Rikxas indianos que nom poluem

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Por José Paz Rodrigues

(Didata e Pedagogo Tagoreano)

Para um ocidental ou europeu, a Índia é uma caixa de formosas surpresas. Aqui há que trazer câmara fotográfica que tire fotos com rapidez, de forma instantânea e automática. Se necessitas tempo para prepará-la, de seguro que perdes imagens lindas e importantes. Cada segundo há um tema atrativo para fotografar. Um carro de vacas carregado de cousas variadas, animais de todo o tipo, labores agrárias múltiplas, mães com crianças no seu colo, macacos que saltam entre as árvores, feiras e festas, artesãos trabalhando, juntas de bois puxando de arados, malhas de arroz, rapazes jogando à bilharda ou a outros jogos similares aos nossos galego-portugueses, lindos jardins e fragas com flores de cores lindas e variadas, templos dedicados a distintos deuses, escolas ao ar livre e muitas outras cousas.

Mas um dos temas que mais surpreende é a variedade de transportes que existem, tanto nas cidades como nas zonas rurais. Porque é este um país cheio de vida. Os comboios vam carregados de gente, e para muitos lugares e cidades há que comprar os bilhetes com antecedência, para ter um lugar. Os autocarros vam tam ateigados, que mesmo na cima levam, ademais de mercadorias, muitas pessoas. E a mim lembram-me a minha infância na Corna, quando com bom tempo de verão, gostava de vir a Ourense com meu pai Juan por cima do Castromil. A frota de automóveis aumenta dia a dia e continuamente em toda a Índia, que infelizmente poucas estradas boas tem. Mas que quase nom existem, como se fosse um milagre, acidentes rodoviários. A maioria deles estám provocados polas numerosas motos de todo o tipo que existem, cujos condutores vam como loucos lançados. Conduzindo de forma tam temerária que a mim admira-me muito que nom provoquem mais acidentes, dos quais, a propósito, eu ainda nom observei nenhum nas longas temporadas que passo em Santiniketon, nos últimos dez anos.

Porém, do que quero falar mais hoje é dos transportes chamados “rikxas”, que, para distâncias curtas, som os que devemos empregar. Tanto polo seu valor ecológico ao nom poluir, como polo baixo preço da viagem, como porque viajando neles ajudas à família de quem conduz um rikxa, pois é o seu trabalho diário. Portanto, também tem um valor social e humanitário andar em rikxa. Este tipo de transporte é originário da China, de onde há séculos passou para a Índia, o Japom e outros países da zona. Por isso ainda se conserva a palavra original, pronunciada quase de forma similar à chinesa. Naturalmente, a criatividade dos indianos levou a que fossem introduzidas melhoras nos carros utilizados.

Onde primeiro se usaram os rikxas foi na cidade de Kolkata (Calcutá). Nesta cidade ainda sobrevivem aqueles cujos condutores (a maioria do Estado de Bihar, próximo à Bengala), vam a pé, têm grandes músculos e tiram da carruagem com grande força e perícia. Para conhecer bem a cidade e os seus lindos recantos antigos e os labores e vida dos calcutaenses, nom há como viajar neles. Nom devemos ter escrúpulo algum para viajar nestes rikxas, que, nos últimos tempos, o governo municipal intentou suprimi-los sem consegui-lo. Pois arredor destes transportes vivem numerosíssimas famílias. O famoso livro e, especialmente, o filme de Lapierre “A cidade da alegria”, fez muito dano a estes rikxas, ao apresentar de forma muito deformada e nom autêntica a sua realidade e vitalidade.

Antes de subir a um destes rikxas é necessário estabelecer de comum acordo o preço do percurso. Eu sempre pergunto ao condutor que número de filhos tem e quais som os seus estudos. Muitas vezes fico surpreendido de que, com o seu trabalho, mesmo pode estudar os seus filhos, ademais de dar de comer aos membros do seu “poribar” (família em Bangla). Sempre lhe dou o duplo de rupias do antes acordado. Os rikxas normais, mais modernizados, som os de bicicleta de três rodas. Em cada lugar e cidade, a sua decoraçom é diferente e, amiúdo muito linda, como acontece com os de Goa. Em Santiniketon há muitos e eu uso-os a diário. Cada três quilómetros podes viajar neles por trinta cêntimos de euro e, se se portam bem, sempre lhes dou gorjeta (em bangla “upohar”).

As cidades em que há mais rikxas deste tipo som Panjim em Goa, Daca em Bangladesh, Bordoman e Benarés (Varanosi). As crianças pequenas som transportadas às escolas infantis nuns formosos rikxas fechados e com janelas. Dentro podem levar uns dez rapazes. Os que vam em moto som muito abundantes em Deli (alguns andam com gás natural) e algum bairro de Kolkata. Rikxas adaptados som utilizados também para levar mercadorias variadas e, mesmo vasos com formosas flores. Que aqui, todo um paraíso, abundam mesmo no inverno.