Nom podemos imaginar-nos crianças sem jogar, sem brincar e sem os seus risos. O jogo na infância é a actividade educativa mais completa que existe. Depois de comer, nom há outra actividade mais integral e importante nas idades pequenas. Quando as crianças jogam põem em exercício toda a sua personalidade: a sua inteligência, a sua memória, a sua imaginaçom, a sua criatividade, a sua capacidade de atençom, a sua psicomotricidade, o seu sistema nervoso, todos os seus sentidos e mesmo a sua sensibilidade e os seus sentimentos.
Por meio do jogo as crianças conhecem o mundo e entram em contacto com o entorno que os envolve, aprendem a criar e a amar a natureza e também se preparam para a vida adulta. Assimilam habilidades sociais e adquirem auto-estima. A criança que nom brinca é que está doente. Existe, por ventura, uma outra actividade tam completa e importante? A nossa sociedade, equivocada em muitas cousas, e cada vez com menos valores humanos, deveria reflectir sobre isto. Deveria apoiar mais o jogo na infância e ser consciente do seu grande valor. Sem perder de vista tampouco que a melhor educaçom que existe é a educaçom preventiva.
As sociedades que vam para a frente som aquelas que valorizam o jogo infantil, dedicando-lhe espaços e tempos. Logo está também o valor de espertar ocupações positivas de tempo de lazer. Tam importantes posteriormente na juventude, na idade adulta e na terceira idade. Em casa, na escola, nos bairros, nos espaços verdes das cidades, nos parques, nas alamedas…tem que haver um lugar amplo para a dinamizaçom dos jogos infantis. As instituições locais, provinciais e autonómicas deveriam ter isto que assertamos como prioritário. Infelizmente neste tema a Galiza é a comunidade espanhola que se encontra ainda na pré-história.
Temos uma flamante Vice-presidência de igualdade e bem-estar que a dia de hoje ainda nom apresentou um projecto sério tam necessário para a Nossa Terra, de criar uma rede de brinquedotecas. É certo que se leva preocupado bastante pola terceira idade e isso está muito bem. Algo menos pola juventude e, nalgum caso, com certo sectarismo. Que bem gostaríamos que ficasse de uma vez por todas estacionado.
Respeitando a todos e contando com todos, nom discriminando. Polo que se refere à infância, esta sim que está quase esquecida. O tema das famosas “galescolas” teria que passar ao seu lugar natural que é o âmbito educativo. Mas as brinquedotecas – também chamadas ludotecas – som competência de igualdade e bem-estar. Nas quais, por meio do jogo variado, dos jogos tradicionais, dos jogos dramáticos, dos obradoiros artísticos, se pode fomentar de melhor maneira a adquisiçom e o apreço pola nossa língua, hoje tam ameaçada de desapariçom em território espanhol.
Galiza, de forma bem triste, é a única comunidade espanhola que nom tem estabelecido uma rede de brinquedotecas ou ludotecas. Mesmo a Rioja nos supera. E já nom digamos a Catalunha, com a sua associaçom ludotecária “Atzar”, pioneira neste e em outros temas, as Canárias ou a Andaluzia. E também Portugal, onde na cidade do Porto existe uma dinâmica Associação de Ludotecas. Criar esta rede em bairros das nossas cidades, nas cabeceiras comarcais e nas vilas importantes, implicando outras instituições, nom só seria muito bom para as nossas crianças, como também para dar trabalho aos nossos jovens titulados em educaçom social, muitos deles bem preparados como ludotecários e ludotecárias.
Por meio de todo o tipo de jogos e de obradoiros artísticos variados, criaríamos afeições positivas nas nossas crianças e adolescentes. Tam necessárias para o seu futuro e o da Galiza. Apesar de ter infinidade de propostas feitas a todas as instituições, hoje em dia ainda nom pudemos abrir como ludoteca e centro juvenil esse local magnífico que a ASPGP tem alugado no antigo colégio “Sueiro” da rua ourensana de Parada Justel. A própria Direcçom Geral de Juventude declinou o seu apoio. De forma sectária e pensamos que equivocada. Haverá que insistir, pois rectificar é de sábios.
