As árvores, as nossas inimigas? Ou as nossas imprescindíveis amigas?

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No concelho de Rábade acabam de perpetrar um arvoricídio destroçando vários carvalhos dos que fazem parte do Campo da Feira. ADEGA manifestou a sua queixa e fiz uma pergunta ao Concelho de Rábade e mais à Dirección Xeral de Parimonio Natural da Xunta sobre os motivos que impulsaram tal ação. Também foi chamado o SEPRONA para que tomasse conta do feito denunciado.

O concelheiro de meio ambiente de Rábade justificou a atuação porque as ponlas de certos carvalhos estavam em mal estado e podiam representar um perigo para a cidadania. Segundo ele:

Podia cair um ramo sobre alguma pessoa ou, o que seria pior ainda, sobre alguma das atrações da feira estragando-a.

Fomos ver o que ali acontecera e ficamos abraiadas pola desfeita realizada sobre as pobres árvores. Tolheitas e decotadas. Repoladas até o máximo. Monstram um aspeto lastimoso. Mas a cicatriz da corta via-se sã. Certamente o campo da feira de Rábade está bastante maltratado. Há restos de cimento no chão o que prejudica a vida dos carvalhos e nom está bem cuidado. O ano passado uma destas árvores caiu mostrando um aparelho radicular pobre, fraquinho. A carvalheira de Rábade foi plantada há mais de cem anos mas agora precisa dum mantemento e cuidado que a façam revitalizar.

As pessoas que viveram antes que nós nesta Terra, cuidaram do ambiente preservando-o até a nossa chegada. Levaram para as vilas e núcleos de povoação parte dessa natureza da que sempre tiraram seu sustento e na que se agasalharam desde tempos imemoriais. Mas a sociedade moderna tem uma pugna permanente com a natureza. Isto acontece nomeadamente na Galiza, onde todo o que lembre a aldeia, a campo ou a natureza é rejeitado numa reação de repulsa para apagar o nosso recente passado agrícola rural e campesino. Avergonhamo-nos dos nosso ancestrais que se sacrificaram tanto para que hoje tenhamos muitas cousas que eles nunca puderam ter. Mas há algo que hoje não temos: Uma Terra sã com viçosas carvalheiras, rios com vida, alimentos próprios e saudáveis, e um país produtivo que deu de comer a tanta gente que a princípios do século 20 representávamos mais do 10% da povoação de Espanha, sendo desde sempre o reino da Galiza o mais povoado desta. Em épocas em que a agricultura era o principal sector da povoação. O nosso passado relativo ao meio ambiente foi glorioso. De muito trabalho, mas não mais do que noutros lugares de Espanha nem de Europa. Ainda hoje Galiza tem uma densidade de povoação superior a media estadual, e semelhante a media europeia. Nom podemos desprezar a natureza. Dela nos mantemos, nela vivemos ela é o nosso sustento junto com o de tantas e tantas espécies que partilham connosco este Planeta.

Hoje, a meio da grande crise ambiental em que estamos não podemos desprezar as árvores. Elas som o grande monumento natural da vida. Elas som o nosso abrigo e o de múltiplas espécies. Recomendo ler este maravilhoso texto de Castelao.

Com certeza, as carvalheiras das vilas e cidades deveriam ser preservadas e cuidadas. A Xunta bem poderia habilitar um fundo especial para isto. Elas fazem um grande papel no amortecimento do clima, quer temperando-o no inverno, quer baixando a temperatura no verão. Elas adoçam a nossa vida. Melhoram o nosso animo, ajudam a levar melhor o nosso dia-a-dia e são acubilho de multitude de espécies biológicas. Preparam a terra para fazerem solo onde possam crescer todo género de plantas e animais. Sem as árvores não haveria agricultura, porque nós plantamos nos terrenos que as árvores preparam para isso ao longo de milénios. Salvemos as árvores. São o nosso refugio, nosso bem estar e nosso futuro.

Máis de Adela Figueroa Panisse