Por José Paz Rodrigues
Dentro das muitas notícias negativas que nos trazem a diário os meios de comunicaçom, de vez em quando aparece alguma positiva (parece que só os sucessos e o negativo som notícia). Consideramos enormemente positivo o anúncio de que o importante legado de Sargadelos-O Castro, criado com tanto amor e tanta dignidade por Isaac Diaz Pardo, com o apoio também de Luis Seoane, vai-se salvar para Galiza. A Junta autonómica tem um estudo avançado para criar uma Fundaçom de titularidade pública, sob a denominaçom de Seminário de Estudos Galegos e presidida, como tem que ser, por Diaz Pardo.
Esta Fundaçom acolheria a alma e documentaçom de Sargadelos, O Castro (cerámicas e editora), o Laboratório de Formas, o Instituto Galego de Informaçom (IGI) e a sua sede de Sam Marcos em Compostela. Uma vez que presidência tenha formalizado isto, definitivamente, há de contar com os nossos sinceros parabéns.
Os galegos nunca poderemos pagar o labor cultural e empresarial conjunto realizado polos exilados no argentino Rio da Prata. De recuperaçom da nossa memória histórica na própria Terra, sem ajuda económica oficial, por Diaz Pardo, Fernández Albalat e Seoane. Como um tesouro conservaram os valiosíssimos documentos históricos do Conselho da Galiza no exílio, promovido por Castelao, e muitos outros documentos importantes. Como, por exemplo, os do Seminário de Estudos Galegos (doravante SEG) e as suas actas fundacionais do ano 1923.
Quando nos perguntam sobre o que consideramos mais importante como actuaçom cultural na história da Nossa Terra, nunca o duvidamos e sempre contestamos que a revista Nós e as publicações da sua editora, e o SEG e os seus trabalhos de investigaçom, entre 1923 e 1936. Infelizmente, ao contrário do acontecido em Catalunha com o Institut d´Estudis Catalans, recuperado na democracia pola Generalitat, aqui nenhum governo fez nada por recuperar um organismo semelhante como o SEG. Com vida só simbólica a partir de 1978, dentro do IGI.
Se deitamos uma olhada sobre a listagem de publicações e os directores das diferentes secções do SEG, ficamos profundamente impressionados polo alto valor e interesse dos trabalhos de pesquisa e a grande valia e dignidade das pessoas encarregadas de dinamizá-lo. Pensando sempre na Galiza, sem partidismos e sectarismos, tam presentes nos tempos actuais. Vultos importantes têm obra publicada no SEG : Cabanilhas, Carvalho Calero, Castelao, Cotarelo Valhedor, Filgueira, Bouça-Brei, Cuevilhas, Fraguas, Macinheira, Lourenço Fernandes, Boo Pita, Lanza, Otero Pedraio, Pardo, Pérez Bustamante, Tobio Roca, Tobio Fernandes, Carro Garcia, Gómez Moreno, Vicente Risco, Portela Paços, Arias Sanjurjo, Ramóm Mª Alher, Parga Pondal, Garcia Blanco, Iglésias, Ferreiro Cid, Gómez Martínez, e mesmo os portugueses Cardozo e Serva Pinto.
Toda uma riqueza de nomes de investigadores de grande categoria nos seus diferentes campos de especializaçom. Os directores das distintas secções do SEG eram, nada mais e nada menos, que Castelao (Arte e Literatura), Cuevilhas (Pré-História), Cabeza de Leóm (História), Carro Garcia (Arqueologia e História da Arte), Otero Pedraio (Geografia), Risco (Etnografia e Folclore), Luis Iglésias (Ciências Naturais), Parga Pondal (Geologia), Luis Tobío (Ciências Sociais, Jurídicas e Económicas), Cotarelo (Filologia), Filgueira (História da Literatura), Gómez Román (Ciências Aplicadas) e Diaz Rozas (Pedagogia, Educaçom e Ensino).
Temos, portanto, que recuperar o SEG e editar os seus trabalhos de forma fac-similar, tal como fez nom há muito tempo a Deputaçom de Ourense, em colaboraçom com o Museu do Povo Galego, ao reeditar o último trabalho do SEG de 1936 sobre a nossa Paróquia de Velhe. E pô-lo em funcionamento de novo com as suas antigas secções, incorporando outras novas adaptadas aos tempos culturais que vivemos. Colocando na direcçom das mesmas a pessoas com valores humanos, intelectuais e científicos, nas diferentes áreas. Sem partidismos, amiguismos e sectarismos tam típicos nesta nossa terra. Para evitar que entrem “filisteus” e medíocres que terminariam por afundar o novo SEG.
(*) José Paz é professor numerário da Faculdade de Educaçom de Ourense.
