para Ramón Muñiz

Dizia Eduardo Iglesias Regueiro que tinha umha grande curiosidade por conhecer a origem de Vila Gudim, aldeia de Lesta que, quando Eugénio Carré Aldao escrevera o seu contributo para a Geografía General del Reino de Galicia, era a mais grande da paróquia, com 84 habitantes1. Também devia ter essa curiosidade o carteiro de Poulo que, em 1971, respondera ao inquérito de Camilo José Cela para o seu Diccionario Geografíco Popular Español comentando que; “Hay dos aldeas en la parroquia de LESTA, que se llaman VILLAGODIN DE ARRIBA y VILLAGUDIN DE ABAJO que en Gallego son algo groseros estos nombres”. Lamentavelmente o topónimo nom fai referência a nengumha erótica-festiva “Vila Fodim”, senom a umha medieval *Villa Godini, isto é, a umha exploraçom agropequária de um senhor da terra chamado Godinus (nome germánico talvez formado apartir do étnico Goth ‘godo’). Na paróquia de Messia há a aldeia quase homónima de Gudim, de cujo topónimo caiu o “Vila” inicial. Se quadra foi o mesmo terratenente Gudinus o que fundou no seu dia as duas vilas impondo-lhes o seu nome.


Os dous som, em qualquer caso, dous topónimos mui frequentes dentro do território do antigo Reino Suevo, contabilizando Josep M. Piel umha outra Vila Godim em Braga; dous Gudim em Ourense, três na Corunha e um em Ponte Vedra; outros três Godim no Porto, um em Braga e um outros em Vila Real2. Como costuma suceder, primeiro o topónimo deu apelido diretamente à gente que vivia nestes lugares, para posteriormente desterritorializar-se e viajar polo mundo da mao dos fluxos magratórios. Por exemplo, Antonio Gudín, um dos doze “mártires de Arján” fusilados polas tropas napoleónicas no 12 de fevereiro de 1810, solteiro e filho de Melchor, seguramente fosse vizinho de Gudim. No entanto, Diego Godín, defesa central do Atlético de Madrid e da seleçom uruguaia (sempre copada de apelidos galegos) nado do outro lado do Atlântico, seguro que tem as suas origens em umha das aldeias assim chamadas aquém-mar. Diego Armando Maradona sempre di que prefere o nosso Godín a Sergio Ramos, simpatia que em Aldeias de Ordes compartimos com entusiasmo. O apelido do Pelusa, a propósito, também provém do nome de umha aldeia galega, neste caso da Marinha.

A história recente de Vila Gudim está marcada polo trauma da construçom da barragem de Vila Gudim, iniciada a finais da década de 1970 para abastecer a ingente demanda de água da Central Térmica de Fenosa. A empresa pretendia usurpar as terras (e o seu universo microtoponímico) por uns preços mui por baixo do mercado, mas a vizinhança deu umha liçom de dignidade. Nesta resistência exemplar, que se deu entre 1976 e 1979, o Campo de Vila Gudim foi o campo de batalha onde a gente se agrupou para deter o embate de máquinas pesadas e tricórnios armados. Graças à amabilidade de Pablo Viz, naqueles anos reporteiro de A Nosa Terra, podemos incorporar as imagens da luita de Vila Gudim à nossa memória coletiva. Dera-me o endereço o recentemente falecido Ramón Muñiz, sociólogo e militante do movimento nacional-popular mui querido nas Encrovas pola sua solidaridade. Baixo o pseudónimo de Xosé Fernández Roupar publicara Muñiz, há já umhas quantas décadas, o livro Os labregos diante da loita de liberación nacional, com pensamentos tam vigentes como este: Así como os labregos recoñecen perfeitamente aos seus inimigos, saben moi ben como son explotados, pro medo fainos vacilar e actuar moitas veces contra os seus propios intereses, incluso sabendo que iso é así. Por isto o labrego vota ao cacique, ao todo o mais abstense nas eleccións, aínda que se o cacique desaparecera celebraríao; o labrego paga a Cota Empresarial a pesar de que saiba que as Comisións Labregas (CC.LL.) teñen razón cando din que ninguén debería pagala. Non é a despolitización ou a ignorancia o que fai que isto suceda así, senón o medo”3.
1 Eugenio Carré Aldao, “La Coruña”, em: F. Carreras y Candi (dir.), Geografía General del Reino de Galicia, Vol. VII, Tomo 4º, facsimilar, Corunha, Edicións Gallegas, 1980, p. 615.
2 Joseph-M. Piel, 1989.
3 Citado em: Emilio López Pérez, A Terra sabe a loita, Santiago de Compostela, Fundación Bautista Álvarez, 2012, p. 13.
