A política linguística na democracia: texto e contexto de um documento precursor



parlamento-de-gz-1981I) – 1981-2021: quarenta aniversário do primeiro Parlamento Galego. Há documentos que merecem ser resgatados da desmemória. A Proposición de Lei de normalización Lingüística de Galiza, apresentada por Camilo Nogueira no Parlamento Galego na data inaugural de 21-XII-1981 é um deles, tanto polo seu carácter precursor como polo facto de ter servido de antecedente à Lei de Normalización Lingüística de 1983, que vinha a confirmar as teses do Decreto Filgueira1, ainda em vigor.

A distáncia entre ambos textos legislativos, porém, é a vai de umha proposta de planificaçom linguística integradora e ambiciosa a umha norma minimalista, acomodada ao inveterado conservadorismo provinciano que acabará tutelando quatro ingloriosas décadas de política normalizadora. Quatro décadas de ritualidade artificiosa no uso político da língua, de divórcio impune com o mundo da comunicaçom e da empresa, de colapso no mecanismo de transmissom geracional da língua.

Convidamos o leitor interessado a baixar ao seu escritório antes de mais nada o pdf da Proposiçom,que encabeça este artigo comemorativo.

II) – 1981-1985: Primeira legislatura do Parlamento Galego, polarizaçom linguística e contexto político. Doze de dezembro de 1981, o Parlamento Galego estreia a sua primeira legislatura na Sala de Honra do Palácio de Gelmírez. Nesse mesmo ano, cristalizava também o dissenso irremediável sobre a orientaçom da política normalizadora que vai enfrentar o Instituto da Língua Galega (1971), defensor de umha normalizaçom de tendência coloquial e dialectológica com a AGAL, nascida em 1981 sob a presidência de Xavier Alcalá (1981-1982), que propugnava um enfoque alternativo, ancorado na história do idioma e o seu desenvolvimento em estreito diálogo com o português. Constantino García González, fundador do ILG, protagonizará a estratégia populista e dialectal, Ricardo Carvalho Calero o enfoque histórico e evolutivo conhecido como reintegracionismo. O primeiro esgrime o Atlas Linguístico Galego (1974-1977) como opus magnum da tese dialectal e ahistórica; o segundo, o valor irrenunciável do corpus medieval galego — mais de 12.500 documentos e nove milhons de palavras redigidas entre os séculos XII e XVI — e, sobre todo, o inescusável diálogo com o português como ingrediente essencial do processo normalizador.

Constantino García González, fundador do ILG, protagonizará a estratégia populista e dialectal, Ricardo Carvalho Calero o enfoque histórico e evolutivo conhecido como reintegracionismo. O primeiro esgrime o Atlas Linguístico Galego (1974-1977) como opus magnum da tese dialectal e ahistórica; o segundo, o valor irrenunciável do corpus medieval galego — mais de 12.500 documentos e nove milhons de palavras redigidas entre os séculos XII e XVI — e, sobre todo, o inescusável diálogo com o português como ingrediente essencial do processo normalizador.

Autonomia e língua formavam um binómio inseparável na primeira legislatura galega, com a normalizaçom linguística como tarefa inescusável. As circunstáncias políticas do momento distavam porém de ser propícias. O dia 29 de janeiro de 1981 demitia Adolfo Suárez e o 23 de fevereiro assistíamos a um golpe de Estado de incerto resultado e inegáveis cumplicidades nos círculos do poder. No 30 de junho desse mesmo ano, a UCD e o PSOE — a centralidade do poder naquele momento — aprovavam no Congresso a LOAPA, umha lei arquitectada para desactivar o Título VIII da Constituiçom e hibernar o processo autonómico, depois de ambos partidos terem tentado encirrar os agravos cantonalistas contra as singularidades nacionais reconhecidas na Constituiçom.

A atmosfera tóxica do 23-F pairava sobre a Galiza. Na fatídica noite do golpe, os companheiros do partido em que eu militava na altura, Esquerda Galega, decidiram encerrar-se nas sedes dos Concelhos onde alcançáramos representaçom como mensagem de firmeza cívica ante umha cidadania inerme. Quarenta anos depois daqueles acontecimentos nom é fácil transmitir a ominosa atmosfera do momento. Circulava naqueles dias umha lista delirante de 500 cidadaos objectivo2 de depuraçom patriótica sumária caso de o golpe triunfar. A trama negra do golpismo tinha contas pendentes e agentes activos em Galiza. Recomendo a leitura da listagem como exercício útil para compreender o nível de coragem cívica requerida naqueles tempos para o exercício da actividade política.

