Variedade de animais da Bengala indiana

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Por José Paz Rodrigues

(Didata e Pedagogo Tagoreano)

Para quem goste de animais recomendo eu que venha alguma vez à Índia e, especialmente, a Bengala. No seu momento escrevi um artigo para o nosso diário sobre os numerosos e lindos pássaros que aqui existem. A que se lhes sumam as aves migratórias que escapam da invernia das estepes da Sibéria durante o inverno, e vêm pernoitar aqui na Santiniketon de Tagore, num formoso lago situado também ao lado mesmo de uma fraga onde moram numerosos cervos. Quando vais polas manhãs por estradas e caminhos de Bengala, nas suas beiras, sempre encontras dous pássaros chamados salik, de bico amarelo e penas pretas. As brancas só podem ver-se quando voam. Se vês dous juntos é sintoma de boa sorte. O normal é ver dous, pois se só vês um podes esse dia ter problemas, como nos comentam os bengalis. Que também acreditam em que o moucho que chamam pecha, se se vê, traz sorte. Aqui é normal vê-lo de noite e, de seguro, escuita-lo cantar, com o seu especial canto.

Mas do que hoje quero falar é dos outros animais e da sua grande variedade. Para um ocidental como eu resultam muito atrativos os animais que na Galiza nom temos. Entre eles está o elefante, que abunda noutras partes da Índia mais que em Bengala. E, claro está, os macacos, que dam um verdadeiro espetáculo, e aqui onde me encontro há muitos. Normalmente vam em grupo e saltam nas árvores de pola em pola, mas também polos telhados e terraços das casas. Por isso aqui todos fecham portas e janelas, pois podem entrar nos quartos e fazer estragos. É muito importante saber tratá-los e nunca provocá-los. Resulta muito simpático ver como desde os altos se burlam dos cães que lhes ladram e nom podem chegar onde eles estám.

É muito normal encontrar nos parques, entre as pessoas, macacos que se sentam imitando os seres humanos, e alguns até brincar com eles. Nom gostam de que se lhes tirem fotos, polo que há que fazê-lo sem que o notem. Nas aldeias Santales (na zona de Santiniketom existem muitas) vês continuamente dia e noite numerosos animais, a maioria domésticos. Muitos galos e galinhas com os seus pitinhos. Javarins de cor preta (poucos brancos), que aqui som domésticos. Ver como amamentam as suas crias é também um espetáculo. Há uma grande variedade de cabras e cabritos de todas as cores e muitos patos. Polas árvores sobem muitíssimos esquios que aqui chamam kachbirali e, se te descuidas, entram polas janelas à procura de comida.

Entre os anfíbios e répteis há sapos e sobretudo rãs e píntegas. Também lagartos e lagartixas e cobras, algumas muito perigosas, sobretudo na época das chuvas. As serpentes venenosas têm causado bastantes mortes, sobre todo de crianças. Existem gatos, mas surpreendentemente nom se veem tantos como na Nossa Terra. O que sim há é numerosíssimos cães, quase todos de palheiro e sem dono. Porém, som muito mais educados que os nossos com dono. As vacas, que som sagradas, som a verdadeira vida da Índia, polo leite saboroso que dam (do qual se elabora um riquíssimo requeijom artesanal e o leite maçado que me lembra a minha infância na Corna e nos Arneiros). Das vacas, menos a carne, aproveitam os indianos todo, mesmo a sua bosta para o fogo das cozinhas. Puxam de arados, carros e de muitos utensílios e grades. Também há bastantes búfalos e o leite da búfala é muito saboroso. Uma noite de lua cheia escuitámos ouvear o lobo, que aqui chamam sial. O que nom vim ainda foi o raposo.

Para o final deixo o famoso tigre de Bengala, merecedor mesmo de um selo de correios muito popular. Mora na selva do Sanderbans, situada no delta do rio Ganges, entre as duas Bengalas, a oriental e a ocidental. Nom quero terminar sem comentar o bem que aqui as pessoas respeitam a vida dos animais. Isto nota-se ao ver que nom têm medo e nom escapam dos humanos. E comentar também que é um verdadeiro prazer ver como continuamente nascem animais, que quase os vês nascer. Igual que vês medrar as flores e as plantas. Porque Bengala é um verdadeiro vergel. Que com razom cantou o nosso Camões em Os Lusíadas.