Por José Paz Rodrigues
(Didata e Pedagogo Tagoreano)
Postos a comparar, nom sei nesta altura que armas som as piores. Se as que se utilizam nas guerras, a maioria nos dous últimos séculos protagonizadas polo Reino Unido e polos EUA. E também por outros países imperialistas. Ou as das drogas, protagonizadas polos diferentes “cartéis” do narcotráfico. Que terminam com a vida de infinidade de cidadãos e especialmente com a saúde física e mental de muitos jovens, especialmente nos países eufemísticamente denominados “desenvolvidos”. Os cenários das guerras estám situados quase todos no sul do planeta. Os das guerras “narcotráficas” muito mais nos do norte. Ambas som guerras brutais, com muitos efeitos colaterais e das que se beneficiam só uns poucos sem-vergonhas e delinquentes, prejudicando quase todos. E todo isto acontece porque existem muitos governos corruptos e porque os valores humanos no mundo cada vez estám mais ausentes. E porque as nações poderosas, que controlam a ONU, nom têm o mais mínimo interesse por acabar com esta terrível, vergonhenta e imoral situaçom. E, em tempos da grave crise como a que estamos a sofrer, este tema é ainda mais infame e “sangrante”.
A maioria dos países situados no hemisfério Sul da Terra estám submetidos a uma exploraçom económica brutal das suas matérias-primas, com a aquiescência de muitos dos seus governos, especialmente em África. Mas também a conflitos bélicos, em que “jogam” as armas. E todos sabemos que se nom houvesse armas nom haveria guerras, ou se fariam estas com pedras, e antes de quinze dias terminariam. As armas fabricam-se nom para adorno ou para serem peças dum museu macabro. As armas fabricam-se para as vender e usar. Ganha-se muito dinheiro da sua venda no Norte e sofrem-se e pagam-se no Sul. Temos que dar-nos conta, pois, que o tráfico das armas é completamente inverso ao tráfico das drogas. As drogas produzem-se no Sul e consomem-se no Norte. Com o que podemos suspeitar que muitas armas se pagam com drogas e que existem drogas que se pagam com armas.
Poderíamos perguntá-lo, por exemplo, ao governo colombiano e à “contra” daquele belo, mas perigoso, país de América do Sul. Comentamos isto porque parece ser que há uma quinzena de anos os cocaleiros da Colômbia, produtores de coca, foram informados que poderiam mandar as suas avionetas mais ou menos livremente aos EUA, que a polícia americana olharia para outro lado e nom impediria a chegada das avionetas para deitar ali os sacos de droga. O governo americano, muito democrata ele e defensor dos direitos humanos (?), só punha uma condiçom: que, depois de ficarem baleiras, as avionetas fossem carregadas com armas para o caminho de volta, e para as irem repartindo em muitos lugares como a Nicarágua, Guatemala, para os da “contra” destes países e a colombiana, e ali onde fosse necessário. O iluminado desta macabra operaçom nom era outro que Bob Gates, excelente continuador daquele outro cérebro de Henry Kissinger, que, para escârnio de todos nós, recebeu no seu momento o prémio Nobel da Paz. O tal Gates, que nom tem nada a ver com o que leva de nome Bill, é hoje nada mais e nada menos que o flamante ministro da Defesa do governo de Obama.
Ver para crer e entender, pois, isto terrível que se passa no planeta. Assim funciona o mundo do tráfico das armas e das drogas. No qual, é bem triste, Espanha ocupa um papel muito destacado. Podemos sentir-nos “orgulhosos” de ser o sexto país que mais armas exporta no mundo, e também ser uma grande ponte para o caminho das drogas. Intermón Oxfam comentava há pouco que, depois dos EUA, Espanha é o país que mais munições vende nas guerras africanas. Será por isto que todos os dias nos chegam do continente africano numerosos seres humanos como emigrantes.
No tema do meu comentário de hoje, países que destacam por estes dous tipos de armas som: Colômbia, México (um perigo continuo viver neste formoso país, o mais inseguro do planeta), Senegal, Marrocos, Afeganistám, Guiné Equatorial ou Venezuela. A que Chaves tem armada até os dentes. E muitos países árabes. Todo um perigo para a humanidade.