Foi naquele cenário agoirento onde Camilo apresentava o seu Projecto de Lei, concebido para reactivar o uso incondicionado do galego depois da longuíssima invernia de quarenta anos. O deputado nom era um neófito na política e já tinha sofrido perda de trabalho e tortura policial na revolta viguesa de 1972. O partido por ele liderado, Esquerda Galega, reunia na altura umha animosa equipa de sindicalistas e profissionais empenhados em promover umha Galiza democrática, moderna e desinibida, depurada de hipóteses messiánicas e acorde com os tempos. Contamos afortunadamente com o documento descritivo daquele ambicioso empenho, o Programa de governo e reivindicativo. Agora Galicia3; quase trezentas páginas de texto que admiram ainda pola amplitude do propósito e o rigor analítico. Optimismo da vontade para dotar de contido um Estatuto confiado à direita tardo franquista.

A composiçom do primeiro Parlamento autonómico evidencia a dificuldade da tarefa. Dos 71 eleitos que configuravam o hemiciclo, 26 obedeciam o fraguismo sem desbravar, da primeira fornada, e 22 deputados mais ao cauteloso oportunismo adventício dos adscritos à UCD. Na esquerda formavam 16 deputados de um PSdeG de aluviom, colorido com um discreto suplemento galeguista aderido ao calor da oportunidade eleitoral junto com os 5 deputados do Grupo Misto, procedentes três deles do BNPG, coligado na ocasiom com o PSG, mais o deputado de Esquerda Galega e outro mais do Partido Comunista de Galícia.

O início da legislatura ia ver-se desluzido com a despossessom da sua condiçom de deputados de Bautista Álvarez (Presidente da UPG), Lois Dieguez (UPG) e Claudio López Garrido (PSG), confirmada em seguida com a sua expulsom da Cámara em 23 de novembro de 19824. O motivo invocado foi a negativa dos deputados a acatarem retroactivamente a Constituiçom de 1978 por vindicar, num prurido extemporâneo, umhas quiméricas Bases Constitucionais redigidas em 1977 como alternativa ao Estatuto de Autonomia em vigor. A voz e o voto de Camilo Nogueira alçárom-se contra a extrema sançom mas, o BNPG viu-se condenado à marginalidade extraparlamentar durante um quadriénio decisivo que acabará desembocando na sua refundaçom como BNG em 1982. Acompassar os relatos fundacionais às exigências do tempo histórico, constatamos, é um preceito inexorável da tarefa política.

O início da legislatura ia ver-se desluzido com a despossessom da sua condiçom de deputados de Bautista Álvarez (Presidente da UPG), Lois Dieguez (UPG) e Claudio López Garrido (PSG), confirmada em seguida com a sua expulsom da Cámara em 23 de novembro de 1982. O motivo invocado foi a negativa dos deputados a acatarem retroactivamente a Constituiçom de 1978 por vindicar, num prurido extemporâneo, umhas quiméricas Bases Constitucionais redigidas em 1977 como alternativa ao Estatuto de Autonomia em vigor.

III) – Da Proposiçom de Lei de 21/XII/1981 à Lei de Normalización Lingüística de 15/VI/1983. A Proposiçom de Lei de Camilo Nogueira desafiava abertamente o cauteloso regionalismo linguístico que inspirava a facçom galeguista de Realidade Galega incrustada nas filas do PSdeG; umha improvisada plataforma eleitoral capitaneada por Ramón Piñeiro, com Carlos Casares no papel de delfim e com Alfredo Conde e Benjamin Casal de tripulaçom ocasional. Piñeiro e Casares, convém sublinhá-lo, eram membros da RAG desde 1967 e 1978 respectivamente, com Domingo Garcia Sabell na presidência da instituiçom desde 1977. Realidade Galega operava de facto como ponta de lança da óptica normalizadora da RAG, completada em seguida com a incorporaçom de Constantino Garcia à RAG em 1982. A perspectiva linguística que inspirava o grupo era congruente com o populismo dialectológico e solipsista defendido por Constantino Garcia e executado polo ILG desde a sua fundaçom em 1971.

Piñeiro e Casares, convém sublinhá-lo, eram membros da RAG desde 1967 e 1978 respectivamente, com Domingo Garcia Sabell na presidência da instituiçom desde 1977. Realidade Galega operava de facto como ponta de lança da óptica normalizadora da RAG, completada em seguida com a incorporaçom de Constantino Garcia à RAG em 1982. A perspectiva linguística que inspirava o grupo era congruente com o populismo dialectológico e solipsista defendido por Constantino Garcia e executado polo ILG desde a sua fundaçom em 1971.

