Lembrança de Del Riego desde a Índia

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Por José Paz Rodrigues (*)

Venho de inteirar-me polo Portal Galego da Língua do falecimento de Francisco Fernández del Riego. A notícia envolve-me de tristura agora que me encontro na Bengala da Índia, a muita distância da minha terra de Galiza. Há muito pouco tempo que escrevi no nosso jornal de La Región, das pessoas boas e generosas que ainda ficavam na Nossa Terra. Entre elas, como é natural, incluía a Del Riego, e aos poucos dias da publicaçom recebia da sua secretária da Fundaçom Penzol uma carta de agradecimento polo meu escrito.

Sempre apreciei este grande galego, que há permanecer vivo no nosso pensamento e no nosso coraçom. Del Riego era de esses galegos dignos, nom sectários, que levava o seu país no coraçom e na mente. No seu “ridoi”, como dim no seu formoso idioma os bengalis. De tam longe (embora espiritualmente muito perto), quero lembrar e agradecer o muito que Del Riego fez pola cultura e a língua galega. Durante anos e anos, sem desfalecer nunca. Participando na criaçom de Galáxia, desenvolvendo um grande labor na Penzol e no lançamento ano após ano, número a número, da revista Grial histórica. Também, e assim deve ficar dito, usando pseudónimos, como o de Salvador de Lorenzana, em outras publicações. Em épocas obscuras e perigosas, que todos lembramos.

Conservo na minha biblioteca particular de Ourense publicações periódicas, com muitas das suas interessantes colaborações. Por exemplo, a Galiza Emigrante, editada na Argentina e promovida por esse grande galego também que foi Luís Seoane, com formosos artigos seus sobre variados temas galegos. Del Riego era um galego modelar, como seria de desejar que houvesse muitos, e que, infelizmente, nom há ou há muito poucos. Com qualidades e valores humanos: bondade, dignidade, laboriosidade, anti-sectarismo, vendo o lado positivo das cousas, sem preconceitos e apriorismos, somando e multiplicando sempre. Nom subtraindo nem dividindo, como fam muitos na Galiza. O seu labor de diretor da RAG de 1997 a 2001 foi exemplar, e estaria muito bem que os seus sucessores copiassem dele. Cousa, que por desgraça, nom aconteceu nem acontece.

Capítulo à parte merece o seu positivo relacionamento com Carvalho Calero, já desde moços. Uma das cousas que mais lhe agradeço, porque foi um dos poucos que soube respeitar Dom Ricardo. Intentou num momento que a RAG tomasse a decisom de dedicar-lhe, como bem merecia, o Dia das Letras Galegas. Mas, tam só obtivo o seu voto a favor, o que no seu momento nos deu a conhecer. Ele mesmo nom se explicava tal sectarismo dos académicos que tinha ao seu redor, muitos dos que ainda continuam hoje na instituiçom. Sectarismo com uma pessoa que durante anos fora também académico!

Del Riego mantivera também relacionamento rico e profundo com Portugal e sempre esteve a favor de tal relacionamento e que a nossa língua e cultura eram comuns. Porque esse sempre foi o sentimento e pensamento dos galeguistas, e dos que, desde as mocidades, sempre militaram no galeguismo, nos anos prévios, nos republicanos e nos posteriores, com a lógica prudência neste caso, como é natural. Ao nom contar com um contexto favorável.

Gostaria muito de que os atuais e futuros jovens galegos terminassem por conhecer este grande galego. A melhor maneira lendo os seus lindos e fantásticos escritos. Em forma de livros, ensaios e artigos. Da Santiniketon de Robindronath Tagore, que ele também admirava e lia, onde agora me encontro, envio aos autênticos galegos, e à família de Del Riego, o meu profundo pesar pola sua perda física. Que nom espiritual, pois o seu labor, obra e pensamento exemplares, por Galiza, sempre estarám na nossa memória. A minha lembrança é tam grande como a distância que nesta altura me separa da minha linda e querida Terra.


(*) Didata e Pedagogo Tagoreano.