Amor polo Teatro

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Por José Paz Rodríguez (*)

Considero o teatro como uma das mais importantes actividades com valores educativos que existe. Possivelmente a mais valiosa, o que já tenho comentado em artigos anteriores. E quero hoje, desde Santiniketon-Bengala-Índia, onde me encontro, falar de novo do tema. Porque em toda a Bengala, e quando falo desta terra estou a referir-me às duas Bengalas, a ocidental indiana e a oriental Bangladesh, o teatro (em Bangla “Natok”), é a actividade mais venerada, junto com a música. Aqui nom existe lugar, por pequeno que seja, que nom tenha um espaço teatral. Ademais o clima permite fazer teatro ao ar livre, debaixo de grandes árvores, existindo amplos cenários para as representações.

O outro dia fum ver no novo teatro construído recentemente em Santiniketon, no cámpus da universidade de Tagore, com o nome da sua obra teatral Lipika, uma representaçom teatral duma obra de Budhodev Bosu, baseada numa história do Mahabaratha, a grande e milenária epopeia Indiana. O amor dos bengalis polo teatro é proverbial e certamente exemplar. A sua imaginaçom portentosa para, com muito poucos recursos, desenhar espaços e cenários. Com telas de cores e cubos esculturais de madeira, que movem em cada acto, configurando novas formas e novos espaços. Todos os actores dominam o movimento e a palavra e o resultado é sempre magnífico.

Tenho a experiência de ir a um povo chamado Gobordanga, ao norte de Kolkata, na fronteira com o Bangladesh, nas minhas primeiras viagens a este formoso país, de admirar a montagem teatral, verdadeiramente fantástica, de Ninguém Escreve ao Coronel de Garcia Marquez. Aquele dia eu tivera que falar do escritor colombiano, actuando como intérprete meu Prosun Chatterjee. Depois vimos a obra e, ainda entendendo pouco naquela altura o idioma bangla, nom perdemos nada do conteúdo da peça. Por isto proponho que todos aqueles que se dedicam a dirigir teatro na Galiza, venham quanto antes aqui para colher ideias ao vivo e em directo, de como fazer teatro magnífico com poucos recursos. Sem gastar aquelas cifras astronómicas das montagens do IGAEM. Que eu bem sei, e nom gostava nada, quando fum secretário do Conselho do mesmo. Aqui existe uma escola aberta teatral, sem custo algum para os que queiram aprender esta bela arte. Que na Índia e milenária, como outras muitas artes, desde os Vedas.

O meu admirado Tagore foi um grande autor teatral e ele mesmo interveio em muitas montagens das suas obras como actor. Há poucos dias fum ver no grandioso centro cultural Guitam-ioli, anexo ao cámpus, a sua peça O Reino das Cartas (em Bangla “Taser Desh”), espécie de obra teatral e operística, com canções, musica e dança. Que gostaria de editar alguma vez no meu idioma galego internacional. Eu mesmo representei na minha primeira escola de Marinhamansa, em 1969, e na do colégio Virgem de Covadonga, em 1971, a maravilhosa obra tagoreana O Carteiro do Rei (em Bangla “Dakghor”). Conservo, como um tesouro, as fotos de ambas representações. Aqui admiram-me ao vê-las, por ser já um pioneiro tagoreano e da dramaturgia escolar.

Quero lembrar hoje aqueles galegos e galegas, desaparecidos e os felizmente ainda vivos, que como os bengalis, amaram e amam o teatro. Tanto actores, como autores e directores. Castelão, Rafael Dieste (quanto gostara na Mostra de Riba d’ Avia, no seu dia, de A Fiestra Valdeira!), Manuel Maria, Bodanho, Marinhas del Valhe, Fernandez Mazas, Lauro Olmo,Varela Buxam, Manolo Vidal e , embora nom galego, Casona. Vai a minha carinhosa lembrança para Segundo Alvarado que tam bom labor realizou na nossa cidade. Entre os vivos quero lembrar esse grande director, actor e autor que é Manuel Lourenzo. Marisa Calvo, Pilhado Maior, Guede, Fernando Gavelo, Gabriel, Blanco Gil, Guadalupe e Dora Espinar, Alberto Fernandez, Ramos, Sampaio, Modesto Vazquez… Naturalmente quero lembrar também o magnífico trabalho dos actuais jovens dos grupos ourensanos Sarabela, Maria Castanha, o de Luz Vilhar e Maranhao. De que é membro a minha sobrinha Beatriz Iglesias. Que me perdoem aqueles que ficaram no tinteiro. Mas que bela é a arte dramática que em Bengala e na Índia tanto amam todos!

 


(*) Professor Numerário da Faculdade de Educaçom de Ourense.