Manuel Rivero Pérez: “Quero devolver à sociedade uma pequena parte do que ela me deu”



screenshot_20200919-224623No currículum de Manuel Rivero Pérez (Vilela, O Banho de Bande – Ourense; 1953) saltam à vista umha diplomatura, quatro licenciaturas e um mestrado. No entanto, os que realmente nos impressionam som os resultados da sua dilatada experiência profissional e associativa alicerçada  na base de tam completa e variada formaçom. Licenciado em Sociologia, Antropologia, Ciências Politicas e Psicologia pola UNED e Graduado Social pola Universidade de Santiago, o nosso entrevistado complementou os estudos de doutoramento em Humanidades na Universidade da Corunha; é coach certificado por ICC e tem mestrado em Recursos Humanos e direito laboral por CEREM.
Em simultáneo ao desenvolvimento da sua carreira profissional na administraçom pública, como funcionário dos Correios, nas empresas públicas Caixa Postal e Argentaria e na empresa privada no grupo BBVA, Manuel Rivero ministrou docência nos mestrados de Introduçom ao coaching; Comunicaçom Deportiva e Recursos Humanos da UDC. Como ensaista,  é autor de De Roncesvalles a Compostela: un recorrido por valores, habilidades, recursos y actitudes (editado em galego pola AGAL), Las claves del autodesarrollo, del desempeño eficaz y del liderazgo e, em colaboraçom com Iago Santalla, El ilímite del potencial humano. As suas investigaçons sobre liderado, etnografía, coaching, programaçom neurolingüística, família, parentesco e património estám publicadas na imprensa diária e em meios especializados.
Como bom arraiano, para além da dedicaçom profissional, sabemos que sente paixom por conhecer e divulgar a potencialidade das comarcas da Límia, a Maragateria e o Castro Laboreiro.

Manuel, no momento em que nos documentamos a respeito do perfil biográfico, sentimos algo de vertigem. O curriculum é impressionante. Sem dúvida, é um perfil pouco comum.

Tenho muitos anos e sempre lhe dediquei tempo à formaçom. Tinha o hábito do estudo, a constância e a ajuda da família e das empresas em que trabalhei. Ao meu entender, essas som as claves do curriculum amplo e variado. A virtude da formaçom é que che aporta múltiples variáveis para poder interpretar a realidade, fai de ti uma pessoa flexível, curiosa, e ao final vai-te convertendo num humilde aprendiz.

Tenho muitos anos e sempre lhe dediquei tempo à formaçom. Tinha o hábito do estudo, a constância e a ajuda da família e das empresas em que trabalhei. Ao meu entender, essas som as claves do curriculum amplo e variado. A virtude da formaçom é que che aporta múltiples variáveis para poder interpretar a realidade, fai de ti uma pessoa flexível, curiosa, e ao final vai-te convertendo num humilde aprendiz.

O meu lema é “devolver à sociedade uma pequena parte do que ela me deu previamente”.  Por isso trabalho com pessoas com problemas de drogadiçom, com internos de prisons ou com mulheres de etnia cigana. Ultimamente, com quem mais trabalho é com empreendedores como mentor da yuth business Spain.

Para além dos trabalhos como funcionário, chama a atençom a dedicaçom ao ámbito das pessoas em risco de exclusom social. Que nos podes contar do trabalho com as mulheres ciganas?

Haverá uns seis ou sete anos, o meu amigo Rafa -da Fundación Ronsel- solicitou-me ajuda para um projeto de Arquitectos sin Fronteras, no que também eles estavam colaborando. Necessitavam um coach de equipas para dinamizar, para estabelecer as normas de organizaçom interna e das áreas clave e os critérios de rendimento.  Como o grupo era mais ou menos de trinta e duas  pessoas, tornava-se necessário um processo de seleçom para botar a andar com quinze. Com a ajuda de Rocío, de Arquitectura sin Fronteras, superamos esse reto e o projeto foi-se fazendo realidade até chegar à consolidaçom como empresa valorativa na atualidade.

Polos vistos, a experiência foi gratificante.

