No dia Mundial dos Docentes

Partilhar

Por José Paz Rodrigues

No dia 5 de outubro celebrou-se em todo o mundo o ‘Dia Mundial dos Docentes’. Esses profissionais tam importantes para a sociedade e tam injustamente infravalorados. A comemoraçom dá-nos pé para comentar vários temas relacionados com o ofício de docentes, aos que alguns chamam trabalhadores do ensino.

Para ser um bom docente é necessário, em primeiro lugar, ser uma boa pessoa. Mesmo estaria bem que houvesse uma lei que exigisse para este ofício ser uma pessoa bondadosa, dinámica e alegre, com valores humanos positivos e com desejo de ajudar os demais. Vocaçom para ensinar, alegria, bondade e amor por todo o que tem vida, têm que ser os primeiros princípios que deve mostrar um docente. Nom chega ter as competências profissionais próprias dum ensinante de qualidade. Sem aquelas qualidades humanas nom se pode ser um bom docente.

No entanto, nom podemos discutir que é muito importante a formaçom inicial do professorado. Como também a sua formaçom permanente ou em exercício. Para isso temos o exemplo dos mestres e mestras formados no conhecido como Plano Profissional de 1931. Sem dúvida alguma, foram os melhores mestres que tivemos. O Plano de 1967, desenhado polo ourensano Eugénio Lopez, tentou achegar-se um pouco àquele. Os restantes Planos de estudos nunca tentaram nem lograram uma formaçom inicial adequada.

Mas o que nos enche de tristura é que o que se vai pôr a andar no próximo ano de 2009, para educaçom infantil e primária, é o pior da nossa história educativa. Elaborado por docentes da carreira, que som arte e parte, nom contempla o que deveria ser prioritário: formar docentes para o ensino do futuro, com as competências requeridas. Pensou-se prioritariamente nos docentes autores do plano, repartindo matérias como num mercado persa. A epistemologia das ciências da educaçom ficou marginada e danada. Por isso nós só acreditamos num plano de estudos que fosse elaborado, quanto mais longe melhor, por uma comissom de especialistas. Sem interferências de interessados e mercadores.

Da formaçom inicial dos docentes de secundária é melhor nom falar. Continuamos aínda com o famoso CAP, um verdadeiro engendro e engana-bobos. Mas se falarmos da formaçom permanente, temos que botar-nos a chorar. Os tristes tempos que estamos a viver, com crise em todos os campos, está-nos a produzir muita preocupaçom.

O intervencionismo Estalinista actual, a falta de sentido comum, o trato inquisitorial dos dous últimos anos desde a administraçom educativa galega, estám pondo fim aos movimentos galegos de renovaçom pedagógica. Que, durante mais de trinta anos, tiveram como norte e guia na sua actuaçom a melhora do ensino dos nossos centros educativos. Na Galiza, aquela esperança difundida por Marta Mata a partir da Catalunha nos anos setenta, tocou já a rebate. Logo também de que em passados anos, muitos sindicatos do ensino nom soubessem ou nom quisessem manter em pé o movimento pedagógico renovador espanhol, único na Europa.

É muito triste ver como o PSOE, e a sua administraçom educativa galega em concreto, que noutros tempos foi a vanguarda no ensino, seja o que lhe dá, nestes momentos, a pancada de graça à renovaçom pedagógica das nossas escolas. Com um intervencionismo feroz, um alarmante descenso ou eliminaçom das ajudas e uma atitude kafkiana para com os que levamos muitos anos trabalhando por um ensino melhor. O que diria Marta Mata sobre isto? E o qué dirá , se está ao corrente, o grande ministro que foi Maragall? Nós opinamos que a formaçom permanente livre e criadora, desde já, nom existe na Galiza. Ou está a ponto de desaparecer.

Já o temos comentado muitas vezes, com insistência nos dez últimos anos, com motivo do dia dos ensinantes, para quando uma magna campanha de apoio aos nossos docentes? Na qual todos vaiamos de mãos dadas. Vã esperança, se nom mudar logo a actual administraçom educativa galega.


(*) Professor Numerário da Faculdade de Educaçom de Ourense