos da máquina começam a fumegar. É como aquelas vozes pregravadas ao telefone quando nos dizem: – a sua resposta não consta no repertório. Tente outra vez.
A tal médica portuguesa é chamada, explica-se-lhe a situação e resolve falar com a mulher galega nascida na Austrália… em inglês, it´s natural, tudo Ok. A segunda na frente.
(*) Opiniom publicada originalmente no n.º 122 do Novas da Galiza, na secçom Língua Nacional.
