J. M. A. -Três ensaios publicados nos últimos meses na Galiza estám a passar quase desapercebidos, apesar de realizarem contributos de interesse sobre assuntos tam trilhados como o Caminho de Santiago, a Cultura Celta ou o Feminismo. As propostas que assinam Manuel Rivero Pérez, Higínio Martins e Carlos Diegues incluem elementos que merecem ser debatidos, polémicos por vezes, que abrem porventura novas vias para um melhor conhecimento das questons que colocam e mesmo renovam velhos discursos. Pôr em diálogo estes livros, fruto da pesquisa de anos, com trabalhos de outros produtores, seria de esperar num país onde houvesse umha recepçom normal, e que indagasse a maneira como as novidades podem favorecer mudanças, consolidar cánones estabelecidos ou fortalecer/ameaçar a própria cultura. Todo menos o silêncio, pois sempre há valores que emergem do esforço de autores e editores e que nom merecem ser ignorados. Mas numha sociedade como a galega, onde se dá um estado de luita muito avançado em campos como v.gr. o da língua, essa atitude negativa à partida perante estudos como os que na continuaçom se comentam é conseqüência de um olhar perverso sobre o julgado de contrário (por mais que muitas vezes nom seja senom um aliado natural na procura do mesmo fim, mas com outra estratégia), a quem se ignora propositadamente para dar a impressom social de que nom existe. Essa nom comunicaçom, esse desencontro surdo, é um dos factores que empecem o progresso e que esclarecem a esclerose e a parálise que caracteriza muitos ámbitos da cultura galega.
a) O Caminho de Santiago e a formaçom de pessoal directivo
Do Caminho de Santiago tenhem-se publicado muitas páginas desde há séculos. As visons religiosas, geográficas, artísticas, históricas, musicais, arquitectónicas, turísticas, e perspectivas literárias e de ciências como a Medicina, a Farmácia e outras diferentes, espelham-se em numerosos textos redigidos na Galiza e no exterior, em que o que foi declarado como o primeiro Itinerário Cultural Europeu resplandece com inúmeros valores e múltiplas possibilidades.
Parece difícil poder inovar num tema como este. Sempre é de esperar um trabalho que complemente ou acrescente outros anteriores, ou que se alicerce neles. E, no entanto, Manuel Rivero consegue neste estudo1 umha visom novidosa, ao introduzir elementos de valor para a formaçom de pessoal directivo. Nom há precedentes na Galiza de utilizar essa visom, e esse esforço bem merece ser salientado.
Rivero é um especialista nesse campo, ao que com antecedência contribuiu com outros estudos e com o seu exercício profissional durante muitos anos2. Este estudo leva como prólogo um texto de Isaac Alonso Estraviz (pp. 7-10), quem salienta como originalidade o se tratar de umha “obra multidisciplinar” e informa os nom avisados de mais umha dedicaçom de Rivero, a de antropólogo, um campo em que tem também publicados vários estudos.
O texto de Rivero principia com umha “Introduçom” e na continuaçom oferece capítulos sobre diferentes etapas da caminhada pola rota que escolheu, a bem conhecida do Caminho Francês a Compostela: Roncesvales, Zubiri, Pamplona, Puente La Reina, Estella, Los Arcos, Logroño, Náxera, S. Domingo de la Calzada, Belorado, Sam Joám de Ortega, Burgos, Hontanas, Frómista, Carrión de los Condes, Sahagun, Reliegos, Leom, Villadangos del Páramo, Astorga, Rabanal del Camino, Molinaseca, Vila Franca do Berzo, Triacastela, Sárria, Porto Marim, Palas de Rei, Arçua, A Rua e Santiago de Compostela.
O diálogo entre um jovem, Pedro, e o seu avô, servem de pretexto para focar temas como as percepçons e as expectativas, a empatia, a assertividade, a inibiçom, a agressividade, a manipulaçom, a flexibilidade, a auto-estima, o sorriso, o saber escutar, a reciprocidade, a observaçom, a maneira de perguntar, aproveitar as experiências, a “sabedoria de comunicar”, julgar e descrever, as preocupaçons, os critérios de rendimento, a abertura mental, a proactividade, a crítica e a construçom, as fortalezas, a gratidom, a improvisaçom, a decisom, a planificaçom, a retro-alimentaçom ou informaçom de retorno, a confiança, o vitimismo, a austeridade, os desequilíbrios na relaçom, a atraçom, a coerência, e finalmente o amor, no relacionamento pessoal e com a colectividade.
