Acerca da Fossa Atlântica. E dos eólicos

Da cooperação ou a competência



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As grandes vitórias são sempre produto da cooperação dos elementos mais vitais da sociedade. Um exemplo foi o da Moratória para os vertidos nucleares no Atlântico, conseguido pola ação conjunta de diferentes associações e partidos galegos e a cumplicidade dos sindicatos ingleses que se uniram na luta pola salvação dos oceanos. Em outubro de 1981 (há 40 anos) estivemos vários elementos de ADEGA em Amesterdão na sede de Greenpeace para convencer a esta organização da gravidade e transcendência que tinha para a saúde do mar o facto de que países de toda a Europa estivessem a deitar a sua peçonha radioativa na fossa Atlântica ou de Hércules situada a 700 quilómetros da costa da Galiza. Queríamos que trouxessem o Rainbow Warrior até as nossas costas para fazer uma ação de denúncia que visualizasse a nível internacional a gravidade dos factos.

Em outubro de 1981 (há 40 anos) estivemos vários elementos de ADEGA em Amesterdão na sede de Greenpeace para convencer a esta organização da gravidade e transcendência que tinha para a saúde do mar o facto de que países de toda a Europa estivessem a deitar a sua peçonha radioativa na fossa Atlântica ou de Hércules situada a 700 quilómetros da costa da Galiza.

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Tripulação do Xurelo

Por aquela altura Greenpeace estava muito implicada na luta contra a caça de baleias que ameaçava gravemente a sobrevivência desta espécie. O Rainbow Warrior já tinha sido apresado em Ferrol o ano anterior, de onde conseguira fugir. De facto marchamos dali achando que não se implicariam. Connosco estava Domingos Prieto, responsável da cátedra de Cultura Espanhola da Universidade de Groningen que fazia de tradutor. Mas depois de um mês anunciaram que viriam, enviando o Sirius. À fronte da equipa de Greenpeace vinha Remy Parmentier o responsável para França e sul da Europa (Greenpeace Espanha ainda não existia) e que tivera muito que ver com a fuga do barco de Ferrol. Durante aquele verão ADEGA fez um trabalho de agitação e consciencialização por toda a costa galega explicando a gravidade da contaminação atómica. Com Parmentier estivemos em Ribadeo sendo o seu presidente da câmara Eduardo Gutierrez. Colaboraram muitos presidentes da câmara na campanha entre os que lembro a Rafael Mouzo de Corcubiom ou Abalo de Moanha que teve um papel crucial no sucesso da campanha. Desde Moanha saiu o Arosa 2 para levar até a fossa atlântica ao grupo de ecologistas galegos para unir-se aos de Greenpeace. Entre eles o secretario Geral de ADEGA Tim Solla que, para além de fazer passadas na zodiac enquanto eram deitados os bidões com a sua carrega radioativa, atou-se a eles no barco holandês que os tirava ao mar. Foi preso por mais de três dias e mais tarde libertado. Voltou desde Paris até Compostela em avião várias semanas depois.

Desde Moanha saiu o Arosa 2 para levar até a fossa atlântica ao grupo de ecologistas galegos para unir-se aos de Greenpeace. Entre eles o secretario Geral de ADEGA Tim Solla que, para além de fazer passadas na zodiac enquanto eram deitados os bidões com a sua carrega radioativa, atou-se a eles no barco holandês que os tirava ao mar. Foi preso por mais de três dias e mais tarde libertado.

No ano seguinte ADEGA arranjou um ónibus de dois andares para ir até Londres onde se discutia a normativa legal da moratória contra os vertidos radioativos. O seu Presidente Ramón Varela Diaz foi na viagem junto com outras muitas militantes de ADEGA como Xaquín Acosta ou Maricarmen Casas. Em Londres fizeram uma ação atando-se a cadeias fronte do parlamento.

arosaFoi decisivo o papel de Carlos Durán que deu pousada na sua casa a toda a delegação galega e que como tradutor internacional serviu para a intervenção no parlamento inglês. O relato dos feitos está em qualquer enlace que possamos buscar. (Que não sei porque esquecem sempre a ADEGA) Mas o que eu tento ressaltar aqui é que, enquanto o Xurelo pola sua parte, mais ADEGA, mais outras associações como a SGHN, apoiadas por todos os partidos nacionalistas (Bloque mais Esquerda galega) estiveram trabalhando por um mesmo objetivo (embora desconfiando uns dos outros), este conseguiu-se. Assim aconteceu com o Nunca Mais, a grande labor da épica do Povo Galego. Eu conheço a parte que atinge a ADEGA e, nomeadamente, aquela em que participei diretamente como presidenta de ADEGA-Pontevedra. Temos que ter isto presente e não gastar-nos em leias inúteis que deitam fora muita energia e nada fazem para o país. Agora temos um repto importante contra a invasão eólica que ameaça o nosso território e as nossas sagradas montanhas, destruindo as fontes de água que nelas nascem, alterando os caminhos históricos, ameaçando a diversidade cultural e biológica que elas acocham, deitando fora aos habitantes humanos e outros que ainda ficam defendendo o pais com a sua presença.

Agora temos um repto importante contra a invasão eólica que ameaça o nosso território e as nossas sagradas montanhas, destruindo as fontes de água que nelas nascem, alterando os caminhos históricos, ameaçando a diversidade cultural e biológica que elas acocham, deitando fora aos habitantes humanos e outros que ainda ficam defendendo o pais com a sua presença.

Para lho entregar às multinacionais que não têm pátria nem princípios morais ou éticos. Só vem dinheiro e poder, a custo de destruir países, sociedades e natureza. O momento é duma gravidade enorme e será perigoso discriminarmo-nos entre nós, quem está para a defesa ecológica do país. Na chamada que fazem os jovens do grupo que lidera Greta Thumberg escuto uma voz que me toca fundamente:
“A gente está a acordar, é ciente de que algo não vai bem, mas os governos e as empresas não fazem abundo” (Greta Thunberg). “Uni-os Necessitamos apoio!”(Dohyeon Kim. 4 Climate Action).
Reunamo-nos quem sabemos que o mundo precisa de ações rotundas e potentes. Não demos chance à entropia que desarranja os sistemas, nem a perda de forças por discutir entre nós. Todas somos necessárias. Façamos como o beija-flor: Cada uma faz o que pode. Mais todas juntas podemos muito.
Não deis ao esquecimento, da injúria o rude encono, esperta do teu sono, fogar de Breogão

Adela Figueroa Panisse

Adela Figueroa Panisse

Adela Clorinda Figueroa Panisse é de Lugo (Galiza), fazedora de versos, observadora do mundo e cuidadora de amizades. Trabalhadora no ambientalismo e na criatividade da palavra. Foi professora e lutadora pela recuperação da dignidade da Galiza e, ainda, pela solidariedade entre os seres humanos e a sua reconciliação com a terra. Gosta de rir, cantar e de contar contos. Também de escutar histórias, de preferência ternas e de humor.
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