Por umas Nações Unidas autênticas

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Por José Paz Rodrigues
(Didata e Pedagogo Tagoreano)

A atual crise global planetária nom só é económica, para os que menos têm e nom para os ricos que cada vez mais possuem. É também uma grande crise de valores humanos em todas as sociedades, religiões e culturas. Onde a corruçom campa como nunca. Onde existem infinidade de máfias de todo o tipo: das armas, das drogas, dos medicamentos, das tabaqueiras, das petroleiras, do comércio com seres humanos, e até dos alimentos. Onde o respeito polos direitos humanos, pola educaçom e pola saúde é cada vez menor.

Com este panorama chegamos a tal ponto que o mundo pode explodir em qualquer momento. Ou com uma terceira guerra mundial, ou com uma grande revoluçom, se todos os cidadãos se levantam contra os poderes anti-democráticos, bancos, mercados e outros, que dominam o mundo e a maioria de governos e países. Cada dia que passa é mais necessária a refundaçom de umas novas Nações Unidas mais autênticas. Porque poderes económicos de caráter global e origem nom democrática, que governam o processo mundial, e o europeu em concreto, nom deixam que os poderes democráticos sejam capazes de subordinar os seus interesses particulares ao interesse comum e geral dos cidadãos do mundo.

Se fizermos um pouco de história, temos que lembrar que, após a primeira grande guerra, polo tratado de Versalhes, em 28 de junho de 1919 foi criado um organismo internacional com o nome de “Sociedade de Nações”, para estabelecer as bases para a paz e a reorganizaçom das relações entre as nações. Na sua primeira assembleia celebrada em Genebra em 15 de novembro de 1920, participaram representantes de 42 países. Todos os comités da paz dependentes deste organismo estiveram presididos polo meu admirado Robindronath Tagore, até 1941 em que faleceu. De que afinal primam os interesses particulares e privados sobre os gerais, provocando guerras para alcançar o poder, é um claro exemplo o facto de que em 18 de abril de 1946 esta Sociedade internacional fosse dissolvida, dado que nom foi capaz de cumprir aquilo para o que prioritariamente fora criada: impedir por todos os meios que houvesse mais conflitos bélicos, e entre eles o mais terrível: o que todos conhecemos como Segunda Guerra Mundial, do eixo Berlim-Roma-Tóquio, contra os chamados “aliados”.

Uma vez terminada esta, depois de milhões de mortos no conflito e nos numerosos campos de concentraçom, em 24 de outubro de 1945 funda-se, por 51 países do planeta, em S. Francisco-Califórnia, a ONU (Organizaçom das Nações Unidas), que tem a sua sede principal em Nova Iorque. A ela pertencem no momento atual 192 estados, praticamente todos os países soberanos internacionalmente reconhecidos. Em Genebra fica a sua segunda sede. Quando falamos da ONU temos que falar na sua atuaçom desde 1945 de luzes e de sombras. De luzes, em atuações levadas a cabo pola UNESCO (com sede em Paris), pola UNICEF em muitos países, por fazer cumprir  a declaraçom internacional dos direitos humanos e dos das crianças, pola assistência humanitária em catástrofes naturais, pola consecuçom, infelizmente parcial, dos objetivos do Milénio, alguns ainda nom conseguidos, como é o caso de erradicar a fame e a pobreza, lograr a educaçom primária universal e impedir conflitos bélicos nos países membros.

As sombras estám mais precisamente no que acabo de resenhar, no de impedir o comércio vergonhento de armas, o do narcotráfico, o do controlo dos alimentos e dos medicamentos, o tabagismo e o tráfico de pessoas. E de que os conflitos bélicos continuaram proliferando em numerosos lugares de países membros, o que nom deixa de ser paradoxal: Iraque, Iémen, Afeganistám, Sudám, Somália, países árabes do norte, etc.

Considero que a ONU está fracassando em muitos destes temas pola deslealdade de muitos países e dos seus governos, porque nom se eliminou o veto de algumas das nações, que podem impedir que vaia adiante um acordo que seria bom para o mundo e, especialmente, porque existe uma grande desproporçom nas contribuições económicas dos países ao orçamento geral da ONU. Se quem manda mais é quem mais dinheiro pom ao mesmo, basta olhar que USA contribui com 22 %, Japom quase que 20 %, Alemanha 8 %, Reino Unido e França, cada um 6 %, Itália 5 % e pouco significativos os demais. Onde estám a Rússia, Índia, China, Brasil, Austrália, Angola e África do Sul nas suas contribuições, que som países emergentes? Na atualidade as condições internacionais de quando se criou a ONU som muito diferentes, com problemas novos e novas formas, com outras ameaças. Por isto é muito urgente reformular este organismo, em que tenham mais voz países que hoje nom a têm, e o reparto do orçamento seja equitativo e nom enviesado, e se elimine o direito a veto que existe agora. Estas novas Nações Unidas deveriam ter como objetivos prioritários os seguintes:

1.-Luita clara e decidida contra o narcotráfico em todo o planeta.

2.-Idem contra o comércio das armas e a favor da paz e o desarmamento total. E, em especial, contra as armas biológicas e químicas e a proliferaçom das armas nucleares.

3.-Idem contra todo o tipo de terrorismo, tanto dos Estados como das contras.

4.-Parar a degradaçom do ambiente com alternativas reais e positivas.

5.-Luita contra todo o tipo de pandemias no mundo e controlo real do mercado de medicamentos.

6.-Desenvolvimento de uma educaçom primária geral e gratuita em todos os países e a favor da igualdade da mulher em todas as ordens.

7.-Criaçom dum Banco Mundial de Alimentos, para impedir que o seu controlo acabe nas 4 companhias que hoje dominam quase 75 % dos mercados.

8.-Elaboraçom dum Plano real e construtivo das migrações no mundo, para impedir todos os problemas que existem hoje, e se respeitem os direitos humanos das pessoas que têm que emigrar.