O contido programático da Proposiçom de Lei 21-XII-1981 ia ser submetido a um radical processo de devaluaçom na sua tramitaçom parlamentar para acabar ressurgindo como Lei de Normalización Lingüística5 3/1983, de 15 de Junho vigente até hoje. A manifesta vontade restritiva do texto resultante reflecte claramente a vontade do legislador de adaptar o texto aos limites estabelecidos na LOAPA original, antes de a lei ser revisada polo Tribunal Constitucional — Lei 12/1983, de 14 de Outubro — para derrogar os seus artigos mais lesivos a denúncia da Generalitat e do Governo Basco6. De pouco valeu a timorata cautela com que foi redigida a Lei de Normalización Lingüística de 1983; umha sentença posterior do Tribunal Constitucional — 84/1986 de 26 de Junho — obrigou a eliminar ainda a obriga de conhecer o idioma próprio, qualificaçom esta que, nom obstante, subsistiria na lei como exemplo de incongruência ou talvez de má consciência do Tribunal Constitucional. Afinal resultou que os galegos íamos ter reconhecida por lei a posse de um idioma próprio, desprovido porém da correspondente obriga de apreendê-lo. Para completar a história, é inevitável lembrar que a sentença degradante do Tribunal Constitucional fora ditada a requerimento de dom Domingo Garcia Sabell, Delegado do Governo em Galiza, Presidente da RAG e impulsor de Realidade Galega. A voz de Camilo Nogueira volveu alçar-se7 para denunciar a tropelia e exigir a imediata demissom do indecoroso mestre-de-cerimónias da agressom institucional à cultura galega.

Umha sentença do Tribunal Constitucional — 84/1986 de 26 de Junho — obrigou a eliminar ainda a obriga de conhecer o idioma próprio, qualificaçom esta que, nom obstante, subsistiria na lei como exemplo de incongruência ou talvez de má consciência do Tribunal Constitucional.

IV) – A Proposiçom de Camilo Nogueira, breve esquema introdutório. A Proposiçom abre com umha ponderada Exposiçom de Motivos concebida para enquadrar o galego no seu contexto histórico e social: o uso milenário, a pertença á poderosa linhagem galaico-luso-brasileira, o florescimento pretérito e hodierno esmorecimento dialectal, a ameaça de extinçom; arrematada com o corolário da tarefa pendente: reconduzir o idioma estagnado e estigmatizado à sua plena funcionalidade social.

Segue, logo após, um Título Limiar destinado a fundamentar as exigências que comporta o facto de o galego ser a língua própria da Galiza, e seis Títulos articulados em 38 artigos, dedicados, o primeiro, [T1] a formular os direitos linguísticos da cidadania, o segundo, [T2] a desenvolver o ámbito de uso oficial e administrativo — Capítulo 1 — e a delimitar o seu uso no ámbito público — Capítulo 2 — o terceiro, [T3], a regular o ámbito de usos no ensino, o quarto, [T4] ao uso do galego nos meios de comunicaçom social, o quinto, [T5] ao impulso institucional requerido para o objectivo normalizador e, finalmente, o sexto, [T6] dedicado a esboçar a política linguística a desenvolver nas comunidades de emigrantes.

captura do documentario "Decreto Filgueira"

captura do documentario “Decreto Filgueira”

Remata a Proposiçom com cinco Disposiçons Transitórias das quais merece especial atençom a quinta e última, dedicada especificamente ao problema da normativizaçom do idioma, na qual se defende explicitamente a necessidade de promover umha norma culta e diferenciada, digna da condiçom nacional do idioma galego e da sua condiçom de membro nato do romance peninsular ocidental projectada no complexo linguístico galaico-luso-brasileiro. Esta quinta disposiçom final recupera o princípio de receptividade social, enunciado por Carvalho Calero como cláusula cautelar necessária para acompanhar um processo normalizador rigoroso e dinâmico orientado a reconciliar o galego com a sua família de pertença e destino.

V) – Ponto e seguido. Anos depois, instalado no Grupo dos Verdes – Aliança Livre Europeia do Parlamento Europeu — 1999 a 2004 — Camilo Nogueira iria servir-se dos serviços de traduçom de português da Cámara para projectar naquele foro supranacional a irrenunciável dimensom internacional do galego teimosamente negada no país.

