Um bom profissional do jornalismo

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Por José Paz Rodríguez (*)

A recente nomeaçom de Alfonso Sánchez Izquierdo como director da CRTVG, por parte da maioria do parlamento galego, encheu-me de alegria. Por muitos motivos, e nom só por ser um grande amigo meu desde há muitos anos, Em primeiro lugar, porque nom estamos muito acostumados a ver nomeações de pessoas que mereçam a pena nos diferentes governos. A sua nomeaçom é um bocado de ar fresco no panorama galego. Em segundo lugar, porque o conheço bem e sei da sua grande valia profissional dentro do nosso jornalismo. Valia que se engrandece pola sua ética profunda, a sua bondade, capacidade de diálogo, o seu espírito progressista, a sua objectividade e esse grande valor que é nom ser sectário. Infelizmente valor tam escasso na sociedade galega actual. Em terceiro lugar, porque este jornalista ourensano, que durante muitos anos dirigiu o jornal de La Región, sempre esteve detrás apoiando aquilo que era positivo para a cidade de Ourense, que ambos muito amamos. Quando o grupo “Adepende” (do que me sinto orgulhoso de ser um dos seus membros) salvou com a sua campanha o Teatro Principal da rua da Paz, Sánchez Izquierdo arrimou o ombreiro como ninguém. Também essa grande jornalista que é Maribel, com um profundo apreço pola nossa cidade e com grande sensibilidade. Quando Ourense foi a cidade pioneira para reclamar um cinema galego nosso, com as Jornadas do Cinema dos anos 70, ali esteve Sánchez Izquierdo também. O que se pode ver na listagem dos membros das comissões organizadoras, resenhadas nos diferentes programas onde aparece sempre ele. Apoiando o nosso Cine Clube “Padre Feijóo” e as suas actividades, como as Mostras Cinematográficas de Arte e Ensaio das festas maiores ourensanas, que tanto sucesso tiveram. Porque Sánchez Izquierdo ama como eu o bom cinema, e como eu era membro dos cine clubes dos colégios maiores da Complutense, como o S. Juan Evangelista. Como digo, este bom profissional do jornalismo, esteve sempre apoiando em Ourense todo aquilo que era bom para a cidade. O outro dia foi chamado e homenageado polo Ateneu por ser um dos sócios mais antigos, embora nom pôde assistir ao acto polas suas últimas ocupações. Desde o seu escritório do jornal ourensano da rua do Cardeal Quiroga, e logo no Polígono, animou todos os bons e generosos da nossa cidade e as pessoas construtivas da mesma. Escritório que sempre estava aberto para os ourensanos e sempre era um prazer debater temas com ele de política e cultura local e galega, de temas jornalísticos, das artes da imagem. Nunca o vi enfadado, sempre alegre e positivo, sempre animado e compreensivo. Rodeado de outros estupendos jornalistas e estupendas pessoas, alguns infelizmente desaparecidos, mas que tenho no pensamento e coraçom (como estou seguro também tem ele). Alvarado, Ellacuriaga, Alejandro Outeiriño, Reza o fotógrafo e muitos outros. E, claro está, os actuais e os já reformados e felizmente ainda vivos, como Sobrino.

Conheci Sánchez Izquierdo a princípios dos setenta, quando ambos terminámos os nossos estudos e vinhemos trabalhar a Ourense. Desde esse momento conservamos intacta a nossa amizade profunda. Eu tive mesmo a sorte de ter de aluna no Instituto do Possio, no ano lectivo 1971-72, a sua esposa Cristina Muñiz Mulher encantadora e sensível, amante da cultura, grande estudante e sempre alegre. O que nom nos estranha que acadasse de imediato o amor do jornalista. Sinto-me também orgulhoso de ter como amigo meu ao seu pai Alfónso Sánchez. Pessoa digna, com grande rectitude e ética. Muito apreciado quando foi durante anos chefe do quartel ourensano de Sam Francisco, onde eu realizei as práticas das milícias universitárias. Agora na sua nova incumbência, tam importante e de grande responsabilidade, basta com que continue o seu grande labor ourensano. Amplia-se o âmbito de Ourense à Galiza toda. Tem por diante grandes reptos. Há muito que mudar nos nossos meios públicos de comunicaçom. Há que fazer novos programas atractivos e lúdicos. Há que pensar mais nos jovens e nas crianças. Há que mirar para o Sul, para Portugal e para os países da lusofonia. Há que fazer programas educativos, mas muito divertidos. Há que ter em conta todos, nom discriminando ninguém. Mesmo há que escuitar os discrepantes e dar-lhes também voz. Para fazer um bom papel abundaria com nom ser sectário. Como o conhecemos bem temos muitas esperanças no labor que vai desenvolver no futuro da nossa rádio e televisom, e felicitamos aqueles que tomaram a feliz decisom de propô-lo para este posto. Ao lado dos outros nomes que circulavam, confrontados com o nosso concidadão, nom há termo de comparação.

(*) Professor Numerário da Faculdade de Educaçom de Ourense.