Educar para a saúde

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Por José Paz Rodrigues

Uma das áreas que teríamos que incorporar de imediato ao currículo escolar atual é a educação para a saúde. Não só no dia 7 de abril, em que se comemora o Dia Mundial para a Saúde. Também durante todo o curso, com atividades criativas e lúdicas e com estratégias didáticas inovadoras e motivadoras. Que enganchem os rapazes de infantil, primária e secundária.

Em 1948 a OMS, na sua carta fundacional, assinalou que a saúde é um direito fundamental de todo ser humano do nosso planeta. E que a saúde está em relação com o bom cuidado e desenvolvimento do corpo físico e mental, com a sexualidade realizada e integrada como uma comunicação plena entre pessoas, com a boa alimentação e higiene, com uma atmosfera e natureza limpas e bem cuidadas, com umas relações afetivas e equilibradas e com uma vida sem estresse, desfrutando da autoestima, da segurança, da esperança e da confiança. Para terminar assinalando que sem saúde não há paz, nem liberdade, nem desenvolvimento. Conceito que, na conferência internacional realizada em 1986 em Otawa para promover a saúde no mundo, foi ampliado no senso de que sem saúde não pode haver progresso. A exemplar ONG Médicos sem fronteiras, com grande acerto, afirma que a saúde provoca sorrisos de esperança e progresso e que o mais contagioso é o riso.

Não devemos esquecer que a melhor educação é a preventiva. A prevenção pedagógica tem que se iniciar já na primeira escola que é a família. A educação positiva e preventiva para a saúde começa já, desde que a criança nasce, na sua própria família. Se na casa existirem hábitos saudáveis nos que nela morem, como higiene bucal, duche diária, alimentação harmónica e adequada com consumo de fruta, produtos láteos e verduras, não fumar e não tomar álcol, com certeza que as crianças hão de adquirir bons hábitos que permanecerão na sua idade adulta. E isso há de ser bom para todos. Para os cidadãos, a sociedade e o baixo custo na segurança social do nosso país.

Mestres e mestras das escolas infantis, primárias e secundárias devem ter muito claro que o objetivo educativo fundamental é ajudarem os estudantes a que sejam sujeitos ativos e responsáveis do seu projeto de vida saudável. A que controlem a sua saúde, sabendo escolherem as opções mais saudáveis para a vida quotidiana, ademais de serem solidários com outras pessoas e povos. Se didaticamente os docentes desenvolverem de forma acertada o seu labor neste campo, dentro das suas aulas, podemos conseguir que crianças e jovens adquiram o desejo de viver, desfrutem de uma vida sã e desenvolvam hábitos saudáveis, como a dieta equilibrada, a prática de desportos, a higiene e limpeza pessoal e a prevenção de doenças tão ingratas e nefastas como as toxicodependências, o alcoolismo, o tabaquismo, o sedentarismo e os maus hábitos alimentícios. Para isto são muito importantes as atividades de ócio e tempo de lazer em contato com a natureza, o respeito e cuidado do próprio corpo, a aceitação de sim mesmos assumindo limitações e possibilidades, fomentando as responsabilidades e a participação, fomentando a solidariedade para conseguir sensibilidade, generosidade, compreensão e espírito de colaboração.

Focando-se nas atividades didáticas de tipo lúdico e artístico, um plano interessante de intervenção em educação para a saúde nas aulas, deve contemplar a elaboração de murais artísticos e informativos, desenho de cartazes, autocolantes, aforismos, participação em debates, tertúlias e pontos de acordo, cinema-forum com filmes relacionados com a saúde física e mental, dramatizações, jogos variados, manualidades e atividades plásticas, audições musicais e cantigas, elaboração de jornais escolares, revistas escritas e orais, visitas a hospitais e postos de saúde, etc. Sem esquecermos as palestras que possam dar nos estabelecimentos de ensino pessoas da comunidade relacionadas com o tema da saúde, que são verdadeiros recursos humanos. Também se devem realizar exposições e amostras, de livros e revistas, fotográficas, de cartazes e postais.

A escola paralela, integrada pelos meios de comunicação, com especial poder educativo da televisão, deveria colaborar muito mais do que o faz com a educação para a saúde das nossas crianças e jovens. Combatendo, por exemplo, os perigosos tabaquismo, alcoolismo, obesidade e comida lixo. Incluído esse botelhão que tanto dano está a fazer hoje nos nossos adolescentes.

 

(*) Didata e Pedagogo Tagoreano.