Há também informaçons de interesse turístico e artístico neste volume, de fácil leitura. Muitos conselhos e muita moral se encontram nas suas páginas, com que por vezes se pode discrepar, ou nom concordar totalmente com certas formulaçons, mas que resulta de leitura aliciante. Vejamos alguns exemplos do discurso de Manuel Rivero. Na página 37, escreve: “Avô, a flexibilidade tal como ma explicache vejo-a como uma sessom de baile na qual te preocupas de aprender e de ensinar. Que definiçom mais brilhante. Para uma pessoa flexível a ciência de hoje bem pode ser a mentira de manhã, porque em realidade nada é definitivo”. Na página 46, o avô esclarece: “Aquela pessoa considerava o sorriso como a chave que permitia abrir mil portas, que também era capaz de conseguir informaçom de qualidade, de incrementar a taxa de negócio e de satisfaçom e com certeza de alongar a vida média do cliente”. Ou na página 126, em que lemos: “Pedro, para centrar o tema da confiança nas nossas profissões é necessário que confluam estes três princípios: ética, formaçom e entusiasmo, estas variáveis necessitam actuar de forma inter-relacionada para conseguir a excelência profissional. […] Avô, o entusiasmo faz que as pessoas desfrutem continuamente do que fazem, se sintan seguras, realizadas e felizes”.
Encontra-se a procura de um estilo próprio, v. gr. no modo de introduzir o diálogo, que anela a simplicidade; e no uso do léxico de todos-os-dias, todo um repto por causa da temática, com que tenta ganhar em efectividade na sua comunicaçom.
Um livro, em definitivo, que vale a pena conhecer. E que ganhará em próximas ediçons de se corrigirem provas e se emendarem muitas gralhas, sobretodo partiçons de palavras com traços muito reiterativos e desnecessários, conseqüência do tratamento tipográfico do texto e que seria bom evitar.
b) As tribos calaicas: língua e celtismo no discurso de Higínio Martins Estêvez
Há muitos anos que na Galiza se tem notícia de Higínio Martins Estêvez através dos seus contributos em revistas como Grial (1978) ou Agália (1990, 1993); da ediçom que realizou de Cantares Gallegos, de Rosalia de Castro (1984) publicada por Caixa Ourense; ou dos contributos nos congressos internacionais da Associaçom Galega da Língua, publicados nas correspondentes Actas, além de trabalhos publicados na revista Adigal dos Amigos do Idioma Galego de Buenos Aires. Conhecia-se umha pessoa com interesse pola língua da Galiza (com especial dedicaçom a assuntos de toponímia e etimologia) com perspectiva do Reintegracionismo, e também polo Celtismo. Com a ediçom deste volume3 dispomos agora de elementos certos para conhecer melhor o discurso que arvorou neste tempo, os seus pressupostos e melhores frutos. Trata-se, como com acerto sintetizam Ângelo Gonçalves Vicente e Bernardo Penabade Rei, de uma produçom que revela “dados transcendentais para a reconstruçom do período pré-românico galaico. A ela entregou o professor boa parte da sua vida e engenho”4.