Anos depois, instalado no Grupo dos Verdes – Aliança Livre Europeia do Parlamento Europeu — 1999 a 2004 — Camilo Nogueira iria servir-se dos serviços de traduçom de português da Cámara para projectar naquele foro supranacional a irrenunciável dimensom internacional do galego teimosamente negada no país.

Teremos que aguardar até 2014 para ver promulgada a Lei 1/2014, do 24 de março, para o aproveitamento da língua portuguesa e vínculos com a lusofonia8, um serôdio trasacordo parlamentar dirigido a subverter o insensato modelo solipsista de um idioma sem passado nem futuro condenado à esterilidade. Deem-lhe umha vista de olhos á Lei de 2014, nada falta nela; desde a mesma Exposiçom de motivos pode ser lida como umha simples glosa à Transitória quinta do Projecto de Lei de 1981 de Camilo Nogueira abortada trinta e três anos atrás.

A esperança no futuro do idioma, veículo da nossa identidade diferenciada, reside agora nas novas geraçons, na rede digital, na firme teimosia dos falantes convictos e no associativismo cultural como baluarte consciente frente ao desleixo social. Há já tempo que as redes sociais praticam, sem passar por aduana, os vínculos com a lusofonia que a Lei 1/2014 vem confirmar. As raízes da Lei assentam, escusado recordá-lo, na Iniciativa Legislativa Popular que sob o nome de Valentim Paz Andrade, chegava à Cámara galega em 2012, avalizada por 17.000 assinaturas. Um clamor contra o desleixo institucional.

Agora, em 2021, quarenta anos passados daquele ano inaugural de 1981, a assanhada batalha polo controlo da processo normalizador parece ter deixado passo a um resignado panorama de vítimas sem vencedor. Incapaz de aprontar remédios para atalhar a aguda crise em que se debate um idioma coloquial e desvalorizado, o obstinado controlo glotopolítico da RAG-ILG persiste apenas como mecanismo auto-referencial, mero artefacto de cooptaçom de afins.

Incapaz de aprontar remédios para atalhar a aguda crise em que se debate um idioma coloquial e desvalorizado, o obstinado controlo glotopolítico da RAG-ILG persiste apenas como mecanismo auto-referencial, mero artefacto de cooptaçom de afins.

Um galego em código aberto, partilhando aulas com o português desde o ensino primário, consciente do seu glorioso passado e da sua dimensom internacional; velai a perspectiva de futuro que ninguém tem direito a estragar depois de tantos anos de autismo sistémico que a Lei 1/2014 visa agora reverter.

1 Decreto 173/1982, do 17 de novembro, sobre a Normativizaçom da Língua Galega, http://www.axl.cefan.ulaval.ca/EtatsNsouverains/galice-decret-173-1982.htm

3 Agora Galicia, programa de goberno e reivindicativo, Esquerda Galega, Obradoiro de Artes Gráficas Galicia, S.A. 278 páginas. Vigo, 28 setembro 1981

8 LEI 1/2014, do 24 de março, para o aproveitamento da língua portuguesa e vínculos com a lusofonia: https://www.xunta.gal/dog/Publicados/2014/20140408/AnuncioC3B0-310314-0001_gl.html

proposicom-de-lei-21-xii-1981

Joám Lopes Facal

Joám Lopes Facal

Nascim e vivim na aldeia até os quinze anos, Toba, ao pé da ria de Corcubiom, frente ao Pindo. Figem-me economista despois de engenheiro e aí desenvolvim a minha atividade profissional até o momento de me reformar. A economia é ademais um vício particular: ler atentamente e tentar compreender a informaçom económica cotidiana, ter sempre sobre a mesa um livro de economia.
Joám Lopes Facal

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  • https://pglingua.org/index.php abanhos

    Correção:

    A Lei 3/83 de Normalizacion e o Decreto Filgueira são cousas bem distintas, um é uma lei é outro é um decreto anterior a Lei.
    O Decreto 173/82 de 17 de novembro, foi publicado no DOG de 20 de abril de 1983.

    Nos dias da sua saída no DOG numa breve entrevista no La Voz, Filgueira esclarecia que essa era uma normal fácil que não fazia problemas para o castelhano (a língua importante). E foi anterior a Lei 3/83, foi um ukase que se converteu em dogma…

    No Decreto espero que Nogueira nada tenha mexido.

