Por Valentim Fagim
Embora uma imagem valha mais do que mil palavras, no decorrer da história houvo frases com mais poder que mil imagens. Hoje repetimo-las sem termos consciência da sua origem e quando as ouvimos não nos deixam indiferentes.
Quem não vibra com aquela de Mais vale morrer de pé do que viver de joelhos? Emiliano Zapata há cem anos. Quem fica frio com A morte de um só homem é uma tragédia mas a morte de milhões é apenas uma estatística? Estaline no seu melhor. Na mesma onda, o Harry Truman, Como inventamos a bomba atómica, utilizamo-la. Cinco estrelas o gajo.
Ora, as frases não são apenas para nos abalar, emocionar, indignar… há frases de outra natureza, tipo congelante. São enunciados que pretendem que não nos movamos, que fiquemos inertes. Comecemos com um clássico: o Estado somos todos, que costuma ser condimentado com aquilo de A democracia é o poder do povo. Os nossos pais, eu sou da geração de 70, insistiam naquilo de Mira por ti, não raro seguido de Que ninguém o vai fazer. Com estas melodias crescemos. Não esqueçamos a grande Alfonso Guerra com aquela de O que se move não sai na fotografia. A essência da maquina numa frase.
Na área das línguas na Galiza, afinal esta secção pivota sobre essa equação, há congelantes espetaculares com mais de 30 anos de ação, ou melhor inação. A minha favorita é Galego e português são línguas irmãs. Para já, coloca uma dúvida séria sobre a posição genealógica do castelhano, tio?, primo?, ah, la famiglia que diria Vito Corleone. Depois, tem a capacidade de não fazer crescer a erva por onde passa. O pessoal fica enchido e ao mesmo tempo plano, o que dá para um polígono curioso. Outro poderoso congelante é aquele que diu Primeiro normalizemos e depois normativizemos, e assim continuam a esperar que o Estado somos todos financie os que não saem na fotografia da famiglia.
Estou armado com uma frase, não se movam.
(*) Opiniom publicada originalmente no n.º 123 do Novas da Galiza, na secçom Língua Nacional.
