Por José Paz Rodríguez
Nom conhecemos pessoalmente a natural das Terras de Cela Nova Marisol López. Só polos meios de comunicaçom, especialmente os impressos. Numa entrevista publicada há poucos dias num jornal do sul da Galiza, a actual Secretária Geral de Política Linguística, diz cousas muito acertadas. Que mais adiante comentaremos.
Antes de mais temos que reconhecer, nom sem agrado, que a sua secretaria geral é um dos poucos organismos da actual Junta que funciona bem. Que convoca as ajudas para actividades, relacionadas com a difusom e promoçom do nosso idioma, a tempo. Que também as resolve com a antecedência oportuna para poder organizá-las bem. Que simplifica a burocracia para a justificaçom das mesmas. Que nom discrimina e ajuda a todos os que trabalham a favor da nossa formosa língua.
Que mesmo dá ajudas às entidades reintegracionistas como a AGAL, a cujo conselho com orgulho pertencemos. Que, como é natural, desde o seu posto, tem que levar à prática as actuais leis sobre a língua, promulgadas polos órgãos galegos competentes. Das quais ela nom é responsável. Mas que, com acerto, actua com flexibilidade e respeito. Como deve fazer quem trabalha pola res pública e que, infelizmente, nom é o que mais se repete na maioria dos políticos galegos actuais.
Compartimos plenamente o fundo do pensamento linguístico de Marisol López. A nossa única discrepância (claro está, civilizada, pois se calhar somos nós os errados), como reintegracionistas que somos, está no modelo ortográfico que ambos defendemos para o nosso idioma. Nós opinamos que, com a introduçom de nada mais que doze variantes ortográficas, o nosso galego entraria no mundo pola porta grande e seria internacional.
Achamos que mesmo Marisol López, se na Galiza por fim se optasse pola norma alternativa dos reintegracionistas, seria uma magnífica Directora Geral de Política Linguística. Porque se vê que ama o galego, que razoa, que tem ideias claras e que nom é sectária. Que já é muito hoje na Galiza. Embora quanto gostaríamos que fosse mais autónoma no seu pensamento e menos dependente da secretaria do Ramón Piñeiro, por exemplo.
O galego é o idioma do nosso povo e o povo somos todos os galegos e galegas. Nom é deste ou daquele outro partido político. Daquele sindicato ou grupo, das academias ou do ILGA… O idioma está por cima das ideologias. Como ela comenta muito bem. E isto convêm dizê-lo num momento em que tantos problemas se estám a levantar sobre os idiomas de forma artificial e artificiosa. Interessada e partidária, por tírios e troianos. Mas, que nom favorecem os idiomas, e em especial o nosso próprio.
Por isso hoje mais que nunca, no tema do idioma, teria que impor-se a cordura, o sentido comum e a sensatez. Tem toda a razom ao defender o plurilinguísmo, que nós defendemos também desde há tempo. Que temos que conseguir novos e mais falantes ou utentes para o galego. De forma criativa, imaginativa e com habilidade, com sentidinho. De forma civilizada e jogando com a afectividade e os sentimentos positivos.
Que a língua tem que estar por cima de ideias políticas ou religiosas. Que Galiza, nesta altura, tem a melhor situaçom para os idiomas de toda Espanha, pois é muito positivo dominar duas ou três línguas para aprender outras novas (aí temos o exemplar modelo da Índia neste tema). Se se fazem bem as cousas e nom se entra em competência com outras línguas.
Mesmo Marisol deixa uma janela ou portinha aberta quando diz: ‘é um regalo ter duas línguas e inclusive baixar a Portugal e entender-nos’. Ao que nós acrescentamos : e quando imos ao Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde ou Goa. Onde, a propósito, estivemos no passado mês de Março e nom necessitamos nem de guias nem de intérpretes. Porque falam, com o seu próprio sotaque, a nossa formosa língua.
Junto com o positivo labor realizado no governo da actual Junta (pouco por certo, cabendo nos cinco dedos de uma mão as pessoas que merecem a nossa felicitaçom), como é o caso de Luis Bará em Cultura e Alfredo Suárez Canal e os membros da sua Conselharia de Meio Rural, o trabalho de Marisol López merece os nossos sinceros parabéns. Que o exemplo se multiplique, por favor.