  • Joám Lopes Facal

    A prescisom é pertinente; leia-se “que consagrava o Decreto Filgueira”.
    Além do mais, um Decreto é umha norma de procedência governamental e umha Lei de competência parlamentar.
    O que sim espero que fique claro é que Nogueira, nunca mexeu nos círculos do poder.
    Espero que o deslize aludido nom perturbe a proveitosa leitura, em perspectiva de quarenta anos.

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      Outra precisão.
      A lei 3/83 não consagrava o Decreto. Todo o que há na lei 3/83 referido a norma e a emenda de Camilo incorporada como disposição adicional, e que não acrescentou valor certo. (Na minha opinião).

      “Disposición adicional
      Nas cuestións relativas á norma-
      tiva, actualización e uso correcto
      da lingua galega, estimarase como criterio de autoridade o establecido pola Real Academia Galega.
      Esta normativa será revisada en
      función do proceso de normalización” do uso do galego”

      Em duas sentenças do tribunal superior, se afirmou que a expressão “estimarase” permitiria estimar outras autoridades.
      E de facto is Decretos de desenvolvimento da Lei não foram publicados e o 173/82 vai além da hierarquia normativa ao ser anterior a uma lei e não existir nenhuma norma de convalidação. Não só isso ainda após a reforma normativa foi invocado en várias ocasiões como.o dogma da imposição que foi.a começar até polo jeito da sua elaboração Académica.

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        Mais uma informação e as voltas que o mundo dá sobre a disposição adicional.

        Em Valência o Pp e seus sócios blavers apresentaram uma emenda em matéria de normativa praticamente idêntica a da lei galega e onde a RAG era substituída pola Real Academia de Cultura Valeciana e cujos estatutos originais eram gêmeos dos da RAG.
        Essa academia era/é defensora da independência valênciana sob as abas do divide et impera.
        Governava na altura o psoe, e o nacionalismo de raiz fusteriana não tolerava a RACV e aquilo não calhou. Quando o pp governou percebeu uma eiva nesse campo e além disso nas universidades se defendia a unidade da língua, clamou por esse “falho” e acabou criando uma universidade, simplesmentes para ter base universitária blavera e ante a impossibilidade de meter nisso a desprestigiada RACV que além disso os estatutos como os da Rag não o previam, criou a Academia Valenciana e não ficou muito contente, pois na reforma do Estatuto aut. valenciano acautela a academia.

        Lé este livro
        https://www.racocatala.cat/forums/fil/13628/pdf-nosaltres-valencians-joan-fuster-1962

        http://www.racv.es/es

        http://www.avl.gva.es

        • https://pglingua.org/index.php abanhos

          O da competência da Rag como entidade normativa era inexistente. Essa mesma inexistência foi na autonomia valenciana RACVa que obstaculizou com os preceptivos informes jurídicos que se dessa a RACV gêmea da Rag a competência na normativa.
          A RAG nasceu ao igual que a academia valenviana como um patronato real (de aí o de real) e seu nome era Real Academa de cultura Gallega de la Corunha, em castelhano off course, e nos seus estatutos e regulamentos originais não se define como uma academia normativa e sim como uma acafemia de impulsionamento e fesenvolvimento dos diversos aspeitos de la Cultura Gallega, e cujo presidente deverá ser alguém com residença na Crunha, foi criada por um leque de pessoas muitas delas não ligadas à criação em galego. Entre os primeiros e mais entusiastas membros estava Murguia sobre cujos ombros caiu a trabalheira de dar-lhe sentido e impulsionar um dicionário etimológicovom g+e i e jotas. Passado. Ele aquilo decaiu.
          O nacionalismo impulsionou o Seminário fe Estudos Galegos.
          Em 1936 era presudente da RAG D
          David Fdez Dieguez, e acompanhava os fascistas na suas limpezas (Orrsença de Jenaro Marinhas na Agal pagina 25 e 26 entrevista realizada por Rabunha Corgo e Monterriso Devesa. Agal editora. Dizia Marinhas menos mal que não ecpurgou os fundos da Academia).
          Pinheiro e o pinheirismo criam uma mitologia da RAG (que meteu a Franco como membro de honra), e decidem ir ocupando-a; A criação do dia das letras foi a sua primeira vitório. Essa mitologia galáxica alimentou as novas gerações nacionalistas, e ninguém reoarou nem no seu conteúdo competencial nem no facto wue essa Academia tem as suas atas em castelhano até o ano 98 ou 99 do século passado, cousa como mínimo simpática e sempre Crunha e para ela La Coruna.
          Sob a presidência de del Riego, se enceta a refirma estatutária e como padroado re
          al, se publica no BOE
          https://www.boe.es/diario_boe/txt.php?id=BOE-A-2000-4327.

