TENTATIVAS

Estranhos ritos funerários (e II)



Na quinta de 5 de janeiro de 1871, o jornal El Pensamiento Español. Diario católico, apostólico romano[1] inseria umha severa diatribe contra a suposta cerimónia maçónica de despedida do general Prim sob o alarmante título: “Profanación del santuario de Atocha”:

“Con tanta indignación como escándalo, hemos leído lo siguiente en “La República Ibérica”, órgano de los masones:

«La masonería española cumplió ayer uno de sus tristes deberes, depositando sobre el féretro que encierra el cadáver de su h . . el general Prim , la corona de acacias y los signos distintivos y simbólicos que le correspondían.

“Reunidos gran número de h . . h . . mas . . en el templo da la .Mantuana, salieron juntos á la iglesia de Atocha, y allí rodeando el lecho mortuorio sobre que descansan los restos del general Prim , y previos los pasos, signos y baterías de rito, cumplieron su triste misión, no habiendo podido, sin embargo, llenar todas las solemnidades y pormenores del acto , porque estando materialmente atestado el templo de curiosos, hízose hasta imposible disponer del espacio necesario para ejecutar las ceremonias.»

O editorial nom oculta a sua santa indignaçom contra o responsável eclesiástico da basílica:

Y a uno de los señores Sacerdotes á que nos referimos, asistió al entierro masónico del infante D. Enrique, muerto en desafío, y dió licencia para que la inhumación se hiciera en lugar sagrado; ¿será, por ventura, posible que ese mismo señor Sacerdote no se haya creído en el deber de impedir la manifestación masónica en torno del féretro del general Prim y dentro de una Iglesia? O ¿es que no lo sabia? Mas ¿y el Rector de Atocha?[…]Por qué no la impidió? ¿Fué acaso atropellada su autoridad?

Surpreende a coincidência da denúncia publicada por El Pensamiento Español com a alusom explícita de Galdós à implicaçom do abade livre-pensador Briones no seu relato:

Sotanas de curas y sacristanes no vimos que a la capilla se acercaran, lo que demostraba excesiva tolerancia, o vista muy gorda de la superior clerecía de Atocha. Tolerancia hubo de una parte; pero la otra incurrió en el pecado de indiscreción, porque algún periódico describió la ceremonia con todos sus pelos y perendengues, sin omitir las hojas de acacia. Consecuencia de esta simplicidad periodística fue la destitución del Rector de la basílica, don Leopoldo Briones, varón docto y un tanto hereje, según oí decir; liberal sin careta, muy dado al libre pensar y a la libre crítica de personas y cosas eclesiásticas

Magnífico engaste literário o da figura de Leopoldo Briones –caso de nom aludir a umha personagem histórica– abade livre-pensador e crítico irreverente de cousas eclesiásticas. Arrecende a prosa de Valle-Inclán.

Disporia a direçom de El Pensamiento de informaçom acusatória certa sobre a personalidade do reitor da basílica madrilena ou a editorial pretendia apenas explorar politicamente um boato do momento, sem confirmaçom?

A verosimilhança das exéquias maçónicas de Atocha é denegada num erudito artigo[2] assinado por um Grande Comendador do Supremo Conselho Maçónico de Espanha: Joan-Francesc Pont Clemente. Nele, nega-se assim mesmo a pertença à maçonaria tanto do general Prim como do rei Amadeu. Galdós mesmo reconhece no seu episódio nacional o facto de Amadeu de Sabóia nom ter pertencido à maçonaria do seu país de origem.

O cadáver de Prim foi tam inquieto no trás mundo como o seu titular foi em vida. Em 1971 o féretro foi trasladado a Reus e praticada umha autópsia forense para confirmar vestígios do seu misterioso assassinato. Desde entom, repousa na sua cidade natal no formoso mausoléu que para ele manufaturou o artífice basco Plácido Zuloaga (1874 – 1875) em ferro damasquinado coroado com escultura jazente em bronze prateado do escultor francês Émile Hébert.

A basílica de Atocha é um saudoso lugar de memória hoje que acolhe enfáticos mausoléus de extravagante fatura em honra de umha mao-cheia de esquecidas glórias nacionais. O Panteom deve-se, como o Panteão Nacional de Portugal da Igreja de Santa Engrácia de Lisboa, ao inútil intento de replicar a glória da Westminster Abbey e do Panthéon de Paris. Obras de Santa Engrácia ambas em honra de duas pátrias atribuladas e sem remédio.

A nossa homenagem persoal ao romántico general catalám via consistir agora na atenta escuita da plangente Música para um funeral maçónico, K 477, escrita em 1785 polo divino oficiante W. A. Mozart para os seus irmaos, […], na fé da iluminaçom, o duque Georg August zu Mecklenburg e o conde Franz Esterházy von Galántha. A formosíssima melopeia funérea abre com um delicado lamento de oboés respondida em eco por um melancólico trio de cornos di basetto. Et lux perpetua luceat eis.

NOTAS:

[1] http://www.memoriademadrid.es/fondos/OTROS/Imp_52061_hem_elpensamientoespanol_18710105.pdf

[2] https://masoneriacivica.wordpress.com/2014/06/23/el-general-prim-francmason/

 

Joám Lopes Facal

Joám Lopes Facal

Nascim e vivim na aldeia até os quinze anos, Toba, ao pé da ria de Corcubiom, frente ao Pindo. Figem-me economista despois de engenheiro e aí desenvolvim a minha atividade profissional até o momento de me reformar. A economia é ademais um vício particular: ler atentamente e tentar compreender a informaçom económica cotidiana, ter sempre sobre a mesa um livro de economia.
Joám Lopes Facal

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  • Joám Lopes Facal

    Um aviso ao eventual leitor: devido a um erro na transcriçom aparecem dous pontos para aludir “@s irmaos” maçonicos quando deviam constar três, formando triángulo.
    O assunto pode parecer irrelevante a um alheio mas é essencial para os simbólicos congregantes.
    Nom é estranho encontrar os três pontos aludidos (símbolo do esquadro da ordem, talvez) em testamentos antigos e monumentos funerários.

    • Ernesto V. Souza

      .·.