O volume principia com um “Prefácio”, em que se afirma ser este estudo resultado de “mais de vinte e cinco anos de amor assíduo e curioso”, e frisa como objectivo “fazer surgir esse tempo calaico de jeito consistente e sustido. Nom o pede só a asséptica e apolínea ciência; também a impura e apaixonada ânsia de servir à identidade do povo galego, frágil e trémula flama de incerta fortuna. Talvez as certezas cheguem a substituir as vaguidades e assim velhos alicerces renovados fundem construções novas, firmes e suficientes”. Na continuaçom esclarece as “Opções ortográficas”, afirmando Higínio Martins que “a língua quer ser reintegracionista, por princípio e pelo mercado. […] Opto o Acordo Ortográfico do ’90. Unificar grupos consonânticos é preciso, por duro que seja atual em vez de actual. Dentro dele, é natural preferir as alternativas portuguesas (facto em vez de fato). Chegados a tal ponto, é que reclamamos hic et nunc, os arcaicos sinais de identidade galega, quer dizer, ũa, padrom, capitam, irmão“. Desenvolve a seguir o estudo em 5 partes: “Ũa Céltica chamada Kalláikia” (pp. 9-41), “Tribos da confederaçom do norte ou Ártabros” (pp. 43-231), “Tribos da confederaçom do sul ou Gróvios” (pp. 233-396), “Tribos da confederaçom oriental ou Ásturos” (pp. 373-488) e “Miscelânea como epílogo aberto” (pp. 489-544). Completa-se com um “Índice de etimologias (propostas ou recebidas)” (pp. 545 e passim) em que, em 15 páginas, informa-se de por volta de 450 esclarecidas no volume; umha “Bibliografia breve”, de 3 páginas; o “Índice geral” e finalmente o “Mapa das tribos Calaicas”.
As cinco partes subdividem-se por sua vez em 56 capítulos e numerosas epígrafes. Martins Estêvez apresenta a sua teoria, alicerçada muitas vezes em autores clássicos (Estrabom, Plínio, Idácio, Orósio, Ptolomeu, a Historia Compostelana…), vultos como o P. Sarmento, Bluteau, Murguía, Cuveiro Pinhol…; produtores bem conhecidos de diferentes campos científicos (Os lingüístas Coromines, Nascentes, Machado; o historiador Casimiro Torres Rodríguez, López Cuevilhas, Manuel Rabanal, Antonio Tovar…), sendo J. Vendryes quem tem mais entradas bibliográficas. Nas páginas encontram-se informaçons muito diversas, v. gr. sobre a Torre de Hércules, recentemente declarado monumento Património da Humanidade pola UNESCO; ou tradiçons como O Meco ou o rito das Nove Ondas da praia da Lançada. Territórios da Galiza, o Norte de Portugal, Leom e Astúrias socedem-se neste estudo, que se ampara em 373 notas de rodapé para informaçons complementares. Nas páginas 530-533 reproduz um trabalho anterior, em espanhol, publicado na Argentina em 1996, sobre a etimologia de “Pamplona”.
Vejamos como exemplo a epígrafe que dedica a nomes de dous antigos reis da Galiza, “Ordonho e Garcia”, na p. 542, onde afirma Martins Estêvez: “Os dous som célticos e provam a pervivência do céltico no seu tempo no Noroest. Ordonho relaciona-o Coromines (DCEC e H I, 365, 13-15) com o célt. *ORDOS ‘martelo; polegar”. Logo era *ORDONIOS ‘o do Martelo (ou Polegar)’. Martelo e polegar som símbolos de força: Charles Martel, Hernando del Pulgar. *ORDONIOS é o étimo do gaél. ant. oirdne ‘polegada’
“Schuchardt, Pedersen e Meyer-Lübke tiram Garcia do basco: quer de *hartze-a ‘o urso’, de origem céltica (Schuchardt e Pedersen), quer de *kartze-a (Meyer-Lübke), autóctone. Põe medo defrontar tamanhos vultos, mas nom cabe calar. Michelena, máxima autoridade em basco, no livro sobre apelidos bascos cinge-se a ementar aquelas equações a par que repete a opiniom de Luchaire. ‘Urso’ sim é (h)artz em basco, mas a derivaçom nom se entende. Todos julgam basco Garcia, mas aparece em Leom em data remota”.
E oferece na continuaçom a sua própria teoria, alicerçada num adjectivo céltico. É esta a dinámica do estudo: Martins Estêvez cita outros produtores que trabalhárom sobre os assuntos que foca, aos quais dá a razom em ocasions, discute outras vezes, ou reprova. É difícil nom encontrar um topónimo, um apelido, um nome que nom chame à curiosidade e sirva para centrar a atençom do leitor. Um leitor que se nom cansa, por deparar com um estilo ágil e atractivo. Assim, e por colocar outro exemplo, ocupa-se de “Araújo”, nome de aldeias e (p. 302) “de lata fama como apelido familiar, virá do célt. “ARADUSION” ‘o lugar da passagem'”.
