Por José Paz Rodrigues
(Didata e Pedagogo Tagoreano)
O maior problema no mundo do futuro, e quase já do presente, vai ser o do custo dos alimentos e quem controla os mercados dos mesmos. Porque som os alimentos a base fundamental para manter a vida dos cidadãos do planeta. E os que nom tenham dinheiro para os mercar vam morrer de fame. Ao lado da já conhecida como borbulha imobiliária e a creditícia, que asfixia muitos em todos os países e, especialmente, os jovens e os que menos têm ou som economicamente débeis, existe uma borbulha muito mais perigosa e de consequências imprevisíveis, qual é a alimentar. Que a vam notar muito milhões de pessoas, ao nom poderem encher os seus estômagos nos países empobrecidos do planeta, mas que todos, em maior ou menor medida, imos notar.
Por isto, é vitalmente necessário que a ONU decida criar quanto antes um Banco Mundial de Alimentos (BMA). Do que se possam guardar os alimentos básicos para a sobrevivência dos seres humanos, como é especialmente o caso dos cereais e, entre eles, o trigo, o milho e o arroz. E depois distribuí-los, com controlo estrito e cuidadoso, nos países que precisem deles, a preços acessíveis para os cidadãos, por causa de más colheitas, de secas, inundações, catástrofes e climas sazonais inadequados para os seus cultivos. Seria, e será, muito perigoso deixar nas mãos das empresas mastodônticas mundiais, que controlam o comércio dos cereais no planeta, os que se aproveitem, seguindo a lei da oferta e da procura, marcando os preços de venda dos cereais citados.
Comento tudo isto, para apoiar a minha sugestom de criaçom do “BMA”, porque resulta terrorífico comprovar que na atualidade quatro companhias de âmbito planetário, que som um mistério e delas nada se fala, ainda que infelizmente existem na realidade, controlam nada mais e nada menos que 70% do comércio mundial de alimentos e comida. Para que os meus leitores conheçam o tema, gostaria de mencioná-las. Criada em 1865, como uma empresa familiar, que nom se publicita e passa como inadvertida, temos a Cargill dos EUA. Conta com uns 131 mil empregados repartidos por 67 países, com umas vendas anuais de 120 mil milhões de dólares, quatro vezes mais que o que fatura a Coca-Cola, e cinco mais que a McDonalds. Nos seis últimos meses teve uns benefícios superiores a quatro mil milhões de dólares e, por causa da seca que padeceu a Rússia, este país proibiu as exportações de trigo e a Cargill controlou o desprovimento noutros países, por esta razom.
Estou a falar de uma empresa tam gigantesca que as suas contas superam elas só a economia do Kuwait, Peru e outros 80 países do mundo. Greg Page, presidente desta poderosíssima companhia, com muita sorna comenta que a sua empresa “só comercializa a fotossíntese”. Conta ademais com um serviço de inteligência comparável ao da nefasta e ianque CIA. Utiliza satélites de comunicaçom, sensores de clima e um exército de informadores, ademais de “bufos” nos diferentes governos.
Junto com a Archer Daniels Midland e a Bunge, ianques como a Cargill, e a francesa Louis Dreyfus, todas elas empresas centenárias e totalmente opacas, quase invisíveis, som as transformadoras de cereais que baseiam o seu poder no controlo das redes de distribuiçom. Todas elas têm em muitos países do planeta, silos, armazéns, elevadores de grau estrategicamente situados nas redes de caminhos-de-ferro e frotas de mercantes interoceânicas. Nom possuem terra, pois preferem que sejam os labregos dos diferentes países os que corram com o risco de perder a colheita. O seu controlo total da distribuiçom permite-lhes ter sempre excedente de alimentos ao seu dispor.
Tudo isto explica que o preço mundial combinado de cereais, gorduras vegetais, produtos lácteos, carne e açúcar, leva seis meses consecutivos subindo, superando já os níveis do último pânico alimentar. A FAO e o Banco Mundial preveem que até polo menos 2015 estes preços vam manter-se elevados. Também é certo que em 2010 o trigo cresceu no seu preço uns 84%, o milho uns 63% e o arroz uns 10%. E isto, se nom se para, vai ser gravíssimo para muitos cidadãos do mundo. Diante do que venho de assertar e comentar compreenderam vocês o urgente que é o criar já, de imediato, dentro da ONU, um Banco Mundial de Alimentos (BMA). Para controlar deriva tam preocupante e perigosa.
