Os valores educativos da Filatelia

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Por José Paz Rodrigues
Académico da AGLP, Didata e Pedagogo Tagoreano

Desde 1972 ensinei Didática às diferentes promoções dos estudos de Magistério. Antes na Escola Normal e depois na Faculdade de Educação de Ourense, até outubro de 2010. Tenho, portanto, a suficiente experiência no campo didático para opinar, com suficiente critério, sobre temas que têm que ver com o ensinar e com o aprender. Já o tenho comentado outras vezes por oral em numerosas palestras, e por escrito nos meus artigos. Não há atividades educativas mais importantes e completas que o teatro em todas as suas variedades; os trabalhos manuais, nomeadamente os recortáveis e o modelado; a prática dos jogos tradicionais; o cinema de qualidade, olhado ou realizado; a música por meio do canto ou tocando algum instrumento musical; a elaboração de revistas e jornais escolares; a realização de roteiros didáticos e o colecionismo, com especial lugar para a filatelia e os postais. E isto, por uma simples razão: porque são atividades que abrangem várias aprendizagens à vez e ao mesmo tempo. E ademais têm grande poder de transferência, facilitando a aprendizagem doutros temas, outras áreas e outras matérias. Por tudo o que estou a comentar, ainda hoje não se pode compreender porque estas atividades antes citadas não se encontram incluídas de forma efetiva no currículo escolar oficial de primária e secundária. Isto seria uma verdadeira inovação educativa e não a que existe, se é que existe, na atualidade como renovação pedagógica. Que foi eliminada na época do bipartido pela diretora-geral do momento. E o que nos espera com o novo projeto de reforma educativa, é o de que quase que não contempla tema tão importante.

Escrevo hoje sobre o tema da filatelia porque, a muito dinâmica Sociedade Filatélica “Minho”, acaba de realizar no Liceu de Ourense uma interessante exposição de selos, organizados arredor de infinidade de temas. Apresentando também o habitual selo comemorativo anual pela festividade do S. Martinho, o padroeiro da cidade das Burgas. E, especialmente, porque considero, da mesma maneira que o primeiro secretário que teve esta sociedade, Joaquim Lourenço (“Jocas”), como a atividade educativa mais completa que existe. Explicarei isto a seguir.

Essencialmente existem quatro tipos de aprendizagens. As racionais, em que têm grande papel a razão, o juízo e as relações causa-efeito. As associativas, em que intervêm muito a memória, a atenção e as coordenadas espácio-temporais. As motóricas, relacionadas com a motricidade e os hábitos, que necessitam dum longo exercício prático prévio, mas que terminam por ser aprendizagens automatizadas. E as apreciativas, as mais importantes de todas, por estarem relacionadas com os sentimentos, a afetividade, o amor e o apreço pelas cousas, os seres humanos, a vida, a beleza, a amizade, a solidariedade e a natureza. A prática da filatelia contempla em todo o seu esplendor as quatro aprendizagens acima citadas. Ajuda em crianças e jovens, a desenvolver o raciocínio, aprendendo a ordenar, organizar e classificar por critérios. A adquirir conhecimentos variadíssimos de todo o tipo de temas: históricos, geográficos, artísticos, literários, científicos, flora, fauna, estrelas, países, cidades, monumentos, artes populares, indústrias, desportos… A desenvolver a psicomotricidade fina e conseguir que crianças, adolescentes e jovens, sejam curiosos, arrumados, limpos e cuidadosos. A que adquiram curiosidade e interesses positivos, por meio de motivações para ocupar o tempo de lazer de forma adequada. Finalmente, a valorizar e apreciar as cousas, a vida, os seres humanos e tudo o que existe no nosso planeta Terra. Porque os selos encerram tudo isto. Por isso, aproveito para solicitar a todas as instituições que, de uma vez por todas, incluam de forma inovadora nos currículos educativos a filatelia. E que se fomente a mesma, com o apoio que for necessário, em todos os nossos estabelecimentos de ensino esta atividade tão singular. E, caso não o saibam, direi aos meus leitores que na Bengala da Índia, onde agora mesmo me encontro, todas as crianças têm o seu álbum para colecionar selos. O melhor presente que posso trazer-lhes são saquinhos com selos variados. Cada vez com mais dificuldade para consegui-los, porque os Correios estão abandonando infelizmente a edição e o uso dos selos nas nossas cartas, especialmente agora que está este serviço semi-privatizado. Um grande erro, mas já são tantos os retrocessos que nos habituámos a eles.

Este meu artigo quer lembrar igualmente esse grande monitor de filatelia juvenil que foi Paulino Castinheira Castro. De 1992 a 2001 dinamizou a Sociedade Filatélica Juventude de Corcubiom. Dando cursos e ateliês. Alguns dos mesmos, por minha proposta, foram coordenados por ele em várias edições, na Escola de Verão-Universidade Popular de Corcubiom, que organizávamos cooperativamente a entidade local e a ASPGP, destinada aos docentes da Comarca Néria. Atualmente funcionam na Galiza grupos e sociedades filatélicas nas cidades e localidades da Corunha, Ourense, Lugo, Ponte Vedra, Vigo, Ferrol, Rianjo, a Guarda, o Rosal, Compostela, Cangas do Morraço, Monforte de Lemos, Padrão, Ponte d´Eume e Noia. Em este último caso com dous grupos. Todas estas sociedades estão integradas na FEGASOFI (Federação Galega de Sociedades Filatélicas), que foi fundada em 1966 e recebeu a Medalha de ouro dos Correios.

Aproveito também para dar os meus carinhosos parabéns a, entre outros, José Barros, Tomás de Nóvoa, Mª Elisa Abad, Nemésio Pereira e Emílio Diaz, por manter viva, com entusiasmo e dedicação, a filatelia em Ourense, dentro da Sociedade Minho, a que eu tenho a honra de pertencer E ademais ao Colégio Cisneros, modelar na realização desta atividade, desde há muito tempo, entre os seus estudantes de todos os níveis.