É pena que o livro, magnificamente editado, nom tenha um capítulo de conclusons. Higínio Martins afirma, à partida, que (p. 5) “Em pesquisa nunca se chega a frutos finais, mas sim a patamares de relativo vagar que deixam observar o conjunto logrado”, e seria bom umha síntese conclusiva final.
Encontramo-nos, porém, perante um ensaio valioso, fruto do trabalho de muitos anos, em que Martins convida a (re)pensar sobre a identidade galega num tema muito polémico na Galiza: desde especialistas de renome que afirmam que os únicos celtas existentes na história do país som os relacionados com umha equipa de futebol de Vigo e pouco mais, a aqueloutros que defendem com estudos muito diversos (mesmo há umha colecçom especializada de pesquisa sobre o celtismo, na editora Toxosoutos) a sua pertinência. Em todo o caso, nom se pode negar, o celtismo tivo muita influência no historicismo galego desde o século XIX, e na construçom da identidade, e os seus vestígios estám presentes certamente nessa equipa de futebol de Vigo (como no nome da principal equipa de basquetebol galega, de Lugo) mas em muitos locais e referentes da Galiza, e sobretodo em textos históricos, literários, mesmo filosóficos ou em nomes de pessoas. Este trabalho é pois um convite para que esses especialistas, das duas tendências, julguem umha proposta que Martins tem divulgado nom só na Galiza mas também na Argentina, e que está a contribuir para que haja pessoas que se formem umha imagem galega, acertada ou errada, mas em todo o caso atractiva. De facto, no acto de lançamento de As tribos calaicas em Compostela, em 13 de Dezembro de 2008, Martins comentou como houvo já algumha pessoa na Argentina que, após participar nas actividades que ele ministrava, se deslocou à Galiza para fazer um percurso polas 8 rotas celtas que ele propom6; e elaborou um mapa, reproduzido quer no livro da entrevista de Gonçalves Vicente e Penabade Rei, quer neste volume, quer mesmo no Atlas de José Manuel Barbosa referido há já algum tempo neste espaço. Higínio Martins Estévez aparece assim também como um docente com poder de convicçom, pois, que oferece o seu melhor trabalho à Galiza e que é merecedor de ser apreciado.
c) Feminismo e democracia: crítica a “um processo globalizador que castiga de maneira especial as mulheres”
Este estudo6 surgiu no ámbito académico como um trabalho de doutoramento realizado na Universidade de Santiago de Compostela (USC), que estava pronto em 2003, e propom-se como objectivo, segundo esclarece o seu autor (p.19) “comprovar se a atenção dada às demandas de reconhecimento da diferença é compatível com um projecto ético e emancipador que continue a tradição crítica do feminismo. […] O reconhecimento pode representar um contributo sério para construir uma alternativa política coerente e global, crítica com um processo de globalização que castiga de maneira especial as mulheres, em forma de violência, de exclusão da cidadania plena e de feminização da pobreza”.
Num “Prefácio” (pp. 11-13) de María Xosé Agra Romero, docente da USC, afirma-se que este livro “supõe um compromisso com um projecto ético e político emancipador, o feminista, e busca (e logra en grande medida), articular justiça e igualdade”. Acrescenta que o autor incide “na crítica da teoría feminista ao liberalismo, ao individualismo, à democracia liberal para entrar de cheio na questão chave: o reconhecimento”. Conclui Agra Romero que o trabalho de Diegues “comporta um exercício de reflexão rigorosa e comprometida que merece reconhecimento, pois como é óbvio, as questões que aborda são difíceis”.
