Por José Paz Rodrigues
(Didata e Pedagogo Tagoreano)
De 5 a 8 de fevereiro passados visitei pola segunda vez Goa. Já quando em março de 2008 viajei a este território indiano, hoje Estado, fiquei muito admirado do que estava a olhar e desfrutar. Naquela altura escrevi um artigo no nosso La Región e no PGL que teve um grande sucesso, e está ainda reproduzido na internet em muitas páginas turísticas dedicadas ao território que foi uma província de Portugal durante 451 anos, nada mais e nada menos. E fez parte do reino da Espanha na época dos Filipes, quando o nosso país irmão, durante mais de sessenta anos, pertenceu à coroa de Castela.
Como todos sabemos, em dezembro de 1961, o exército da Uniom Indiana invadiu o território para o anexar à República Federal da Índia. As poucas tropas portuguesas que o defendiam nom puderam fazer frente a tal invasom, que nom aprovaria, se vivesse, o Mahatma Gandhi, zeloso defensor da nom violência e da paz. Mas essa é outra história que contarei em outro artigo. Ademais, a estratégia do governo de Salazar naquela altura fora muito desacertada e soberba, pois poderia ter logrado muito, se antes concedesse a autonomia ao território, que muitos goeses demandavam. Mais tarde, aquele governo luso também cometeu o grande erro de deixar orfos os cidadãos da linda Goa, esquecendo-se por completo deles nos anos seguintes. Tema que, muitos dos que naquela altura tanto sofreram, mo comentaram com certa resignaçom durante as minhas duas visitas.
Acompanhado de Toton Kundu, o meu aluno de Santiniketon, de galego-português e castelhano, na madrugada do dia 5, saímos do aeroporto de Kolkata com destino a Goa, via Mumbai. A meio-dia estávamos nas terras chamadas Vasco da Gama, onde se encontra o aeroporto. Durante o trajeto de uns 30 quilómetros de táxi até o hotel da capital Panjim, o próprio Toton, que esteve na Nossa Terra durante os três meses do verão passado, e o levei a conhecer muitos dos seus belos recantos, estava assombrado e comentava que lhe parecia a Galiza, com o seu verde, as suas rias e rios, o campo, as montanhas e a paisagem.
Comentei-lhe eu que, se no lugar das muitas palmeiras que estávamos a olhar, colocando no seu lugar pinheiros e carvalhos, e descendo um pouco nuns dez graus a temperatura, podíamos fechar os olhos e ao abri-los estaríamos vendo, a tanta distância da real, a nossa Galiza, situada geograficamente ao norte de Portugal, como uma prolongaçom deste país, em palavras do nosso Otero Pedraio. Em pouco tempo, depois dum percurso maravilhoso ao lado de campos verdes de arroz e hortaliças por um lado, e ao outro, o mar azul Arábico, chegamos à Pousada Afonso, cujos proprietários falam galego, no histórico bairro de Fontainhas (tal como eu escrevo assim estám escritos na realidade). Voltei de novo a fazer um lindo passeio por este bairro tam entranhável, em que moram muitas pessoas, que, das suas janelas, se exprimem em galego.
Outra vez eu voltava a ser muito feliz, pois podia falar (na Índia!) com as pessoas, utilizando a minha língua materna da minha mãe Rosa, minha avoa Pura, e meu pai Joam. Tirei infinidade de fotos das casas, dos milhares de letreiros das lojas e ruas com os nossos apelidos e topónimos, das igrejas, dos cruzeiros e pelourinhos. Gostaria algum dia fazer uma exposiçom das mesmas em Ourense, e mais tarde levá-la por toda a Terra Galega. Para demonstrar que na Índia existe um território que parece Galiza.
No domingo assistim à missa em galego na formosa catedral da capital goense, dedicada à Imaculada Conceição. Eram as dez da manhã, hora em que todos os domingos se celebra, e os velhos goenses vam a ela de forma social para ver-se e tertuliar. Em plena Índia eu estava a seguir uma missa na minha língua! No mesmo domingo visitei o bairro chamado Altinho (sic), com formosas casas senhoriais, onde está o Consulado português e o paço do bispo. Dele pode olhar-se toda a cidade e o seu rio Mandovi. Ao descer, num rikxa de motor, percorri os bairros modernos e as ribeiras do rio. E voltei a encontrar infinidade de vestígios galaico-portugueses. Numa água muito agradável de temperatura, do mar Arábico, na imensa praia da localidade de Calangute, dei-me um reconfortante banho. A praia estava ateigada de gentes indianas e também muitas forasteiras.
Ao dia seguinte visitei a Goa Velha e os seus formosos monumentos, que merecem um artigo aparte. Antes de comer pudem conhecer na localidade de Ponda uma interessante plantaçom de especiarias, onde comim muito bem e tirei muitas fotos, alguma com um pacífico elefante muito adornado e decorado. Nesta localidade estám radicados os templos hindus mais lindos, que também visitei. No último dia, antes de partir para Deli, pola manhã, fum a muitas lojas para mercar presentes, regalos e postais. E tomei chá e café nos cafés de nome República, Central e Real. Este último lembrou-me muito o nosso do mesmo nome perto do Liceu. Onde eu escrevo muitos dos meus artigos, quando me encontro na minha cidade. À qual voltarei com a primavera. Como voltarei de novo a Goa no próximo mês de dezembro, por mais dias, Reservando com antecedência o hotel, pois nessa época som muitos os que viajam à Galiza indiana, para desfrutar do sol, a temperatura, as comidas, as praias, os banhos de mar e a paisagem deste belo território. Em pleno inverno nosso!
