
O pequeno lugar de Folgoso, na freguesia de Pereira, deu nome a toda umha extensa jurisdiçom durante o Antigo Regime, que abrangia as freguesias de Barbeiros, Beám, Cardama, Deixebre, Frades, Galegos, Gândara, Lesta, Marçoa, Messos, Moar, Montaos, Ordes, Oroso, Papucim, Parada, Pereira, Senra, Vila Maior e Vila Romariz, todas elas na antiga província de Santiago, menos a de Mercurim, que entrava na da Corunha. Em total, 171,5 km2 (mais que o atual concelho de Ordes, que tem 158) baixo o senhorio do Conde de Altamira[1]. A jurisdiçom teria nascido, na lógica das políticas matrimoniais da altura, da uniom entre Joana de Castro e Rodrigo de Moscoso, senhor de Folgoso.
O topónimo viria do latim tardio *filicosu, revelando um terreno abondante em filicu, iso é, fieito[2]. O nome do lugar tivo fortuna como apelido, e também na literatura cunqueiriana: Otilia Paredes, sábia de Sam Mamede de Veiras, atendeu em umha ocasiom um vizinho que colhera umha sombra ao voltar da feira de Boimorto. Otilia assegurou-lhe que se tratava de um defunto que vinha reclamar-lhe algumha promessa incumprida, e entom o vizinho caiu da burra: “Fue en Vicálvaro, haciendo el servicio militar. Dejé embarazada a la sobrina de un sargento de Pavía, pero me licenciaron a tiempo, y aunque ella me escribió y vino a verme a Órdenes un capellán castrense, yo hice aquí mi vida”. Convocada, a sombra dixo que nom perguntava por Secundino Folgoso García, que assim se chamava o impresentável emprenhador, mas polo seu sobrinho, que figera o mesmo com umha de Segóvia e agora andava emigrado na Alemanha, de eletricista. “Maña que se daban estos Folgoso con las castellanas, lo que no es tan fácil”[3].
[1] Francisco Xavier Río Barja, Cartografía xurisdiccional de Galicia no século XVIII, Santiago, Conselho da Cultura Galega, 1990, pág. 38.
[2] F. Cabeza Quiles, Os nomes de lugar, Vigo, Xerais, 1992, p. 203.
[3] A. Cunqueiro, Obras literarias en castellano II, Madrid, Fundación José Antonio de Castro, 2006.


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Publicado em Aldeias de Ordes, 19,03,2018.
