Por Valentim R. Fagim
No sec. XVIII todas as monarquias europeias falavam francês. Hoje, com a exceção de Zapatero e Berlusconi, todas as chefias de estado europeias falam inglês e só algumas se expressam em francês. Por outras palavras, o valor do francês e do inglês seguiu caminhos divergentes.
O valor em bolsa de uma língua descansa essencialmente no valor dos seus falantes e dos países que as falam. Neste sentido conta mais a qualidade do que a quantidade. Poucas pessoas no mundo sabem da existência do Bhojpuri (eu próprio nada sabia dele até escrever este artigo) embora seja falado por 126 milhões de pessoas na Índia.
Foros como o G-8 podem ser mais ilustrativos. Nele há três países anglófonos, o Canadá, os EUA e a GB, o que dá para ver porque o inglês é a língua não materna mais estudada.
Outro dado: a CPLP vai pedir para o português se tornar língua oficial da ONU. Por quê? Talvez por o Brasil ser um país Bric (Brasil-Rússia-Índia-China) e se tudo correr como os especialistas esperam que corra, as economias juntas destes países superarão, em menos de 40 anos, as do G-6 (os países mais industrializados hoje).
G-6, G-8, G-20… vamos deter-nos agora no GZ. Sabemos que o valor da nossa língua, aqui, não é muito alto. Afinal, não é falado polas pessoas que têm mais capital, seja este do tipo que for: dinheiro, fama, prestígio, poder. Perante isto, muitas vezes temos caído na ilusão de fazer de esta carência, virtude. Já sabedes como é o esquema: a língua asterix-obelix a resistir agora e sempre ao invasor. O problema é que em bastantes ocasiões o invasor nos mudou os cueiros, trabalha ao nosso lado e, em casos extremos, até dorme connosco.
Na verdade, a maioria das pessoas respondem a outros estímulos. Numa cidade galega, um desenhador gráfico recebe a visita do dono de um restaurante. Quer uma ementa em galego. Curioso, o desenhador pergunta o motivo, ao qual o cliente responde: o delegado de cultura vem comer habitualmente ao meu negócio.
Valeu? Valor.
(*) Artigo publicado originariamente no número 72 do Novas da Galiza, na secçom Língua Nacional.
