Há aldeias chamadas Gosende nas freguesias de Castro, Ordes e Rodis, sem esquecer umha outra em Encrovas, engolida polo capitalismo extrativista. Ainda, contam-se muitos outros Gosendes –e variantes- por todo o território que abrangia o antigo Reino Suevo da Galiza; somentes no concelho português de Viana do Castelo, existem hoje os lugares de Gosende, Gosendes e Gozende.
Como em Ordes falamos com gheada, este Ghosende recorda-nos ao ouvido ao antropónimo José (pronunciado à castelhana). Na realidade o topónimo explica-se por umha Gundesindi medieval, vila agropequária ou qualquer outra possessom pertencente a um senhor que atendia ao nome germânico de Gundesindus, explicado polos dous elementos gôticos gunths ‘luita’ e sinths ‘caminho, expediçom militar’, épico nome para os que fundarom estas aldeias de longa história.

Em 924 o rei Fruela II doou ao bispo Hermenigildo várias vilas e vilares da terra de Montaos, entre as que se conta umha Gosende (Gundesindi), sem que se poda determinar a qual das quatro se refere exatamente[1]. (O monarca, por certo, queria comprar assim a adesom plena da Igreja ao seu partido, mas Hermenigildo e o clero compostelano estavam a apoiar em secreto aos sobrinhos de Fruela II, os filhos de Ordonho II).
Na Gosende da freguesia de Ordes existia em 1752 um moinho propriedade de “D. Juan Biqueira y consortes, por cuya utilidad le regulan veinte y cuatro reales”, segundo declararam ao Catastro del Marqués de la Ensenada[2]. Pode que seja um dos ainda existentes.
[1] Documento de 25 de outubro de 924, no Tombo A da Catedral de Santiago, fólio 11. Reproduzido em: J. Barreiro Somoza, El señorío de la Iglesia de Santiago de Compostela, Corunha, Editorial Diputación Provincial, 1987, págs. 91-92.
[2] V. Cores Liste, (ed.), Órdenes 1752. Según el catastro del Marqués de la Ensenada, [caderno], Ordes, ediçom do autor, 2005, pág. 15.
