Alfândega

Partilhar

Por Valentim Rodrigues Fagim

Sala de aulas de um centro galego de Formaçom Profissional. Estou a fazer umha exposiçom sobre a Lusofonia convidado por umha equipa de normalizaçom linguística que acha que o português soma. Ouvimos Kalemba, de Buraka Som Sistema, um dos grupos chave do kuduro angolano. Todos e todas conhecem. Informam-me que saiu num programa de televisom da Cuatro chamado Fama e que foi passado nas rádios comerciais. De facto, foi até número 1.

Assim sendo, umha pergunta vem mesmo a calhar: que outros grupos de Portugal e do Brasil é que conhecedes? Sai a palavra Fado, sai Carlinhos Brown e fica-se por aí. Ora, Fado é a Portugal o que Tango a Argentina. Quanto a Carlinhos Brown, a wikipédia espanhola afirma que a conquista do universo musical mundial por parte do artista baiano foi mercê ao filme de Fernando Trueba, El Milagro de Candeal, que atingiu dous prémios Goya da Academia de cinema espanhol.

Que o cidadao médio castelhano conheça a sua pequena quota de sistema cultural lusófono através da alfândega espanhola é natural. É um produto numha língua estrangeira. Que na Galiza aconteça o mesmo virou natural mas devia preocupar-nos. Que na alfândega decidam por nós o que devemos ouvir ou deixar de ouvir na nossa língua é umha carência e fala claro da escassa soberania do nosso sistema cultural.

Ah, esquecia, também conheciam o Quim Barreiros. Entrou ilegalmente. Que nom seja o único.


(*) Opiniom publicada originalmente no n.º 89 do Novas da Galiza, na secçom Língua Nacional.