Colheita Alegre, grupo de música tradicional portuguesa



colheita-alegre-o-grupo-atuandoEm finais dos anos oitenta, no mês de agosto, dentro de uma das edições da escola internacional de verão denominada “Jornadas do Ensino de Galiza e Portugal”, que organizava a ASPGP (Associação Sócio-Pedagógica Galaico-Portuguesa), na cidade de Ourense, para os docentes galegos e portugueses, incluída no seu programa de atividades festivas e culturais, teve lugar, com grande sucesso na Praça Maior da capital das Burgas, a atuação do grupo de música e canto tradicional português Colheita Alegre, criado na localidade de Fragoso-Barcelos em 1985. A sua atuação na Galiza foi possível graças às gestões do proprietário da Livraria Minho de Braga e ao apoio económico na altura da obra cultural da antiga Caixa-Ourense.

Dentro da mini-série que iniciei com o depoimento dedicado ao grupo galego Milhadoiro, que continuou com outros dous dedicados aos coletivos Maio Moço de Portugal e Fuxam os Ventos da Galiza, dedico o presente artigo a este grupo português que, sob o nome de Colheita Alegre, foi criado na comarca portuguesa do Vale do Neiva, no norte de Portugal, e, em concreto, na localidade rural de Fragoso do concelho de Barcelos, no mês de dezembro do ano 1985. É este o número 54 da série de artigos dedicada à Lusofonia.

Uma muito pequena biografia de Colheita Alegre

Ilda Gomes, cantora do grupo.

Ilda Gomes, cantora do grupo.

Por tratar-se de um grupo folclórico de origem totalmente rural, nascido na bela comarca que tem a Barcelos como centro  (muito perto da nossa Galiza), ainda hoje em dia, muito infelizmente, não existem dados biográficos desta maravilhosa banda de cantigas e música popular. O que faz urgente e muito necessário que alguém da comarca do Vale do Neiva, de Fragoso ou de Barcelos (mesmo a Câmara Municipal desta cidade) elabore uma pequena história e biografia deste excelente grupo, que já agora bem o merece. Ainda bem que graças ao ótimo trabalho de recolha realizado por Agostinho Maciel, foram recuperados muitos dos lindos cantares populares da banda, editando mais de vinte vídeos em Youtube. Por isso, aproveitamos também para fazer um chamamento ao Agostinho para ele procurar alguma pessoa ou coletivo que realize uma pesquisa sobre a história e vida do Colheita Alegre e se possa editar uma monografia, cuja edição corresponderia logicamente à Câmara Municipal de Barcelos e aos seus serviços da cultura.

O projeto musical Colheita Alegre nasceu em dezembro de 1985 em Fragoso–Barcelos. A partir de um trabalho de recolha levado a efeito no vale do rio Neiva, o grupo elaborou uma proposta simultaneamente, documental e criativa, que é das melhores que se têm feito em Portugal. É documental porque letras, melodias e sonoridades tradicionais são os elementos formais mais determinantes; é criativa porque se promove a experiência total dos instrumentos e das cantigas.

O projeto musical Colheita Alegre nasceu em dezembro de 1985 em Fragoso–Barcelos. A partir de um trabalho de recolha levado a efeito no vale do rio Neiva, o grupo elaborou uma proposta simultaneamente, documental e criativa, que é das melhores que se têm feito em Portugal. É documental porque letras, melodias e sonoridades tradicionais são os elementos formais mais determinantes; é criativa porque se promove a experiência total dos instrumentos e das cantigas.

Para além dos elementos formais, procuraram na tradição elementos para alimentar a evolução da proposta musical e responder a desafios sempre renovados. Músicos de hoje orientam a sua força criativa para a realização de uma proposta musical que cultive a transposição de valores na mudança dos tempos e dos espaços ou no encontro de diferentes culturas. Analisar e explorar melodias, experimentar e misturar sonoridades, reviver e reconstruir o símbolo são ações que visam aferir o valor estético da música tradicional. Instrumentos tradicionais (violino, viola, bandolim, braguesa, gaita de foles, flauta de bisel, flauta transversal, concertina, harmónica de beiços, onomatopaicos…) e outros instrumentos (piano, bateria, e baixo) executados pelos sete músicos da banda, chegaram a construir sonoridades e dar assim forma aos desafios de uma experiência de investigação. Todo este empenho entranhou, para os “Colheita Alegre”, a força de preservar e renovar ou o encontro do passado e do presente. E foi também energia que recriava os documentos e promovia o encontro de gerações. Sons de ontem e de hoje falavam de tradição e de modernidade. Isto que se comenta pode perceber-se muito bem no seu disco intitulado Sol de Março, editado em 1991 pela editora CVS. Infelizmente, o grupo cessou a sua atividade na área dos espetáculos desde o início de 2005.

Carlos Filipe, músico e cantor do grupo.

Carlos Filipe, músico e cantor do grupo.

Foram eles quem ajudaram a educar musicalmente muitas crianças e jovens portugueses, nomeadamente do Norte do país, na música popular portuguesa. Todos os seus instrumentos se ouvem e são criativos, a poesia é cuidada e as vozes têm a alma do lugar. Chegaram a editar vários discos: Ervas, em 1988; Minério, em 1991; Sol de Março, em 1989; Terra Fresca, em 1996, e cessaram a sua atividade em 2005. Foi um crime cultural a pouca projeção que a sua música teve nos média.