O volume consta de duas partes. A primeira, intitulada “O reconhecimento na filosofia moral” (pp. 21-76) diferencia por sua vez cinco capítulos: “A identidade e o reconhecimento”, “O reconhecimento intersubjectivo”, “A renúncia liberal à intersubjectividade”, “A recuperação do vínculo social” e “Habermas: o giro linguístico”. Na segunda parte (pp. 79-141), a partir dos postulados da teoria crítica feminista, o autor refere-se ao reconhecimento como “uma questão de justiça social, fazendo finca-pé na necessidade de reformular a compreensão liberal da democracia, como um meio de assegurar a cidadania para as mulheres”. Esta parte final consta de sete capítulos: “A crítica multicultural do liberalismo”, “A política da identidade”, “A justiça no debate feminista”, “A justiça dual”, “A recepção da teoria crítica de Fraser”, “Vencer uma identidade genérica” e “O feminismo ante a globalização”. Diegues finaliza a sua reflexão assinalando que (p. 141) “hoje mais do que nunca, a luta pelo reconhecimento configura-se como uma ampliação do universo dos sujeitos de direito e uma conquista da dignidade humana para as mulheres, as grandes perdedoras da globalização neoliberal, com uma perspectiva de justiça atenta ao reconhecimento de identidades e compatível com a extensão universal da igualdade e a liberdade a todos os indivíduos e grupos oprimidos”.
Finalmente, na “Conclusão” (pp. 143-147) defende que o feminismo, como teoria crítica, deveria “reclamar a conciliação da justiça e o género para acabar de vez com a histórica subordinação das mulheres”, e assinala que “a existência de uma agenda global feminista lembra não só a necessidade de um sujeito global feminista: fala também na exigência de uma teoria de justiça global capaz de assumir a crítica feminista, que reclama a aplicação universal dos direitos humanos, reformulando o modelo democrático num sentido agónico, aberto de novo ao reconhecimento recíproco. Através de uma teoria crítica com as desigualdades económicas, o feminismo denuncia as condições que impedem o exercício pleno da cidadania e negam às mulheres a dignidade, a liberdade e a justiça que cada pessoa merece”.
Assunto polémico e difícil em que há formulações que podem ser aproveitadas não só polo feminismo, mas por outros movimentos que luitam igualmente polo reconhecimento. Um trabalho portanto valioso, que oferece visões de interesse sobre o objecto de estudo, e que evidencia umha empatia por parte de um varão para com a vindicação feminista da igualdade, sustentada com convicção e argumentos que apelam para atingir mudanças sociais certamente difíceis, mas nom impossíveis.
Merece também destaque Estaleiro Editora, umha empresa diferente no panorama cultural galego, que autoriza a quem utilize este livro para “copiar, distribuir, exibir e executar a obra” sob três condições (reconhecer o autor, nom transformar o texto noutra obra com base nesta, e nom utilizar este trabalho para fins comerciais), na seqüência da organizaçom nom governamental Creative Commons, favorecendo a divulgação do conhecimento. Oferece assim oportunidade de difundir e dar visibilidade a um trabalho de um ensaista que, segundo se indica na contracapa “estudou Política, Filologia e Filosofia”, três disciplinas que se combinam neste estudo e de que se vale para alargar o entendimento das perspectivas do feminismo.
Compostela, 28 de Julho, 2009.
Notas:
1. Rivero Pérez, Manuel, (2008), De Roncesvales a Compostela: Um percurso por valores, habilidades, recursos e atitudes, Santiago de Compostela, Associaçom Galega da Língua, 152 páginas.
2. Umha versom anterior deste mesmo estudo foi publicada em castelhano (Instituto Cepedano de Cultura, Samora, 2006), com um prólogo de Ane Aguirre Romarate, responsável de formaçom na altura do banco BBVA na Espanha (onde exerceu profissionalmente Rivero como formador, até ao seu aposentamento), quem salienta o valor deste estudo assinalando que “me enseña mucho estar permanentemente leyendo referencias al cariño, al compromiso, al optimismo, al disfrute, al esfuerzo y al descanso… me enseña mucho porque creo que es desde ahí desde donde se pueden producir cambios relevantes, desde donde realmente podemos influir y construir. Son constantes en el discurso de Manuel, siempre, incluso en momentos difíciles, habla de crecer y ser feliz; utilizando sus propias palabras: ‘Pedro, recuerda que tu misión es hacer de la vida algo único y extraordinario‘”. Também em 2008 publicou Las claves del auto-desarrollo, del desempeño eficaz y del liderazgo, na editora Escuela de Finanzas (A Corunha), umha instituiçom educativa especializada na formaçom de pós-graduaçom em Banca e Mercados Financeiros participada pola Fundación Pedro Barrié de La Maza e o Instituto Bolsas y Mercados Españoles, volume que leva prólogo de Raquel Ballesteros García, também responsável de formaçom de BBVA Espanha, quem conclui que Rivero “plantea un conjunto de reflexiones y técnicas de trabajo personal para incrementar nuestra capacidad de liderazgo”.
