
Através das maravilhosas fotografias de Gustav Henningsen Janarde já saiu várias vezes no Aldeias de Ordes, polo que já vai sendo hora de conhecer o significado do nome desta aldeia de Ardemil. Antes de mais, convém sinalar que o Nomenclátor de Galicia a tem registada como “Xenarde”, com e, se bem toda a vizinhança a pronuncia com a, exatamente igual que na localidade irmá do distrito luso de Aveiro: Janarde.



A etimologia popular, recolhida por Mini e Mero, fala de um incéndio pretérito de dimensons colossais. “Ardem mil montes, ardem mil!”, berravam os vizinhos desesperados, até que num outeirinho –o Cotom de Janarde (451m) começou a amainar o lume, e umha vizinha deu a boa nova: “Já nom arde, já n’arde!”[1]. Na realidade, todo aponta para umha vila medieval propriedade de um homem chamado Janardos, ou seja, umha *(villa) Janardi. Este antropónimo tem presença documental na Galiza do século IX, e nele alvisca-se o mesmo elemento gôtico hard `duro, forte’ que aparece na composiçom do topónimo Ardemil. Talvez Janardus se componha em primeiro lugar pola palabra *gais– ‘lança de arremassar’, que Piel acha em Genserico, nome do rei dos vândalos[2]. Nesse caso Janardos viria a significar algo assim como ‘Lança Forte’. Ainda, indica Ferrín que “pode que, nun principio, se tratase dun antropónimo introducido en Galicia nos intres de máximo prestixio do mundo franco”[3], fenómeno já visto a propósito de Pepim.
Por último, na documentaçom medieval da comarca aparece um topónimo semelhante ao de Janarde embora nom igual: um “locum Senandi” doado em 1032 polo bispo Nuno ao mosteiro de Soandres, que Lucas Álvarez situa em Cerzeda mas do que já nom fica rasto toponímico[4]. Sim há um Senande na Costa da Morte. O desaparecido Senande, propriedade dum tal Senandus, aponta a um antropónimo germânico que, como Fernando, deve conter o elemento *nanth ‘audácia’. Ou, quiçá em algum lugar da paróquia de Cerzeda fique um prado ou umha chousa chamada Senande, eco da desaparecida vila do século XI.

[1] X. L. Rivas Cruz ‘Mini’ e Baldomero Iglesias Dobarro ‘Mero’, Somos lenda viva, Lugo, Citania de Publicacións, 1996, p. 105.
[2] Joseph M. Piel, Estudos de lingüística histórica galego-portuguesa, Lisboa, Imprenta Nacional-Casa da Moeda, 1989, p. 140.
[3] X. L. Méndez Ferrín, Consultorio dos Nomes e dos Apelidos Galegos, Vigo, Xerais, 2007, p. 275.
[4] Manuel Lucas Álvarez, San Paio de Antealtares, Soandres y Toques: Tres monasterios medievales gallegos, Sada, Ediciós do Castro, 2001, p. 220.
