Por José Paz Rodrigues (*)
O 15 de agosto é um dia nacional feriado na maior democracia do mundo. Com múltiplas festas e celebrações em todos os estados, todas as cidades e mesmo nas vilas e aldeias mais pequenas do subcontinente indiano. À meia-noite de 14 para 15 de Agosto de 1947, termina a era do domínio britânico e nasce a República Federal Índia. Sem incluir na mesma, como era o inteligente desejo de Gandhi, o que hoje som o Paquistám e o Bangladesh. E depois de décadas de luitas contínuas para lograr a independência. Finalmente o país logra a liberdade e passa a ser o primeiro-ministro da República o pândita Nehru, como líder do Partido do Congresso Nacional Indiano. Depois de sessenta e dous anos, com poucas interrupções temporais, a sua estirpe continua a governar hoje o país. Em que a líder é a italiana Sónia Gandhi, que casara com Rajiv, filho de Indira e neto de Nehru, morto em 1991 num atentado terrorista, sendo primeiro-ministro.
No passado dia 17 de Maio, depois de quase um mês de votações nos diferentes estados indianos, deram-se a conhecer os resultados eleitorais. Nom sem surpresa para os diferentes analistas políticos, que prediziam uma profunda atomizaçom do parlamento de Deli. Contra todos os prognósticos, e para bem da vida em ordem e paz dos indianos, o povo votou pola estabilidade. Fazendo ascender quase até a maioria absoluta à coligaçom governamental liderada polo Partido do Congresso, presidido por Sónia Gandhi e continuando de primeiro-ministro Manmohan Singh, da minoria sique. Uma pessoa enormemente digna e muito apreciada e valorada por todos os indianos. Os grupos regionalistas e comunistas levaram um forte varapau. Ao igual que o maior partido da oposiçom, o BJP, extremista e integrista hindu, muito oposto ultimamente aos mussulmanos. Num país que é no mundo, depois da Indonésia, o segundo com maior número de cidadãos desta religiom. A Aliança Progressista Unida, liderada polo Partido do Congresso, logrou ascender mais de sessenta mandatos no parlamento a respeito das eleições anteriores. Polo que nom vai depender para governar de grupos extremistas e comunistas que lastravam muito o seu governo. De um dos países que, economicamente, mais está a progredir no mundo, com um 8 % de produto interior bruto anual de crescimento.
Comentei antes que os resultados eleitorais foram muito bons para este país. E explicarei porquê. O governo presidido por Singh, no qual se integra o filho de Sónia, Rahul, de 38 anos, bisneto de Nehru, é um governo progressista, social-democrata e, o que é mais importante, laico, no amplo senso do termo. A Índia é um imenso país que tem uma grande diversidade. De religiões, de etnias, de idiomas, de culturas, de formas de entender a vida… É certo que o hinduísmo é o culto religioso maioritário, mas o verdadeiro hinduísmo – nom o extremista e integrista – é respeitoso com as outras doutrinas e nom busca nem o proselitismo, nem o confronto. Os hinduístas autênticos, e há muitos, amam a paz e respeitam a vida. Um governo laico, como o actual, é para a Índia uma bençom de Deus. Pois respeita todas as opções e nom impom umas sobre outras. Fomentando entre os cidadãos o apreço pola vida, pola paz, polo entendimento entre todos, pola igualdade, e tratando – certo que com dificuldades polo peso histórico das tradições – de levar para a frente os princípios constitucionais que nom aceitam as castas, nem a marginaçom dos sem casta, que Gandhi chamava “harilhans” ou “filhos de Deus”.
Num país tam grande, com tanta diversidade, que tem os seus conflitos (larvado como o antigo e histórico da Caxemira, os do terrorismo dos grupos maoístas nalguns territórios e o dos grupos integristas mussulmanos), e uma história milenária, a alternativa melhor é ter um governo laico, que respeite todas as opções filosóficas e religiosas. E procure fomentar o entendimento entre todos os cidadãos, a paz e a nom violência, seguindo o modelo gandhiano. Na Índia, país a que há que viajar para falar dele com alguma objectividade, é admirável ver como se respeitam os idiomas e as religiões, que teria que ser um modelo para ocidente e, por exemplo, para Espanha. Eu amo este país e no futuro hei viver ali por seis meses cada ano. Levei grande alegria polos resultados eleitorais. Que ham fazer que esse grande país tenha uma só e única bandeira: a verde, branca e laranja. A bandeira da paz e da nom violência. E o hino, com música e letra de Tagore, em que se difunde o amor entre todos os indianos.
(*) Professor Numerário da Faculdade de Educaçom de Ourense.
