Como os cataláns e os bascos

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Por Valentim R. Fagim

Catalunha e o País Basco, tal como a Europa, som além de umha realidade histórica, um espaço mítico. Assim, quando alguém fala “da Europa” nom se está a referir a Grécia ou a Polónia. Da mesma forma quando se afirma que temos que fazer “como os cataláns e os bascos”, ninguém está a pensar em Albert Boadella ou em Iñaki Urdangarin.

Ambas as naçons som olhadas por nós com um misto de inveja e admiraçom: a sua mesma existência vem a ser afinal umha esperança para o nosso desespero. No entanto, e aqui erramos, nom os observamos a olho nu, usamos lupa.

Esta lupa permite-nos ver e engrandecer o seu capital humano: os jornais que se criam num dia, selecçons em competiçons internacionais, 66% de pais e mais a escolher ensino em euscara, o domínio CAT… mas nom nos deixa ver o capital financeiro que está por trás (o que até é espantoso, porque nom é pouco).

Isto é assim porque valorizamos o sacrifício, a militância e o voluntarismo. Reverenciamos Robin Hood quando na verdade as línguas (e as naçons) precisam também do Joám sem Terra para assim alargar o seu capital. Novas da Galiza, o jornal que tens entre as maos, vai fazer no Outono umha ampliaçom de capital; para sermos um bocadinho mais “como os cataláns e os bascos”.


(*) Artigo publicado originariamente no número 69 do Novas da Galiza, na secçom Língua Nacional.