          Posteriormente ao aprovar o regulamento interno no seu artigo segundo se declara Academia da Língua, o cousa simoática onde as haja, não por ela entende-lo assim, se não por declara a disposição adicional da Lei 3/83 que o é. É dizer uma nova lei e deixam de o ser….

  • https://pglingua.org/index.php abanhos

    Sobre o apartado do texto sobre Constantino Garcia fundador do ILG
    Recomendo o livro de Vitor Vaqueiro e Nicolás Xamardo
    Da Identidade a Norma,
    pois a cousa não é tão simples

    https://www.iberlibro.com/9788484873471/identidade-norma-Vitor-Vaqueiro-Nicol%C3%A1s-8484873471/plp

  • Carlos

    Interessantíssimo artigo sobre umha etapa transcendental para o devir da língua neste país. Certamente, acrescenta mais dados sobre o que já se sabe do tema. Parabéns, Joám!
    Por outro lado, como Alexandre refere, eu também fiquei um pouco baralhado com a confusom entre o Decreto Filgueira e a LNL. Intuim que seria um “lapso”. Obrigado, em qualquer caso, por ambos esclarecerdes a questom nos comentários.
    Por último, adiro à recomendaçom de Alexandre. O livro Da identidade à norma fornece muitas chaves interpretativas para compreendermos o acontecido naqueles anos no atinente ao processo normativizador. Leitura obrigatória.
    Abraços.

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    Galiza é a única C.A com língua própria que não modificou a sua lei original nem deu a luz outras reguladoras de esse campo. (a Lei 1/2014 não enche essa vaga, e o Plano de normalização, não é lei). Também é a comunidade de mais sucesso… de normalizacion del castelhano.

    Nos anos 90 do século passado houvera uma proposição de lei do grupo do BNG (Pilar Garcia Negro) para fazer uma nova lei de Normalização, que não teve sucesso, mas logo nunca houve nada, nem sequer no bipartido.

    • Joám Lopes Facal

      Desculpade amigos leitores, os sublinhados em amarelo e vermelho fôrom incorporados por mim para facilitar a leitura da Proposiçom. Os parágrafos marcados em vermelho (os mais significativos para o reintegracionismo) chamam a confusom porque parecem tachaduras.
      Aconselho aos interessados baixarem o pdf ao seu escritório e eliminar todos os sublinhados para recuperar o texto tal como consta no arquivo do Parlamento. Creio que o valor singular do documento é o de patentear a aguda consciência política existente naquele momento inaugural da necessidade de acometer um processo radical de recuperaçom do idioma em estreito diálogo com a constelaçom lusófona.
      Afinal triunfou a inércia dialectalista, o desleixo social e os crus interesses de grupo. Depois véu a política linguística tóxica do PP, na qual estamos instalados, e o persistente receio do BNG pola dimensom internacional do idioma. Cada um é filho da sua história.
      Afinal, é a história de umha frustraçom embora os seus protagonistas podem afirmar: fijo-se o que se pudo, tanto em Compostela como em Bruxelas.

      • https://pglingua.org/index.php abanhos

        É bem certo o que apontas Joám, do “persistente receio do BNG pola dimensom internacional do idioma. Cada um é filho da sua história”.

        O bloco é uma força, que é filha do pinheirismo, ainda que eles nem o saibam, e está absolutamente inscrito nos limites do estado (neocompostelanismo).

        Eu naquela altura não pertencia a nenhuma força política galega, igual que me passa agora mesmo. E tinha alguma atividade sindical, de facto vinhamos de constituir a CXTG, precisamente contra a linha Upg/Bloco. Participei na altura numas quantas reuniões de Esquerda galega e tive bem próxima relação com muitos membros dela. É bem certo o que apontas da proposição de Lei de Camilo e a sua visão do assunto, mas eu nessa altura já era reintegrante atuante já havia 3 anos que os que me conheciam sabiam que era um ferrenho defensor do NH / LH.