3. Martins Estêvez, Higínio, (2008), As tribos calaicas, Sant Cugat del Vallès (Barcelona), Edições da Galiza, 572 páginas.
4. Gonçalves Vicente e Penabade Rei fazem esta apresentaçom quando o livro estava ainda inédito na página 11 do volume Orgulho Galego na Diáspora. Conversa com Higínio Martins Estêvez, publicado igualmente no ano 2008 pola Fundación Comarcal O Baixo Miño (75 páginas), como homenagem desta comarca do Sul da Galiza, em que tem os seus antecedentes o autor. É de enorme interesse e muito esclarecedor este amplo diálogo em que se informa da trajectória de Martins Estêvez, umha pessoa formada em Psicologia, Filosofia, Letras e Direito, que exerceu muitos anos como profissional da banca comercial em Buenos Aires; tradutor, gramático, professor reintegracionista, e docente universitário na Argentina (ministrou aulas de Historia de la Lengua Castellana e também se ocupou de Filologia Románica e Introduçom à Linguística, segundo assinala na p. 32; e teve relacionamento com vultos como Coseriu que concordou com alguns dos pressupostos que lhe apresentou, afirma nas pp. 36-37), em que fala de como começarom as suas afeiçons com a intençom de regressar às origens e esclarece a sua teoria respeitante da cultura céltica e da língua. Assinalar, v. gr., esta opiniom a respeito do processo de construçom do cánone ortográfico galego (p. 69), de que afirma Martins Estêvez: “Os critérios que se usarom na construçom do galego oficial teem dous níveis, os explícitos e os subliminais. O inconsciente bem os guia. Muito trabalho de campo para nom ver o bosque. O critério fundo era e é afastar todo quanto for possível os falares galegos entre si, e o seu conjunto do português. Daí as suas absurdas escolhas de dialetalismos de pequenas comarcas expandidos para o galego pretendidamente comum, sem mais título que diferir do vocábulo padrom comum”. Martins Estêvez, membro da Academia Galega da Língua Portuguesa, assinala em resposta a Gonçalves Vicente e Penabade Rei (pp. 69-70): “Nom descarto escrever na norma portuguesa em contextos amplos. Só quero reservar-me o direito de usar formas galegas legítimas, que nom diminuem a consolidaçom da língua e enriquecem aos mesmos portugueses, que nelas se reencontram”. O volume-entrevista refere nomes como os de Ricardo Flores, Antónia Luna, Manuel Lamela ou Ricardo Palmás, que merecem ser lembrados na Galiza pola sua dedicaçom e esforço continuado de muitos anos em prol do reconhecimento do país; além de galegos como Ricardo Carvalho Calero ou Martinho Montero Santalha, com informaçons valiosas a respeito do relacionamento de Martins Estêvez com eles.
5. Martins Estévez propom (na entrevista de Gonçalves Vicente e Penabade Rei, pp. 25 e 26) que, alicerçado no celtismo, se elaborem “percursos turísticos”, com o que oferece umha perspectiva de riqueza económica à sua teoria. Essas rotas teriam também interesse para engenheiros, médicos, enfermeiras, psicólogos e outros especialistas que procedem do ámbito universitário da Argentina e outros países da América e que, segundo esclarece Martins Estévez (p. 64 da entrevista de Gonçalves Vicente e Penabade Rei) “som os que estám em melhores condições para começar a fazer a busca da identidade”.
6. Diegues, Carlos, (2008), A Revolução Pendente. Feminismo e Democracia, Estaleiro Editora, 156 páginas.