Minério é uma das suas cantigas, recolhida também na freguesia de Fragoso que os viu nascer, na que se conta o abandono dos campos por parte das pessoas que viviam da jorna na agricultura e demandaram aos montes da freguesia em busca do minério, aquando da II Guerra Mundial em 1939, pois o volfrâmio era muito procurado e o regime tinha relações privilegiadas com a Grã-Bretanha, a quem fornecia o minério, também muito disputado pela Alemanha. Foi neste quadro que o minério se tornou uma ilusão para o povo que, terminada a guerra, voltou aos campos tão pobre quanto antes. Caso muito similar que, na altura, também aconteceu na nossa Galiza, como bem sabemos.

Outros dos seus cantares parecem versos surrealistas que assentam como luva na sonoridade popular: “Pelo mar abaixo vai um piparote, se ele leva vinho gri, gri, gri tira-lhe o batoque gró, gró, gró pelo mar também gri, gri, gri o galo cantou. O galo cantou deixai-o cantar minha rica prenda gri, gri, gri pela beira mar gró, gró, gró pelo mar também gri, gri, gri o galo cantou”.

O Grupo Colheita Alegre, era composto pelos seguintes músicos e cantores:

  1.-Carlos Filipe (guitarra e canto).

  2.-Ilda Gomes (canto).

  3.-Duarte Silva (guitarra e canto).

  4.-Paulo Teixeira (violino).

  5.-M. João (guitarra e canto).

  6.-Víctor Veiga (instrumental e canto).

  7.-Delfim Costa (instrumental e canto).

FICHAS DOS DOCUMENTÁRIOS

  0.-Linda morena, por Colheita Alegre.

     Duração: 6 minutos. Ano 2014.

  1.-Mariana, por Colheita Alegre.

     Duração: 4 minutos. Ano 2014.

  2.Molinero, por Colheita Alegre.

     Duração: 6 minutos. Ano 2013.

  3.-Ó Ervas, Ó Ervas, por Colheita Alegre.

     Duração: 5 minutos. Ano 2014.

  4.-Laranjeira, por Colheita Alegre.

     Duração: 5 minutos. Ano 2013.

  5.-Meninas de Braga, por Colheita Alegre.

     Duração: 5 minutos. Ano 2014.

  6.-Pediste-me um beijo, por Colheita Alegre.

     Duração: 4 minutos. Ano 2014.

  7.-Rosa Branca, por Colheita Alegre.

     Duração: 5 minutos. Ano 2014.

  8.-Costureirinha, por Colheita Alegre.

     Duração: 5 minutos. Ano 2014.

  9.-Chora o Lírio, chora, por Colheita Alegre.

     Duração: 5 minutos. Ano 2014.

10.-S. João, por Colheita Alegre.

     Duração: 6 minutos. Ano 2014.

11.-Ó marinheiro que vais pr´a Marinha, por Colheita Alegre.

     Duração: 4 minutos. Ano 2014.

12.-Loureiro, por Colheita Alegre.

    Duração: 5 minutos. Ano 2013.

13.-Pelo mar abaixo, por Colheita Alegre.

    Duração: 5 minutos. Ano 2013.

14.-Colheita Alegre: Pelo mar abaixo (atuação em direto).

    Duração: 4 minutos. Ano 2020.

15.-É bonitinha, gosto dela, por Colheita Alegre.

    Duração: 3 minutos. Ano 2014.

16.-Minério, por Colheita Alegre.

    Duração: 5 minutos. Ano 2014.

17.-Colheita Alegre: Mariana (com imagens).

    Duração: 4 minutos. Ano 2014

18.-Colheita Alegre: Laranjeira (com imagens).

    Duração: 5 minutos. Ano 2013.

19.-O Cravo e a Rosa, por Colheita Alegre.

    Duração: 6 minutos. Ano 2014.

20.-Maroquinhas, por Colheita Alegre.

    Duração: 4 minutos. Ano 2013.

21.-Colheita Alegre: Rosa Branca (com imagens).

    Duração: 5 minutos. Ano 2014.

22.-Jorge e Juliana, por Colheita Alegre.

    Duração: 5 minutos. Ano 2014.

Discografia básica do grupo

Os discos mais importantes que editaram os Colheita Alegre:

  -Ervas (1988).

  -Sol de Março (1989).

  -Minério (1991).

  -Terra Fresca (1996).

Nota: Acho que seria muito interessante que a Câmara Municipal de Barcelos reeditasse os discos.

Temas para refletir e realizar

colheita-alegre-capa-cd-terra-fresca

Visionamos os documentários citados antes, e depois desenvolvemos um cinemafórum, para analisar o fundo (mensagem) deles, assim como os seus conteúdos.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada ao grupo folclórico português Colheita Alegre. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros, discos, CDs e monografias.

Podemos realizar no nosso estabelecimento de ensino uma Audição Musical das mais famosas peças do grupo Colheita Alegre, em que participem alunos e docentes. A escolha das peças musicais da audição podemos fazê-la dos seguintes discos do grupo: Ervas (1988), Sol de Março (1989) e Terra Fresca (1996).

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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