Nunca tanto aprendim como coach como com aquelas mulheres de etnia cigana, de diferentes nacionalidades, com pontos de vista também diferentes, e com critérios de organizaçom, por vezes opostos. A satisfaçom que sinto cada vez vejo uma furgoneta de Mulleres Colleiteiras é tam grande que compensa com muito as dificuldades que tivemos naquele primeiro momento Rocío e eu.

Nunca tanto aprendim como coach como com aquelas mulheres de etnia cigana, de diferentes nacionalidades, com pontos de vista também diferentes, e com critérios de organizaçom, por vezes opostos. A satisfaçom que sinto cada vez vejo uma furgoneta de Mulleres Colleiteiras é tam grande que compensa com muito as dificuldades que tivemos naquele primeiro momento Rocío e eu.

Fala-nos agora da experiência com pessoas recluídas em prisons.

Com internos de prisons… quantas histórias de vida ouvim nas longas caminhadas por terras de Castela. Cheguei a eles através do voluntariado do BBVA, que já levavam anos colaborando com “Caminos de libertad”. Lembro aquele primeiro contacto em pleno Caminho de Santiago, concretamente na etapa prévia a Sahagún, na que a maior parte do tempo caminhei com sete ou oito rapazes novos, que estavam privados de liberdade a causa das drogas. Com que carinho falavam da sua mae, dos seus filhos, da sua noiva… Que conhecimento profundo tinham das diferentes substâncias e como maldiziam a primeira vez que caíram nas suas trampas, das que lhes era tam complicado poder sair. Eles nom sabiam que eu era o autor do livro De Roncesvalles a Compostela: un recorrido por valores, habilidades, recursos y actitudes, que a maioria vinham lendo em cada umha das etapas. Que emoçom tam grande, que caras de satisfaçom e quantas perguntas e curiosidades sobre aquele avó sábio que fazia o caminho com o seu neto entranhável, tam pilho, nobre e desperto. Esse ritual de caminhar com internos durou seis ou sete anos, logo foi esmorecendo, e penso que agora já nom existe.

Hoje em dia o empreendimento adquiriu um grande protagonismo na nossa economia. Como é o trabalho que realizas com as pessoas empreendedoras?

Som mentor na Youth Business Spain desde há dez ou doze anos. Através da Fundación Ronsel dá-se-lhe assessoramento a todo aquele empreendedor que quer pôr em marcha um novo projeto. Oferece-se ajuda desde a análise da viabilidade, ao nicho de mercado e à  consistência do mesmo. Uma vez que o projeto passou esse primeiro filtro, começa a tarefa do mentor. Este acompanha o empreendedor durante um período de tempo, que pode abranger dos seis até os dezaoito meses. Durante esse processo de mentoring está-se mui atento à marcha do negócio e ao estado anímico do empreendedor. Ensina-se-lhe a gerir os momentos de euforia, de decepçom ou de indiferença, que sempre aparecem com maior ou menor intensidade em todos os processos.

Outro processo parecido como os anteriores. Ensina-se e aprende-se.

Eu desfrutei, aprendim e ensinei com todos os processos de mentoring. É uma nova forma de reverter o conhecimento e a experiência de forma direta aos empreendedores e de forma indireta à sociedade.

Comida homenagem a Ricardo Carvalho Calero no Hotel Almirante de Ferrol, organizado pola Sociedade Cultural Medulio no ano 1981. De dereita a esquerda: Maria do Carmo Salgado, Nanda, Manuel Rivero, D Ricardo, Pepa Abeledo, Xosé Leira, e a dona de D Ricardo, Maria Ignacia Ramos. | Manuel Rivero Pérez

Comida homenagem a Ricardo Carvalho Calero no Hotel Almirante de Ferrol, organizado pola Sociedade Cultural Medulio no ano 1981. De dereita a esquerda: Maria do Carmo Salgado, Nanda Rodríguez Núñez, Manuel Rivero, D Ricardo, Lola Arribe Dopico, Xosé Leira, Pepa Abeledo, Maria Ignacia Ramos, dona de D Ricardo. | Manuel Rivero Pérez

Manuel Rivero foi o primeiro tesoureiro de Agal no tempo em que estava de presidenta Maria do Carmo Henríquez Salido. Naquela etapa conheceu o professor Carvalho Calero. Como som as lembranças?

