
Comentava há uns meses Alejandro A. Lázaro Camafeita que, na sua opiniom, o bosque de Pardinhas (Poulo) é o melhor conservado do municipio de Ordes, mesmo superando a Fraga de Frogil, na freguesia de Ardemil. O estado desta última carvalheira, no seu dia elogiada polo irmandinho da fala Uxío Carré Aldao, ainda poide ir a pior, se avançar o projeto eólico de capital saudita e florentinoperesco que pretende chantar moínhos em Frogil.
Esta aldeia de Ardemil deveu ser em origem umha *(villa) Frogilde, propriedade medieval dum terratenente chamado Frogildo, nome germânico assaz frequente na época e que resulta da uniom dos elementos gôticos frauja ‘senhor’ (num sentido geral e aplicado também a deus) e gild ‘imposto, contribuiçom’[1]. Bastante parecido, embora com muito mais sucesso como apelido, é Fagilde, tamén presente na microtoponímia ordense dando nome a um espaço[2] (um monte?) situado entre as freguesias de Messia e Bascói. Vem Fagilde dum genitivo de possessor dum tal Fagildus ou Fagildo, outro nome germânico com o elemento gild ‘tributo’ acompanhado de *fahs ‘alegre’, resultando o oximorónico nome de ‘O Alegre Tributo’, que debe ser o que se paga em Estados decentes que nada tenhem a ver com o nosso.
Em qualquer caso, que estará a pensar Frogildo, ‘O Tributo de Deus’, vendo a desfeita que paira sobre a sua fraga?
NOTAS
[1] Veja-se: J.M.Piel, Estudos de lingüística histórica galego-portuguesa, Lisboa, Imprenta Nacional – Casa da Moeda, 1989, p. 143 e p. 164.
[2] IGN, 70-II.

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