Escolas para todos na Índia

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Por José Paz Rodrigues

No passado primeiro de Abril Manmohan Singh, primeiro-ministro da Índia, dava uma grande notícia ao país ao anunciar a entrada em vigor duma importante lei educativa, pola que se regula o ensino básico e gratuito para todos os nenos e nenas da República indiana, em idade de escolaridade elementar, dos 6 aos 14 anos. Tal lei pudo ser promulgada agora porque a Índia é um dos países economicamente emergentes do mundo, que medra cada ano em 8 ou 9 por cento o seu PIB. Eu, que amo este país e nas minhas estadas ali som muito feliz e desfruto de verdade, levei também uma grande alegria por este anúncio.

Por fim, as nenas do rural vam poder ter vagas escolares para serem escolarizadas gratuitamente no ensino básico ou primário. Até agora a maioria das nenas das zonas rurais nom estavam escolarizadas, o que aumentava a já tradicional marginaçom das mulheres do subcontinente indiano. Um dos maiores problemas, ao meu modo de ver, que tem a Índia, embora sejam as mulheres o melhor e mais importante que ali existe. Junto com os jovens e crianças, educadas, alegres, inteligentes e que, quando vam à escola, respeitam os seus mestres e têm sede e desejos de aprender, som curiosas e muito alegres e agradecidas. Se vivessem Gandhi e Tagore, que muito amavam ambos mulheres e crianças, sentiriam-se também muito felizes pola promulgaçom desta lei educativa.

Muito similar à promulgada em 1931 pola Segunda República em Espanha. Esta lei fora aprovada no passado mês de Agosto polo Parlamento indiano radicado na capital Nova Deli. Independentemente do género e da categoria social das crianças, todas vam ter acesso à educaçom elementar. Que permita que possam adquirir as habilidades, conhecimentos e competências básicas, ademais de desenvolver as suas aptitudes intelectuais. E conseguir assim cidadãos educados, responsáveis e activos em toda a Índia, tanto rural, como urbana. A mesma lei dá prioridade à educaçom das mulheres e às muitas pessoas sem casta, que som maioria no país, até o ponto de que contempla que os centros privados deverám acolher nas suas aulas com postos escolares 25 por cento destas pessoas. Para isso deverám colaborar os concelhos e os governos dos diferentes estados indianos.

Para poder aplicar esta importante lei nos próximos anos a Índia vai ter de formar um milhom e douscentos mil professores. Também, paralelamente, terá que construir milhares de escolas em todos os estados da Uniom. Investimento que vai poder fazer, pola situaçom económica do país, sempre em ascensom nas últimas décadas.

Para começar conta este grande país com uma grande riqueza: tem muitas crianças e muitos jovens. Todos com valores e desejos de aprender e prosperar. A maioria com grandes aptitudes intelectuais, especialmente em matemática, que semelha ser genético nos indianos, em domínio de línguas e capacidades para aprender novos idiomas, em informática e aspectos económico-administrativos.

O clima também favorece, pois em muitos lugares podem manter-se escolas ao ar livre, debaixo de grandes árvores, como é o caso do Estado da Bengala. Eu mesmo tenho pensado abrir em terrenos próximos a Santiniketon, e também no Bangladesh, escolas ao ar livre, polo seu baixo custo e porque também os recursos didácticos som ali para nós muito baratos.

O que sim vai ser necessário é formar didáctica e psicologicamente os muitos docentes que vam fazer falta para atender a uma populaçom infantil tam elevada, como é a indiana. A solidariedade de organismos internacionais e dos países ocidentais também vai ser bem recebida, se é que se produz.

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(*) Professor Numerário da Faculdade de Educaçom de Ourense.