J. M. A.– A revista inzar razóns1, publicada polo colectivo político Inzar, inserido no BNG, analisa neste número o resultado do governo de coalizom na “Xunta de Galicia” entre o PSdeG-PSOE e o BNG. Essa associaçom de interesses políticos iniciou-se no Verao de 2005, quando começou o seu andamento o Executivo presidido por Emilio Pérez Touriño e vice-presidido por Anxo Quintana, e finalizou na Primavera de 2009, após terem perdido as eleiçons autonómicas celebradas em 1 de Março deste ano. Foi a primeira vez que o BNG participou no Governo Autonómico da comunidade, em que desempenhou responsabilidades na Vice-Presidência de Igualdade e de Benestar e em quatro Conselharias (Vivenda, Meio Rural, Cultura e Indústria).
A avaliaçom dessa trajectória ocupa algo mais da metade das páginas da revista. Inclui 6 trabalhos, com umha perspectiva certamente singular: um redigido após conhecerem-se os resultados das eleiçons de Março, e os outros cinco, segundo esclarece umha nota da Redacçom (p. 7) “escritos antes” de se celebrarem. Em todo o caso, som seis visons assinadas por especialistas, que fazem muito interessante a sua leitura.
Xesús Veiga, o máximo representante de Inzar, valoriza em “Aproveitar o coñecemento”, o artigo de abertura, essa etapa política após conhecer os resultados do 1 de Março, os quais julga de (p. 3) “lóxica frustración”. Entre as causas a que atribui a derrota eleitoral (pp. 4-6) salienta especialmente três: o desconhecimento polos novos governantes do aparelho administrativo conformado durante as quatro legislaturas antecedentes (quase 16 anos) presididas por Manuel Fraga, bem como das capacidades de manobra que permitiam os orçamentos; a falta de harmonia entre o BNG no Governo e “as organizacións sociais do universo nacionalista”; e o “desconcerto e oposición” que provocou nos apoiantes desse grupo nacionalista a “política de chiringuitos” (entidades promocionadas desde o Governo para prestar determinados serviços públicos). Conclui Veiga que “O compromiso de promover unha rexeneración da vida democrática é unha promesa electoral que non ten un custe económico explícito pero que pode provocar unha grave perda de credibilidade e confianza na forza política que non cumpre adecuadamente o contido do seu contrato coa cidadanía”.
O espaço dedicado aos cinco especialistas que valorizárom o período de Governo de coligaçom antes das eleiçons principia com o contributo de Justo Beramendi (pp. 8-11), Professor de História da Universidade de Santiago de Compostela; e na continuaçom os de Xosé Ramón Quintana Garrido (pp. 12-17), Professor de História Contemporánea da Universidade de Vigo; Lidia Senra (pp. 18-21), Secretária de Organizaçom do Sindicato Labrego Galego; Vitoria Iglesias (pp. 22-25) que reflexiona desde o interior do próprio BNG; e Adela Figueroa Panisse (pp. 26-27), Secretária Geral da Associaçom para a Defesa Ecológica de Galiza (Adega).
Nestes cinco textos som assinalados acertos e desacertos, por vezes coincidentes. Trata-se de trabalhos que vale a pena ler com vagar, todos eles redigidos com umha perspectiva de crítica construtiva e positiva, e talvez com a certeza de que os resultados das eleiçons do 1 de Março seriam bem diferentes. Por citar algumha breve ideia de cada um deles, o artigo de Beramendi, intitulado “Un balance do Bipartito” conclui que (p. 11) “o balance do Bipartito é moi superior ao de calquera dos mandatos anteriores da dereita”; o de Quintana Garrido, sob o título “Goberno de coalición ou Bigoberno? Notas para unha análise (2005-2009)”, salienta que (pp. 16 e 17) “cuantitativamente o balanzo final do rendemento lexislativo foi o máis positivo de toda a etapa autonómica: 54 proxectos lexislativos, sendo aprobados 53 polo Parlamento de Galicia, 22 deles por unanimidade. […] todo parece indicar que, en comparación cos gobernos precedentes, se produciu un notábel avance en diversos ámbitos, aínda que insuficiente”; Senra, em “Valoración de catro anos de Goberno” e após incidir especialmente nas decisons de diferentes Conselharias respeitantes ao mundo rural, afirma (p. 21): “hai moitas máis medidas negativas que positivas. Para nós, está claro que ten que haber un cambio de rumbo grande nas políticas que se aplican no medio rural”; Iglesias, sob os títulos “Mesmo en período non electoral, compre reflexionar” valoriza que, após quase quatro anos de Governo (p. 23 e 24) “non é pouco mérito seguir mantendo o bipartito, sen grandes altercados. […] Outro dos puntos a favor é ter conseguido unha presenza significativa e diferenciada do PSOE no Goberno Galego, aínda que bastante personalizada na figura de Quintana […] como contrapartida, perdeu peso a presenza de mulleres do BNG no Goberno Galego”; e finalmente o contributo de Figueroa Panisse, com a manchete “Balanço ambiental da acçao do Governo no ano 2008” conclui que (p. 27) “Foi um Governo activo que introduciu novidades na sua actuaçao (Lei da Paisagem, novos espaços Protegidos, etc.) e que tentou por a Galiza na altura das outras Comunidades, compensando o atraso em que estavamos. Não sempre o conseguiu, mas a modernizaçao em todos os eidos sociais e ambientais é patente”.
A revista dedica o resto das páginas a análises com perspectiva interna da situaçom do BNG, quer do seu ideário quer do seu modo de actuar; o conflito da Palestina; e o artigo de Xabier Macías (pp. 49-51) “Foro Social Galego: Unha experiencia revitalizante”.
Conforma-se assim um número certamente interessante, favorecedor da reflexom e do debate nos assuntos que foca, polémico por vezes, e em que transparece a vontade de construir umha alternativa nova e transformadora para umha melhora da qualidade de vida, do benestar e da riqueza das galegas e dos galegos neste século XXI.
Compostela, Agosto 2009.
Nota:
1 inzar razóns, nº 38, (Julho 2009), 52 páginas, 3 euros.