Eu som daquele primeiro grupo de entusiastas com os que nasceu a AGAL. Havia pessoas mui comprometidas com o projeto. Todas elas lideradas por Maria do Carmo Henríquez, mulher valente, inteligente, formada e decidida. Tentárom estigmatizar-nos por todas as vias e de nada lhes valeu, nós conseguimos  seguir adiante.

Eu som daquele primeiro grupo de entusiastas com os que nasceu a AGAL. Havia pessoas mui comprometidas com o projeto. Todas elas lideradas por Maria do Carmo Henríquez, mulher valente, inteligente, formada e decidida. Tentárom estigmatizar-nos por todas as vias e de nada lhes valeu, nós conseguimos  seguir adiante.

Os recursos eram escassos, havia que administrá-los com eficiência. Botando a vista atrás, nom sei como pudemos fazer tanto com tam poucos meios e com tantos atrancos.
Tivem a sorte de conhecer pessoalmente a D. Ricardo. Podo dizer que para mim é difícil encontrar uma pessoa mais íntegra, mais ética e mais formada no campo da língua galego-portuguesa. Era uma fonte de sabedoria.

O nosso interlocutor tem no seu poder um exemplar do primeiro poemário de Ricardo Carvalho Calero. É o Trinitarias publicado em castelhano no primeiro terço do século XX.

Homenagem a Castelao em Rianjo no ano 1986. No centro da imagem, Jenaro Marinhas del Valhe e Ricardo Carvalho Calero ouvem o discurso de Maria do Carmo Henríquez, presidenta da Agal. Em primeiro plano aparecem Xosé Maria Monterroso, Miguel A. Fernán Vello e Xosé Maria Alvárez Cáccamo da AEELG. |Teresa Fuente Fuente

Homenagem a Castelao em Rianjo no ano 1986. No centro da imagem, Jenaro Marinhas del Valhe e Ricardo Carvalho Calero ouvem o discurso de Maria do Carmo Henríquez, presidenta da Agal. Em primeiro plano aparecem Xosé Maria Monterroso, Miguel A. Fernán Vello e Xosé Maria Alvárez Cáccamo da AEELG. |Teresa Fuente Fuente

Esse primeiro exemplar de Trinitarias para mim é um tesouro. Merquei-no polos anos oitenta numa livraria de antigo, penso que no Porto ou em Santiago, já nom me lembro. Tem a capa um pouco queimada, semelha que foi salvada dum incêndio. Eu gosto dessa poesia íntima, por vezes mística, com um pouso cristao, que D. Ricardo nos mostra através das suas 76 páginas. Foi publicado em 1928 e D. Ricardo nascera no ano 1910, portanto som poemas escritos entre a adolescência e a juventude.

Qual foi o primeiro sentimento ao saber que este ano se  lhe dedicavam as letras galegas?

Uma imensa satisfaçom.  Levávamos reivindicando este reconhecimento desde muitos anos atrás. É de agradecer a sensibilidade da Academia ao ter em conta essa merecida homenagem. Mesmo tendo chegado tarde, bem-vinda seja. A figura e a obra de D. Ricardo é tam grande que chegou um momento em que era impossível silenciá-la por mais tempo.

Loreto de Castro

Loreto de Castro

Loreto de Castro (1975) é atriz desde há 35 anos. É autora e diretora do roteiro literário-musical "A mirada de Carvalho Calero" que realiza o grupo O Faladoiro.
Loreto de Castro


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    Manuel é de 1953 (da Geraçom da Transiçom) e Loreto é de 1975 (da Geraçom de Entre-séculos). A ponte de cerna de Carvalho facilitou o encontro e como resultado do encontro temos criaçom cultural.
    Manuel leva “militando” no reintegracionismo desde 1982, quando Loreto tiña sete anos. Agora é Loreto quem se incorpora em positivo, recolhendo um património e contribuindo a renová-lo dia a dia.
    Estas som as homenagens que D. Ricardo merecia. Os feitos!
    Está-os tendo e vai-nos seguir tendo, porque Manueis e Loretos hai muitos.
    Já o dizía o poeta: “Somos legiom”.

  • https://pglingua.org/index.php abanhos

    Que bom, adorei