        Porém numa certa altura nesses tempos, Esquerda Galega foi o lugar onde se afiliaram de jeito quase total as gentes ligadas ao ILG (por isso eu não entrei e por isso Camilo apresentou a emenda, disposição final), e chegaram a convertê-la (EG) no seu instrumento, de facto EG passou a ser defensora na realidade das políticas de Constantino e amigos e tardou uns quantos anos em mudar. Lembro-me na Junta quando se designava pessoal para postos ligados a normalização e como nuns quantos casos essas pessoas, a proposta dos Monteagudos, e amigos, essas pessoas saíram de E.G. E não te vou a contar a luta ferrenha que tive que travar com companheiros da EG a nível sindical pola causa da norma. E como um setor do partido se converteu num ariete brutal das políticas da Junta.

        Como contava num debate no II Congresso Internacional da AGAL Vicent Pitarch. No ano 1988 dizia, estávamos num congresso sobre políticas linguísticas em Lheida, e intervinha Monteagudo apresentando e defendendo o que se fazia na Galiza, ele vinha com outro companheiro. Intervenhem vários linguistas assistentes explicando que essas eram as políticas do PP, as políticas de apagamento da língua, e que não as podiam apresentar como se estivessem a vender a verdade revelada Digera-lhes Aracil.

        Monteagudo perdeu os papeis, afirmou que ele não era do PP, que era nacionalista galego, que ele era de Esquerda galega (tirou o bilhete da faltriqueira) e que aquela era a política que promovia Esquerda Galega. Depois de dizer isso ele e o seu companheiro sumiram do Congresso.

        De facto as gentes ligadas ao ILG desapareceram de qualquer congresso no estado que não for muito institucional e onde souberam que não havia perigo. Isso sim gentes ligadas ao ILG participaram encantadas em congressos blaveros de Valência ou de academias tipo Alla asturiana…

        • http://www.isabelrei.com Isabel Rei Samartim

          Nisto que explicas, Alexandre, é onde eu vejo que o espanholismo galaico não descansa… Lá foram infetar a esquerda galega, pondo uma vela a deus e outra ao diabo, colaborando em tudo com a direita espanhola. Esse é o búfalo galego.

          • https://pglingua.org/index.php abanhos

            Olá Isabel, eu mais que exprimi-lo como o “espanholismo galaico”, gosto mais desta outra formula:
            Por umas razoes ou outras, mas que todas se guiam pelo conquista do sucesso, nunca lhe faltou a Castela/espanha servidores galegos para as suas políticas, sempre seguros de acharem uma fresta pola que iam conseguir o sucesso eles e cousas boas Galiza.
            Galiza desde a sua terrível guerra de submetimento, a de Doma e castração, é um povo capado, sequestrado, e como tal sabe que só vai ter uma saída, morrer, salvo que se libertar das cadeias…mas aparece de seguida a síndrome do prisioneiro, chamada também síndrome de Estocolmo.

            A doma e Castração é um sucesso apagado na nossa historiografia, Castela/espanha sempre a controlar o fio da meada.
            Realmente as vezes há batalhas… (sabes que Eurípides chamava as guerras de aceleradores da história), que no momento foram bem pouco importantes e até pouco decisivas mas tem um efeito tremendo no futuro. Na famosa batalha de São Mamede na que não participaram nela mais que uns poucos centos de homens (não além dos 300), e sem muito sangue, realmente nasceu Portugal, foi a isca de estamos aqui, e Compostela não mexe. A Tareixa e o Conde de Trava nem ficaram zangados com o puto futuro rei, de facto logo vão ser personagens frequentes na sua corte (Mattoso).

            Em Touro,
            https://eldiadezamora.es/art/23935/conmemoracion-de-la-batalla-de-toro-germen-de-la-espana-que-conocemos-hoy

            no lugar da batalha há uma placa que aponta algo assim como aqui nasceu a espanha. Foi uma batalha onde não houve resultado claro, nem trufador manifesto, porém a pusilanimidade de Afonso V estava muito envolvido no projeto atlântico, ele percebia Portugal o centro da união e portugal era reforçado com a Galiza, essa parte que nunca tinha que ter estado a parte de Portugal, criação de galegos.

            A história de Portugal de Oliveira Martins, desenvolve bem o seu percurso para Castela para consolidar isso que se dava por feito, de facto nem imaginava o que o aguardava, não se preparou para isso. O jeito de ir a batalha de Touro em despreparo, a aceitação do role de perdedor mesmo antes de sé-lo. O facto da rainha Joana ser mais bem uma muito pia aceitante de tudo.
            Penso que Afonso V o que fez é, pensou os apoios que tenho/a em Castela esvairam, não estou por defender uma legitimade da que posso sair escorregado. E imediatamente ele assina um tratado de renuncia a Galiza, pacta futuras bodas de infantes;, e a Galiza que lhe era bem fiel e que sonhava a unidade fica vendida.(que abandonou aos galegos dos que era rei, fez o resto. Ele entrara por Elvas e passou a viagem recebendo gabanças de toda caste de personagens e muito palmitos no lombo, mas pronto perceberam de pouca força para exercer seus planos… Essa batalha decidiu o nosso futuro e o que seria o projeto trunfante.

