A formosa livraria Lello do Porto

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Por José Paz Rodrigues (*)

Sempre que posso faço uma escapada a essa maravilhosa cidade portuguesa que é Porto. Desta vez visitei Lisboa, para me entrevistar com o novo embaixador indiano e com o administrador da Fundação Oriente e diretivos da Casa de Goa na capital portuguesa. De passagem fiquei três dias na cidade portuense, de que muito gosto. Como aprecio tanto os livros, ir a esta cidade para mim é um verdadeiro prazer. Poucas cidades há que tenham tantas e tão variadas livrarias. Tanto de livro antigo como de publicações atuais. Ademais, ali todos os cidadãos falam galego e a cidade oferece outras maravilhas para admirar. Os seus museus, a Ribeira ao lado do rio Douro, a Sé Catedral, o Palácio da Bolsa, a estação de São Bento do caminho de ferro, o café Majestic, o elétrico, o Grande Hotel, a Foz, as inúmeras adegas do mundialmente famoso vinho, os centros comerciais, o Palácio de Cristal e os seus jardins e vistas e, muito perto, a Praça da Galiza com uma linda estátua dedicada à nossa Rosália de Castro, a Universidade, os Clérigos, o Coliseu, a Casa da Música, o mercado Ferreira Borges, a Alfândega, as pontes, o novo metro, o novo aeroporto, Serralves, o Largo da Câmara ou Rua dos Aliados, os estádios de futebol, o centro Anilupa de imagem animada, que dirige o meu amigo Fernando Saraiva, os passeios de barco polo rio, Vilanova de Gaia, as praias e o Castelo da Foz, as comidas da Brasileira e outros restaurantes…Enfim, extraordinário programa cultural anual desta cidade que é a maior do noroeste peninsular. E que fica a duas horas e um quarto de Ourense de carro por autoestrada. Infelizmente, pola falta de inteligência dos políticos, não existe um bom comboio para nos achegarmos mais amiúde a esta urbe tão formosa, a partir da Galiza. Tema de todo incompreensível por onde quer que se considere.

Enquanto fui professor na Faculdade de Educação de Ourense (agora estou reformado), levava os meus estudantes de educação infantil e social ao Porto para visitarem a Associação de Ludotecas e o Centro de Imagem Animada Anilupa, dependente da mesma, e aproveitava para lhes mostrar, entre outras cousas da cidade, a maravilhosa livraria Lello, situada perto da antiga Universidade, na rua das Carmelitas. É tão formosa, que deveria ser declarada Património da Humanidade. Esta livraria procede da criada polo francês Ernesto Chardron em 1869. Em 13 de janeiro de 1906 foi inaugurada com o nome de Livraria Lello & Irmão no lugar que ainda ocupa hoje. Tem pois um pouco mais de 106 anos de existência. Com uma magnífica fachada neogótica, o arquiteto foi Xavier Esteves. O pintor José Bielman desenhou, ao lado das janelas, duas figuras que simbolizam a Arte e a Ciência. No vitral do teto aparece a divisa “Decus in Labore” e o ex-líbris do livreiro e editor. O arquiteto Vasco Morais Soares em finais de 1994 levou a cabo o restauro da livraria, verdadeira “Catedral” do livro. E fê-lo escrupulosamente, respeitando integramente a obra original. Como tinha que ser. Lugar de destaque deste formoso lar do livro merecem, além da fachada, a extraordinária escadaria artesanal de madeira talhada, as estantes também de madeira e as montras, os vitrais, a organização do espaço livreiro por temas, a cafetaria onde se pode ler e consumir um chá ou um café do Brasil, a iluminação natural e artificial e o espaço dedicado aos livros antigos, aos livros de arte e aos dicionários (onde, diga-se de passagem, vimos esse esplêndido dicionário da língua galega da autoria do meu grande amigo Estraviz). Esta livraria é tão linda que sempre está cheia de visitantes e turistas, especialmente europeus.

A livraria mais antiga de Porto, porém, é a Latina, situada no começo da rua comercial de Santa Catarina. No Porto há também muitas e interessantes livrarias de livro antigo, entre as que destaca a Chaminé da Mota na rua das Flores, uma das mais importantes da Europa, polo seu fundo de livros e edições antigas. É outro verdadeiro museu do livro que também merece ser visitada. Outras livrarias em que se podem encontrar verdadeiras joias de antigas publicações são a Académica, dirigida polo meu amigo transmontano Nuno Canavez, a Moreira da Silva, o alfarrabista João Soares e a Sousa & Almeida, com um muito interessante fundo de livros antigos publicados na Galiza. De livro moderno, a mais interessante é a Livraria Leitura na rua de Ceuta, outrora dirigida por esse grande livreiro portuense que foi Fernando Fernandes. Mas, se meus leitores viajarem ao Porto, o meu conselho de amigo é que não deixem de visitar uma das livrarias mais lindas de toda Europa, a Lello. Aproveitando para visitar também a Chaminé da Mota, a poucos metros da Ribeira do Douro, na cidade velha.

 

(*) Didata e Pedagogo Tagoreano