Por José Paz Rodríguez
O outro dia, por um casual, lendo um pequeno guia sobre Bengala Ocidental e, em concreto, sobre o distrito de Birbhum (na Índia distrito equivale a província), encontramos que muito perto de Santiniketon, a uns 60 quilómetros, havia um lugar com águas quentes ou termais, chamado Bokreshor. Nom duvidamos e, aproveitando mais uma vez uma quarta-feira em que o centro educativo tagoreano fecha como se fosse o descanso dominical, lá fomos. Alugamos um táxi e, acompanhados por Toton Kundu e outros amigos, saímos as 8 da manhã, passando mais uma vez por Iliambaiar e a sua impressionante fraga, por uma muito boa estrada, para o que costuma nom ser muito comum neste país. Antes de chegarmos ao nosso destino passamos pola cidade de Dubralhpur, lugar histórico do que mais a frente falaremos.
Ao chegarmos a Bokreshor ficamos fascinados polo que estávamos a olhar. Situado ao lado do rio do mesmo nome, pensamos imediatamente no nosso Ourense Termal. Entre árvores e flores existem aqui infindade de mananciais de águas termais sulfurosas. E numerosos templos hinduístas arredor, dedicados a Shiva, uma das mais importantes divindades do hinduísmo. Porque os indianos consideram que as águas termais tam abundantes deste lugar som a manifestaçom mais clara do poder divino. Muito frequentadas por homens e mulheres por serem lugares sagrados onde se podem banhar e por terem propriedades curativas para a bronquite, a diabete, a tise e as enfermidades da pele. A temperatura média destas águas é de 75 graus centígrados e está documentado que em dezembro de 1850 chegaram a 77 graus. O principal manancial deita 120 metros cúbicos por minuto. É este um importante lugar de peregrinaçom, no qual em fevereiro ou março, em seu caso, se organiza uma magna feira a que assistem mais de 30 mil peregrinos. Sobre o lugar existem infindade de lendas arredor duma familia de apelido Kundu.
Por isso a piscina ou estanque principal leva o nome de Agni Kundu. De forma rectangular, está dividida para acolher num lado os homens e no outro as mulheres. Nom duvidamos e antes compramos uma tela chamada ‘gancha’, para nos tapar e podermos fazer a imersom nestas águas quentes. Durante mais de uma hora foi um verdadeiro prazer disfrutarmos deste banho em plena Índia, como se estivéssemos n’O Tinteiro, n’A Chavasqueira ou em Outariz, em Ourense. Usar o balneário e banhar-se custa a fantástica cifra de 5 rúpias (umas 20 pesetas antigas) e podes estar o tempo que quigeres.
Saímos do lugar depois de comprar algumas lembranças e fomos ver um outro lugar formoso e surpreendente. Perto da cidade de Dubralhpur existe um monte cheio de pedras graníticas, também de carácter sagrado para os indianos, que se chama ‘Mama Bagne’. Lugar também histórico e de peregrinaçom, com uma ermida hinduísta. Cheio de rochas de variadas e grandes formas, lembramo-nos da nossa Corna, de Pena Corneira e dos penedos d’O Pindo, Trava e a Passarela de Vimianço. Regressamos pola capital do distrito Siuri, e observamos antes uma grande central térmica, que aproveita os mananciais de águas quentes da zona. É esta uma zona curiosa porque contrasta muito com o resto do território do distrito, de largas chairas de terra barrosã e barro vermelho.
Foi esta uma maravilhosa jornada, que nos trouxe à memória os nossos lugares emblemáticos, que desfrutam de fontes termais. Os ourensanos d’As Burgas, as Caldas, a ribeira do Minho, Laias, Lóvios, o rio Caldo, Banhos de Molgas…Os galegos de Cúntis, Caldas de Reis, Ponte-Caldelas, Caldelas de Tui…Os da Galiza Sul ou Portugal como Chaves, Carvalhelhos, Vidago, Pedras Salgadas e Caldas da Rainha.
