O artesanato está vivo na Ìndia

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Por José Paz Rodrigues

(Didata e Pedagogo Tagoreano)

Ademais da desbordante e formosa natureza que existe na Índia, e especialmente em Bengala, uma das mais lindas cousas que se mantém vivo neste país é o artesanato. É enormemente prazenteiro visitar as numerosas feiras onde se vendem todo o tipo de peças, falar com os artesãos e visitar as suas oficinas ou obradoiros. Esta arte mantém-se viva e pujante porque som muitos os da quarta casta, chamados sudros, que no dia a dia criam as suas obras. Por outra parte, porque a maioria do que elaboram com as suas mãos é de uso quotidiano e corrente.

Capítulo aparte merecem os kumorguli ou oleiros, que trabalham de forma magistral o barro, desde tempo imemorial. No seu dia já escrevi sobre os oleiros de Pamchmura nos respetivos artigos. Também os que criam as imagens dos santos e santas hindus para as numerosas festas que existem no calendário hinduísta ao longo do ano, que som efémeras e, porém, muito formosas. Em Calcutá (Kolkata) existe um bairro completo com os obradoiros destes artistas, que quase todos se apelidam Pal. Como vendem todas as peças que elaboram nos sucessivos festivais, normalmente nadam na abundância económica. Por nom serem de casta alta, destaca em todos eles e elas o carácter agradável, alegre e sensível, nom tendo orgulho algum. Por isso é grande prazer estar com eles, falar do seu ofício e desfrutar da sua bondade, generosidade e paciência quase franciscana.

Como já falei no seu momento dos kumorguli (oleiros) e dos murtisilpi (escultores das estátuas efémeras), esta vez quero dedicar-lhe o espaço que merecem aos outros artesãos. Os que trabalham com todo o tipo de materiais: madeira, pele, tecidos, juta, vidro, pedra, ervas de arroz, papel, cartom, flores, arame, ferro, cobre, bronze, elementos da natureza, fios de cores para bordar, lã, folhas de palmeiras, frutos secos, cascas de coco e outros muitos materiais. Em toda a comarca em que está situada a localidade de Santiniketon, nas suas numerosos povoações e aldeias, moram infinidade de artesãos, que elaboram formosas peças. É seguro que por influência das escolas artesanais tagoreanas, criadas por Tagore no ano 1922 em Sriniketon. Também pola Faculdade de Belas Artes da sua Universidade Internacional de Visva-Bharoti, a mais dinâmica do campus. Na qual estudam muitos alunos vindos de todas as partes da Índia, de todos os países da Ásia e alguns da Europa, inclusive Espanha.

A primeira feira importante de artesanato já foi criada polo pai de Tagore, Devendronath, no ano 1894 nesta localidade. Todos os anos durante uns dez dias, com o nome de “Poush Mela”, entre as datas do 20 ao 30 de dezembro, celebra-se esta grande e imensa feira na Morada da Paz tagoreana. Milheiros e milheiros de pessoas, vindos de toda a República e, especialmente de Bengala e a sua capital Kolkata, invadem esta localidade. Cesteiros de Murshidabad, oleiros de Bamkura, desenhadores de Medinipur, ferreiros de Kamar, artesãos de Siuri, Hugli, Bolpur, Bordhoman e muitos outros lugares, dam vida a esta feira anual.

Quero destacar também que todas as tardes dos sábados, desde o ano 2000, celebra-se ao lado do rio Kopai, numa bela paragem próxima, uma feira semanal de artesanato. À qual vam artesãos das aldeias próximas com os seus trabalhos. É muito visitada, e costumam vir muitas pessoas de Kolkata, que fica de trem a uns 140 quilómetros. Por quantidades pequenas de rupias podes comprar verdadeiras maravilhas. Uma colcha bordada à mão e a cores por umas duas mil rupias (um euro som 60 rupias). Cadeiras de madeira ou vímbio, saias pintadas com o sistema batik, colares de todo o tipo, lapiseiras, figuras em todo o tipo de materiais, brinquedos, quadros, postais com motivos da natureza, malas e carteiras de pele, ráfia, juta, palha de arroz, etc.

Assistir a estas feiras, ademais de passar o tempo de forma agradável, se compras a muito bom preço algo, ajudas às famílias dos artesãos, que vivem destes seus trabalhos artísticos e populares. Mesmo há rapazes e raparigas com as suas modestas obras, a que sempre ajudo comprando-lhes algo. Tenho tirado muitas fotos destas feiras, algumas muito lindas. Paralelamente, também nas mesmas desfruto dos grupos de cantigas dos “baúles” ou músicos ambulantes. Cujos cantares têm tanto ritmo que animam a dançar.

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