Ocupar o tempo livre dos rapazes

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Por José Paz Rodrigues (*)

Se de mim dependesse, levaria a cabo nos centros de ensino uma profunda reforma do currículo escolar. Dando entrada no mesmo a atividades artísticas e lúdicas, hoje subvalorizadas e/ou esquecidas de forma muito injusta. Porque do ponto de vista pedagógico e formativo som muito mais importantes que outras excessivamente valorizadas. Para isso haveria que mudar por completo os calendários e especialmente os horários das escolas. Naturalmente, seria necessário fazer uma consciencializaçom social sobre a importância das artes e dos jogos.

Em primeiro lugar, entre mães e pais, depois entre os mesmos docentes, dos que muitos têm opiniões erradas sobre o interesse formativo dos conteúdos escolares. Finalmente, entre os administradores educativos, nas últimas épocas e legislaturas muito ignorantes sobre o que realmente é educar, e sobre o papel dos centros educativos e a importância do ofício docente. E, dado que de momento há muito caminho a percorrer no nosso ensino para conseguir o que proponho, está bem que falemos dos tempos livres dos rapazes em período de férias.

Uma das mais importantes metas que temos que conseguir entre crianças e jovens é, em concordância com as suas aptitudes, atitudes, interesses e motivações pessoais, que adquiram passatempos positivos. O que há ser muito benéfico para eles mesmos, e para a sociedade em que moram. Que aprendam a utilizar de forma adequada o seu tempo de lazer ou tempo livre. Só desta maneira conseguiremos que os jovens, por aborrecimento, nom acabem na toxicodependência ou noutras condutas perniciosas, delituosas ou viciantes.

Existem infinidade de atividades artísticas e lúdicas para ocupar os tempos livres. Cada rapaz deve praticar aquelas de que mais goste, adaptadas às suas preferências e interesses. As leituras como passatempo, os conta-contos, as dramatizações, o visionado de filmes clássicos de cinema de qualidade, ou a realizaçom de curtas-metragens. A fotografia, a música, à base de escuitá-la, de aprender cantigas ou a aprendizagem instrumental, chegando a dominar algum instrumento: gaita-de-foles, guitarra, pandeireta, clarinete, flauta, violino…As redações livres e espontâneas de poemas, contos ou lendas.

Os passeios, roteiros e caminhadas para desfrutar da natureza. A prática de todo o tipo de desportos: futebol, voleibol, nataçom, ténis, atletismo…A prática de jogos tradicionais e cooperativos, dos que a nossa cultura tam rica é. E dentro das atividades artísticas há uma grande variedade: pintura, desenho, modelado em barro, títeres, máscaras teatrais, recortáveis, elaboraçom de papagaios de papel, tear, origâmi, escultura de balões, cestaria, carpintaria, filatelia, trabalhos em arame… Por isso, que importante seria que nas escolas os rapazes pudessem participar em variedade de obradoiros ou oficinas pedagógicas!

Tudo o anteriormente citado é o que realizaram todos aqueles nenos e nenas de 3 a 14 anos que ao longo do verão participaram no programa “Ourense Lúdico”, do qual se celebrou este ano a décimo sexta ediçom. Este programa, que chegou a muitos concelhos ourensanos e a diferentes bairros da cidade, é possível graças ao apoio da Deputaçom Provincial, que preside o mestre Baltar, por meio dum convénio de colaboraçom. E ao trabalho dos monitores da ludoteca da ASPGP. Também merece ser destacado neste campo o labor que ao longo de todo o ano desenvolve “Amencer”, que conta com uns estupendos espaços, ao poder usar os do Colégio Salesiano de forma gratuita. Entre as suas atividades destacou o acampamento urbano, durante vinte dias do verão.


(*) Professor Numerário da Faculdade de Educaçom de Ourense.