A gula do vikingo

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Lugar das Teixoeiras, em Bascói (Messia)
Lugar das Teixoeiras, em Bascói (Messia)

Duas aldeínhas da comarca de Ordes levam o nome de As Teijoeiras, umha em Ardemil e outra em Bascói. Ainda que para alguns autores se trate de um topónimo referido à árvore de teijo[1], parece confirmado que mais bem alude a um lugar abundante em porcos teijos (meles meles), ou onde estes tinham os seus tobos[2]. Este mustélido, bem conhecido nos nossos agros, foi mui apreciado polos pêlos da sua cáuda, com os que se faziam as brochas de barbear e pinceis. Notícias mais extraordinárias dam sobre eles José María Castroviejo e Álvaro Cunqueiro em Viaje por los montes y chimeneas de Galicia, assegurando o primeiro que o teijugo, que “despellejado parece un cordero, tiene un sabor que también recuerda al de éste. En otoño su carne se halla revestida con una fuerte capa de amarillenta grasa de grandes resultados, según aseguran los campesinos, contra los dolores, el reuma y hasta la epilepsia”[3]. Cunqueiro por sua parte, quem mesmo propom aos galegos festejar o 30 de novembro – Santo André e Dia Nacional da Escócia- comendo-o assado, di que se pode preparar recheio de nozes, embora ele o prefera com puré de castanhas[4].

Onde coincidem os dous gastrónomos é em lembrar que o porco teixo era o prato favorito dos vikingos que chegavam às nossas costas (eles distinguiam perfeitamente a Galizuland ou Jakobusland da Spanland)[5] durante a Idade Média, os latimani da História Compostelâ. Nesta crónica financiada pola Igreja os comedores de porco teixo aparecem sempre apresentados como bárbaros saqueadores, mas as sagas nórdicas dam umha versom mui distinta: com frequência labregos galegos e vikingos chegariam a formar confederaçons para atacarem conjuntamente os senhores feudais da Galiza e a Igreja. Talvez o gosto polo porco teijo seja um recordo cultural de aquelas alianças, junto com as dornas ou os motivos decorativos dos jugos.

 

Notas:

[1] Para Xosé Luis García Arias (Pueblos asturianos: el porqué de sus nombres, Oviedo, Ayalga, 1977, págs. 162-163) a Teixueira de Castropol referiria-se à àrvore.

[2] Fernando Cabeza Quiles, Toponimia de Galicia, Vigo, Galalxia, 2008, pág. 221.

[3] José María Castroviejo, “Del filosófico y nocturno teixugo o porco teixo”, em: J. Mª Castroviejo & A. Cunqueiro, Viaje por los montes y chimeneas de Galicia. Caza y cocina gallegas, Madrid, Espasa-Calpe, 1962, págs. 73-75.

[4] Álvaro Cunqueiro, “Tejón”, in: op.cit., págs. 146-147.

[5] Emilio González López gostava de indicar que mesmo um historiador tam pouco galeguista como Adam Kristoffer Fabricius o reconhecia no seu livro La connaissance de la Peninsule Espagnole par les hommes du Nord. Da parte galega, o clássico ao respeito continua a ser V. Almazán, Gallaecia Scandinavica. Introducción ó estudo das relacións galaico-escandinavas durante a Idade Media (1986).

porco teixo

Desenho de porco teijo de Walter Heubach
Desenho de porco teijo de Walter Heubach

*Publicado em Aldeias de Ordes, 22, 01, 2018.