            Galiza não foi arrasada por querer a Joana (A Beltraneja, – recentres provas de adn, esta sepulta em Lisboa, amossaram que era filha legítima do rei), eram muitos os castelhanos a defenderem isso.
            Galiza foi arrasada por querer que o seu rei fosse o que tinha sido proclamado como tal Afonso V, o que unia aos galegos de aquém e além Minho (por isso a historiografia não trata disso).

            Na guerra de Castela na doma da Galiza (GZ abandonada de quem fora proclamado rei dela, e rei ao que os galegos não renunciam, é da unidade (do povo aquém e além) que todos enseiavam. Foi um longa guerra guerra de razias terroristas, onde falta sempre uma resistência de conjunto; Castela usou uma poderosa arma, fazer que os galegos se dividissem (divide e impera, a primeira e eterna norma de estratégia certa), se fazer amigos de uns contra outros, mas ao final destruir todos: a Compostela que aspirava a primaz, (pois a igreja galega salvo pequenas excepções seguia a ser controlada desde Braga), aos nobres que eram galegos e amigos (assassinatos dos nobres, fugida de muitos para Portugal e deslocamento do resto a corte de Castela), amigos e inimigos acabam destruídos, Pardo de Cela jogou a carta de amigo ao final, etc mas todos acabam destruídos.
            O Conde de Lemos foi provavelmente o mais ferrenho resistente e o mais difícil de assassinar…mas não teve poetas.
            O comércio externo da Gz é proibido, e é desfeita a sua nascente e poderosa burguesia. A igreja passa a depender toda de Valhadolide e a língua e expulsa ao tirar a ela a validez dos documentos nela redigidos, além de terem de ser os escrivaos e tabelioes da escola de Toledo.

            Pegas a historiografia galega do seculo xix e de antes da guerra, historiografia de historiadores sem certificado do sistema escolar do estado, percebes melhor as cousas, que estes diplomados e troquelados.e há uns temas que após a guerra desaparecem com excepcional eficácia…os interesses da pesquisa mudaram….Um Emílio Gonzalez Lopez, que não era nacionalista galego, percebe melhor os assuntos que as novas fornadas.
            Percebes que para os historiadores profissionais, Anselmo L. Carrera é um paradigma, portugal não existe, pero não existe de forma absoluta, nem nada há aí a ver connosco.

            Qual houvesse sido o futuro com um Afonso V batalhador ferrenho, houvesse nascido um projeto ibérico centrado em Lisboa e atlântico.
            Afonso V derrota Fernando II de Aragão aí em Touro, Dona Joana é rainha de Castela e consorte de Portugal; Isabel termina os seus dias exilada em Sicília; e os galegos dedicam-se a exportar trigo, azeite e lã pelos mares nunca antes navegados…

            Daquela falaríamos da Grande Rainha Joana, A excelente senhora e unificadora atlântica, da Princesa Isabel “a usurpadora” ou a “aragonesa” e de que tanto monta e monta tanto Portugal como Castela… o castelhano, claro, seria uma língua minoritária para falar com as ovelhas…

            O que é curioso, é que os nacionalistas cantam os Irmandinhos (poderia contar até alguma anedota bem saborosa), sem perceberem que o seu torcedor primeiro era o rei Henrique de Castela

        • Joám Lopes Facal

          [email protected], o artigo em consideraçom tenta iluminar a conjuntura da Transiçom desde a perspectiva, pouco frequentada, da questom linguística e a polarizaçom política subjacente ao assunto. Nesta perspectiva, a afiliaçom política de Monteagudo parece-me pouco relevante, nom assi o seu protagonismo no ILG, coraçom da posiçom populista no processo normalizador, contraditória com a sustentada por Camilo Nogueira e Esquerda Galega.
          Recomendo aos interessados em compreender a complexidade daquele período, que tantas cousas explica, lerem a excelente exposiçom de Julio Prada Rodríguez:
          http://biblioteca2.uclm.es/biblioteca/ceclm/websCECLM/transici%C3%B3n/PDF/04-02.%20Texto.pdf

          • https://pglingua.org/index.php abanhos

            Vou ler com interesse.