O singular mapa da Galiza de Carlos Calvo Varela

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Carlos Calvo Varela (Ordes, 1988) foi detido pola Polícia Nacional em Vigo o 15 de setembro de 2012 e desde aquele momento encontra-se em prisom provisional á espera de que o Tribunal Supremo resolva o recurso contra a sentença da Audiência Nacional que o condenou a 12 anos de reclusom por “tença de explosivos e pertença a Resistência Galega”.

A grade é o horizonte visual de Carlos e o seu calendário carece de datas, nom de horário. A sua residência foi a dos sucessivos centros penitenciários em que foi recluído: Estremera (Madrid), Soto del Real, (Aranjuez), Valdemoro (Madrid), Navalcarnero (Madrid), Topas (Salamanca) e actualmente, desde janeiro de 2017, Villabona (Asturias).

Persoalmente, quero qualificar a situaçom e tratamento processual de Carlos de iníqua. Iníqua por emanar de um tribunal de excepçom, irregular, se preferirem, e por estar submetido a umha categoria penal tam arbitrária e carregada de preconceitos e temor irracional como o delito de terrorismo. O terrorismo, como a sediçom no exército, som categorias transitórias que designam os terrores da nossa época. Antes fôrom outras como as de cátaro e hugonote.

Em matéria terrorismo nom existem delito menor nem garantia. Carlos Calvo Varela foi absolvido da metade da sua condena por sentença do Tribunal Supremo que anulava a duplicaçom da condena imposta em princípio pola Audiência Nacional em abril de 2015 polo delito de posse de explosivos pretensamente entregues á organizaçom Resistência Galega. A bolsa com o artefacto explosivo que iniciou todo o processo fora colocada por pessoa “que nom consta” num caixeiro automático de um estabelecimento bancário de Vigo na madrugada de 10 de outubro de 2011. Foi imediatamente desactivado pola polícia por denúncia apresentada no mesmo momento. Agregava o Tribunal que o artefacto ía acompanhado dum anaco de bilhete de identidade de conduzir onde constavam datos persoais junto com unha nota com aviso de “perigo bomba”. A vontade de danar parece manifesta como podem observar.

A rede de apoio a Carlos Varela, De volta para Loureda, oferece informaçom e solidariedade colectiva ao amigo gradeado que é redactor, aliás, de Novas da Galiza e do PGL.

Carlos exerce de antropólogo, essa esquiva disciplina que pretende interpretar o porquê de os galegos comportarem-se como tal. Disciplina que eu abandonei em Lisom Tolosana, Caro Baroja e a formosa antropologia cultural republicana Da Terra de Melide. Convocar o demos colectivo que nos explica com país é umha tarefa apaixonante que o Carlos desenvolve em visom internacional e actualizada.

Carlos Varela elegeu bando: o independentismo galego e o reintegracionismo linguístico. Concordo com a escolha. É verdade que o independentismo é para mim mais que nada um mito regulador como tentei expor nalgum momento em termos de geometria descritiva. Alguém considerou com todo direito que nom passava de confusa metáfora. O independentismo é também para mim umha componente ineludível do partido nacional de que eu gostaria para articular o futuro da nossa naçom, com um sólido fundamento social-democrata e a prolongaçom á melhor tradiçom liberal; penso em Isaiah Berlim, em Max Weber, em Raymond Aron. Nada ver, como é sabido com o ominoso ordoliberalismo de Hajek e epígonos e menos ainda com o catecismo das escolas de negócios.

Carlos contempla o seu “pequeno mundo de seis passos” desde o seu observatório “com barras de cinzento” que cantava António Borges Coelho com voz de Luís Cilia em 1973. O mapa antropológico do amigo gradeado merece leitura urgente. A editora Através vem de publicar os seus Diários de prisom. Leiam-nos. Prosa breve e directa para ler Galiza. Contém desenhos e umha sábia topografia da Galiza interpretada.

Vemo-nos na taberna, quando quigeres, Carlos, ou em Loureda. Sem barras de cinzento.