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Álvarez-Cascos deita um balde de água fria sobre as expetativas para o asturiano

PGL – Francisco Álvarez-Cascos, presidente do governo asturiano e líder de Foro Astúrias, concedeu a Les Noticies a primeira entrevista a um meio de comunicaçom asturiano após anunciar a convocatória de eleiçons autonómicas para 25 de março.

Na quarta e última parte da conversaçom, publicada no passado sábado, o chefe do Executivo asturiano fala da ideologia de seu partido, de asturianismo e do papel da língua asturiana —mas nom da galega, falada no ocidente da regiom— dentro da sociedade.

O facto do Conselheiro da Cultura usar o asturiano na sua intervençom diante da a Xunta Xeneral das Astúrias, a intençom do Executivo autonómico de fomentar o uso institucional do asturiano e do gallego-asturiano ou a declaraçom do diretor-geral de Política Linguística de que “o asturiano tem de ser umha das línguas de comunicaçom das Astúrias”, criárom no Principado a expetativa dum avanço significativo no estado legal desa língua.

O asturiano para o Foro: umha frase

Por enquanto, o asturiano nom parecia uma das preocupaçons fundamentais nem de Álvarez-Cascos nem de Foro Astúrias. O programa eleitoral dos comícios autonómicas de maio de 2011, primeiras para este partido, estava redigido só em castelhano, e a presença do asturiano limitava-se a referências numha única frase. O parágrafo “4.2.- Cultura, tradiçons e história” conclui com a secçom de propostas, “A cultura nos detalhes: umha tarefa gigantesca. Propostas de Foro Astúrias” na que pode ler-se: “Respeito ao idioma asturiano, desenvolver-se-á a vigente regulaçom legal (Lei 1/1998, de 23 de março, de uso e promoçom do Bable/Asturiano)”.

No Discurso de investidura de Francisco Álvarez-Cascos, na Junta Geral do Principado das Astúrias, de 12 de julho de 2011, a diferença no tratamento do resume, “Desarrollaremos la Ley de Uso y Promoción del Bable/Asturiano de 1998 y apoyaremos a la creación literaria de nuestros escritores”, ao Discurso completo, “Como parte muy importante de la cultura asturiana desarrollaremos la Ley de Uso y Promoción del Bable/Asturiano de 1998 y apoyaremos a la creación de nuestros autores” (p.28), nom oculta o reiterado solecismo.

Na completa relaçom de discurso no website do partido só se encontra outra referência ao asturiano no discurso no Casino de Mieres, em 22 de janeiro de 2011: “Por isso queremos recuperar o orgulho de ser asturianos, orgulho que consiste em defender o nosso, a nossa língua [o asturiano], a nossa história, a nossa etnografia, …”, e assim por diante.

Falando do asturiano, nom pode faltar a referência a Jovellanos…

Na quarta entrega da entrevista, Álvarez-Cascos declara-se seguidor da “terceira via” explicada por “Anthony Givens [sic]”, rejeita a “etiqueta” do asturianismo e qualquer sintonia com o nacionalismo. Em questons lingüísíticas, rejeita “imposiçons e restriçons”:

Les Noticies: Há um par de meses dixo neste meio de comunicaçom que nom vê a necessidade de falar em asturiano. O diretor geral de Política Linguística falou de políticas de custe zero que ajudarem a normalizar a língua. Faz isto que reconsidere a situaçom?

Álvarez-Cascos: Parece-me que o mais importante das políticas lingüísticas é que sejam enriquecedoras e nom empobrecedoras. Polo tanto, se umha política lingüística impom o asturiano ou restringe as possibilidades de comunicaçom do cidadám, é umha política errada. Os asturianos temos o privilégio de ter o asturiano e nom vou fazer um discurso erudito do que isto significa. Valha com lembrar os primeiros intentos de Jovellanos para dotar as Astúrias dum dicionário de asturiano. O que temos que fazer é conservar e potenciar essa riqueza como um elemento de enriquecimento cultural e de liberdade. Nom sou partidário de imposiçons e de restriçons: de converter as línguas de cada território em barreiras administrativas, quando na Europa estám a cair as fronteiras económicas e políticas. A imposiçom de barreiras lingüísticas nas administraçons valeria para romper o mercado único e o fortalecimento da Uniom Europeia.

A continuaçom, Álvarez-Cascos nom se define com clareza a respeito do apoio à proposta que Gaspar Llamazares, deputado de Izquierda Xunida por Astúrias, vai apresentar em Madri para que os professores de asturiano vejam reconhecida a sua especialidade. E também evita a questom das subvençons para a normalizaçon do asturiano. O antigo porta-voz de Izquierda Unida levantou um pequeno debate com sua declaraçom a Les Noticies (15 de janeiro, nº 766) de que ia “usar o asturiano no Congresso com o fim de ajudar a fazê-lo visível”. Por último, Álvarez-Cascos mostra-se “sempre positivo” fazendo alarde dumha notável visom de futuro quando lhe perguntam polo fim da ediçom em papel do jornal que lhe entrevista, anunciada a sexta anterior à conversa.

Les Noticies: Para acabar, pode fazer-nos umha valoraçom do que significa para uma língua minorada como o asturiano, que necessita de açons de normalizaçom, a perda dum meio de comunicaçom como Les Noticies?

Álvarez-Cascos: Eu prefiro tomar o positivo. Se isto nom é um final, mas um passo para o futuro, fico com esta parte. É muito importante que poda continuar e que, como fam os grandes meios de comunicaçom do mundo, potencie o digital. As circunstâncias do momento dificultam a ediçom escrita do quiosque, mas abrem vias de futuro. Há que desejar umha recuperaçom aginha. Porém, nom sei se as necessidades continuam estando no papel: a decisom pode parecer triste e de corte, mas pode ser umha catapulta para sair potenciados em face do futuro e dentro do cenário digital. Desejo o melhor para Les Noticies.

 

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