A nobre Lusitânia



Quero começar o ano com este verso de “Os pinos” de Pondal; seguramente menos conhecido de muitos leitores que os demais do hino, pois não costuma cantar-se com as primeiras estrofes. Porém, assim tivemos ocasião de fazê-lo, muito oportunamente, no encontro no último mês do ano em Compostela, na emotiva celebração dos 40 anos da AGAL.
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A nobre Lusitania,
os brazos tende amigos,
que os eidos ven, antigos,
con un punxente afán;
e cumpre as vaguedades
dos teus soantes pinos
duns máxicos destinos,
¡oh grei de Breogán!

 
Resultaria muito oportuno incorporar esta formosa estrofe ao canto do hino, para ajudar a acrescentar a necessária fraternidade com os portugueses e a nação vizinha. Uma fraternidade que vem a ser mais imperiosa hoje que nunca pela progressiva ameaça e os atentados contra a língua e pela desintegração da identidade galega, a mãos dum espanholismo a cada vez mais agressivo.

Seria bom incorporar estas estrofes ao canto do hino, apesar de que alongaria um bocadinho mais o canto; como o foi nos anos da transição a incorporação da terceira e quarta estrofes do poema, até chegar a fazer-se bastante normal a dia de hoje. Ainda que segue havendo-os muito remissos a cantar o de “mais só os iñorantes, e féridos e duros, imbéciles e escuros”… Lembro como tínhamos que fazê-lo de jeito combativo e contracorrente nos primeiros anos, apurando e subindo a voz no início da estrofe com “Os bos e xenerosos”, antes de que concluíssem música e letra com a repetição do remate da segunda estrofe com “fogar de Breogán”.

Resultaria muito oportuno incorporar esta formosa estrofe ao canto do hino, para ajudar a acrescentar a necessária fraternidade com os portugueses e a nação vizinha.

Também é sumamente recomendável a anterior estrofe: “Teus fillos vagorosos/ en quen honor só late/ a intrépido combate/ dispondo o peito van…”. De feito, a minha edição de Queixumes dos pinos e outros poemas (Castrelos 1970), com as “Poesías inéditas” na edição da Academia Galega por obra de M. Lugris, subtitula “Himno galego” todo o poema “Os pinos” (dez estrofes). Cantar as dez pode resultar excessivo, mas fazê-lo com as seis primeiras não o é tanto, e quadra bem texto e música sem muita dificuldade.

Que comecemos outro ano dispostos a um “intrépido combate”, se bem pacífico.

[Este artigo foi publicado originariamente no Nós Diario]

Victorino Pérez Prieto
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