Por José Paz Rodríguez (*)
Na Índia os hinduístas, que som destacada maioria, acreditam no destino das pessoas. E já quase me fazem acreditar a mim. Logo de morar ali durante vários meses cada ano desde 2001. Aproveitando o período que nom tenho aulas nos meses do Inverno na Faculdade, com autorização oficial da minha Universidade, vou para a Santiniketon de Robindronath Tagore. Um verdadeiro paraíso, cheio de árvores, flores, pássaros de cores e alegria e bondade das gentes.
Quando lá estou, desconectado de quase que todo do que aqui se passa. As notícias que recebo nom som muito positivas por assim dizer. Que há muito frio, que chove abundantemente, que neva, que os políticos estám todos contra todos, mesmo dentro dos mesmos partidos, que aquele insulta aqueloutro, que a crise é muito forte, etc. Notícias a que pouca importância concedo. Especialmente porque eu ali encontro-me muito à vontade. Contudo, sim que me aflige muito estar lá e inteirar-me da morte de seres queridos para mim. De pessoas que apreciei e que tive com elas uma profunda amizade, ou foram grandes professores meus. Desde tam longe nom posso dar-lhe pessoalmente às suas famílias o meu pesar polo seu falecimento.
Estando eu em Santiniketon há vários anos morreu um excelente professor meu ao qual muito lhe devo. António Losada, natural dum povo monfortino e com morada em Ourense, foi professor, e secretário, do Instituto Laboral de Lalim. Era uma pessoa fantástica, de grande bondade e coraçom. Está soterrado no cemitério paroquial de Velhe. Um dia escreverei sobre ele um artigo para destacar os seus grandes valores humanos. No mesmo Instituto lalinense estudou comigo Pepe Cuinha, que também faleceu estando eu na Bengala indiana. Naquela altura mandei-lhe os meus pêsames à sua viúva Carmen Aparício, que fora aluna minha na Escola Normal de Ourense. E escrevi sobre ele um depoimento em jornais da capital do Deza. Com ele tinha eu desde tempos de estudantes uma amizade profunda. À margem, naturalmente, da política partidária. Muitas das vezes a amizade, e isso é bom, nom tem nada a ver com a política de partidos, sectária e ruim. Que o próprio Cuinha padeceu nas suas mesmas carnes. Estando também eu em Santiniketon, chegou-me a notícia do falecimento de dous grandes ourensanos que eu sempre apreciei e muito apreciava. O grande pintor Jaime Quessada e o que foi um dos melhores concelheiros de cultura que teve o nosso Concelho, o professor Balbino Álvarez. Nos últimos meses do passado ano faleceram outros meus grandes amigos.
Eu já me encontrava desfrutando do clima, do sol e da transbordante natureza de Bengala. Primeiro foi Manuel de Diós, companheiro, e ademais amigo, muito amigo meu, no ano lectivo 1971-72, no Instituto Feminino de Ourense, hoje com o nome de “Otero Pedraio”. Foi, sem dúvida, um dos melhores directores que teve o nosso “Coral de Ruada”. Uma grande pessoa que muito sofreu, quando num triste acidente, perdeu as suas filhas. Em segundo lugar, no 19 de Novembro passado, estando eu em Kolkata para partir ao dia seguinte para Santiniketon, falecia Ana Mª Quiroga Bouzo, professora jubilada da Universidade Laboral ourensana. Eu sempre apreciei esta professora, licenciada em línguas semíticas e hebraicas pola Complutense madrilena. Nos anos lectivos 1966-67 e 1967-68 fora professora minha de Língua Árabe na Faculdade de Filosofia e Letras de Compostela. Ela iniciou-me neste idioma, que depois de bastantes anos tenho esquecido. E que cheguei a ler e escrever, dominando muito vocabulário. O que nom é nada fácil. Também por estas mesmas datas falecia José, o esposo macedao da minha prima Rosamari, que mora em Vigo. Só pudem mandar-lhe por carta o meu pesar. Desde a Índia legendária, do destino e a amizade.
(*) Professor Numerário da Faculdade de Educaçom de Ourense.
