Por José Paz Rodrigues
(Didata e Pedagogo Tagoreano)
Primeiro foi “Vieiros”, o diário galego que tínhamos na rede informática. Mais tarde desapareceu o semanário “A Nosa Terra”, de que eu no seu dia fum secretário do conselho da sua editora. Há poucos dias fechou o único diário sobre papel que se editava integramente na nossa língua, o “Galicia Hoxe” (em bom galego deveria escrever-se “Galiza Hoje”). Sobre o que o meu amigo Baltar, acertadamente, comentou no passado sábado dia 9, numa juntança celebrada no Irijo, que “Galiza há pedir-nos algum dia explicações pola sua desapariçom”. Só fica vivo “Novas da Galiza”, de periodicidade mensal, que seria bom passa-se a tê-la polo menos semanal.
Estas notícias tam negativas para o nosso idioma e o seu futuro em território espanhol (nom no da lusofonia), é o mais claro sintoma do profundo fracasso da política linguística galega iniciada no ano de 1982. Em cujo tempo de verão a RAG foi tomada polo ILGA, com noturnidade, premeditaçom e aleivosia, para impor uma normativa que nos afastava do senso comum, da filologia romanística e do espaço linguístico a que pertence o nosso idioma. Decisom muito grave, em que houve alguns que sabiam bem o que faziam para prejudicar o futuro do idioma, como era o caso de Sabell ou de Constantino García, um asturiano que para nós fora melhor que ficasse em Madrid e nom viesse para a universidade compostelana. Onde ainda hoje tem algum que outro discípulo continuador da sua “obra”. Decisom muito grave, porque foi tomada sem deixar para nada que houvesse um debate civilizado entre todos, até o dia de hoje! Decisom muito grave, porque os que discrepávamos naquela altura e nos manifestámos diante da RAG, fomos largamente silenciados, marginalizados e mesmo perseguidos. E ainda nestes tempos se nos culpa por algum, de forma incompreensível, injusta e imoral, que os reintegracionistas somos os culpados do estado atual em que se encontra o idioma galego, com uma alarmante falta de utentes, especialmente entre a mocidade. E isto era o que nos faltava escuitar. Quando a nós nunca se nos permitiu intervir na política linguística do país, nem nunca tivemos a oportunidade de fazer propostas, de dar ideias nos foros correspondentes, de que se nos escuitasse, sempre afastados à força de academias, institutos e conselhos culturais. Com um sectarismo indignante que ainda perdura nos tempos atuais. Para as nossas pessoas vivas, como Estraviz, Montero Santalha, Vilhar Trilho ou Gil. Ou já desaparecidas, que nom som homenageadas, como Carvalho Calero e Guerra da Cal.
Nom me explico que, os chamados “oficialistas”, depois do fracasso da sua política, nom apresentem alguns a sua demissom e continuem no poder. Servindo-se de prebendas de todo o tipo. Entre os que sei que há alguns que no seu dia se somaram ao carro sem a maldade dos que, quando desenharam a política a seguir, sabiam bem o que faziam. Promulgando um decreto, que Filgueira teve sem assinar por um tempo, impositivo e anti-democrático. Tanto que, como nunca passou em nenhum lado do mundo, foi emitido antes de existir a Lei. E que muitos nunca aceitamos porque sabíamos a que nos levava. Sem aproveitar o facto de que Galiza é a comunidade autónoma espanhola mais rica em idiomas. Se houvéssemos feito uma política linguística ajeitada, racional e positiva, somando e multiplicando, e nom subtraindo e dividindo, fazendo ver aos jovens estudantes a utilidade da nossa língua, que é internacional e oficial em países de todos os continentes do mundo. Sem perder de vista que também o castelhano deve aprender-se, porque também é muito útil. Como muito bem dizia Castelao no seu “Sempre em Galiza” :”A minha maior ilusom é que todos os galegos saibam falar bem o galego e também o castelhano”. Claro que também os grupos nacionalistas, e eu bem o sei, têm bastante culpa, por nom saberem utilizar estratégias adequadas no fomento do uso da nossa língua, mediante o convencimento, ignorando sempre que as pessoas têm uma psicologia. E nom abusando da imposiçom, estratégia totalmente equivocada e nada inteligente.
