Por Edelmiro Momám
O instinto do gato é caçar. Até se não tem falta. Mas quando o gato caça uma presa, já for rato, cobra, inseto ou passarinho, não a mata de imediato. Não. O gato brinca com o animal até este morrer ou ficar exausto demais para se mover. Por isso é que falamos do jogo do gato e o rato. Bom, quando menos este é o destino de ratos e cobras. Com os pássaros a história é um bocadinho diferente, porque pássaro voa. Então o gato, toda vez que segurou as suas queixadas arredor do pescoço da presa, já não solta.
Quando o gato tem um amo humano, ele, orgulhoso, costuma vir mostrar a pressa ou, chegado o caso, os seus despojos ao amo. Quem conhecer gatos em estado de liberdade ou semi-liberdade saberá do que estou a falar. Por vezes acontece o humano querer se apiedar da presa. Particularmente se for passarinho, a captura preferida do gato. O gato tem o passarinho ainda vivo na boca. Ele gosta desse bater do seu coraçãozinho e desse sabor do seu sangue. Hedonista, guloso, adia o momento fatal. Mas se o humano tentar libertar o passarinho, ou se simplesmente se achegar perto demais dos outros dois animais, zás-catrás, o gato fecha com força as suas mandíbulas quebrando no instante o pescoço da vítima.
Ninguém pode culpar o humano. Gato é gato, e gato mata pássaro. A sorte do animalinho estava decidida e, afinal, se calhar é melhor assim, uma morte limpa e rápida em troques duma prolongada agonia.
Porém, ainda há quem culpa os defensores do passarinho Língua Galega de precipitar a sua morte. Se não a defendessem, afirma o coro de gatos nos seus jornais, não teríamos que matá-la e ainda poderíamos brincar com ela mais um bocadinho.
