A alegria das crianças de Bengala

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Por José Paz Rodrigues

(Didata e Pedagogo Tagoreano)

Das muitas cousas lindas que existem na Índia, e concretamente em terras de Bengala, uma delas é a alegria dos nenos e das nenas. Mesmo os que moram e dormem nas ruas da grande cidade de Kolkata, capital do Estado, quando pola manhã acordam, têm um sorriso nos seus beiços. Se calhar essa é a razom pola que esta se denomina cidade da alegria. O que acontece também com os rapazes das tribos Santales. Muitos dos quais vivem a diário entre todo o tipo de animais e o seu alimento fundamental é o arroz. Que para indianos e indianas é como para nós o pam, e se consume a diário, polo menos uma vez ao dia.

Este ano moro numa casa que fica ao lado dum povoado santal, chamado Fuldanga, que significa lugar das flores e que, por todas as partes, há infinidade de todas as classes e cores variadas. Para ir investigar sobre o labor educativo de Tagore, na biblioteca-museu-arquivo chamada Robindro-Bhavon, passo todos os dias polo meio do povoado. Desfruto muito olhando para as gentes, os seus trabalhos quotidianos, os curros das suas casas cheios de vida, a grande variedade de animais domésticos que cuidam e alimentam, os seus labores comunitários nos quais se ajudam uns aos outros, como dormem a sesta em cómodas redes, como se alimentam, como cozinham, como decoram as suas casas, que sempre estám limpas, como trabalham muito mais as mulheres que os homens, que som mais preguiçosos e, alguns, consumem uma aguardente feita de arroz, e como brincam os muitíssimos rapazes que moram no povoado. Que estám sempre alegres e sorrindo, sabem jogar, inventam jogos e brincadeiras e sabem aproveitar o que a natureza lhes oferece.

É também muito formoso olhar como, especialmente as mulheres e irmãs mais velhas, cuidam dos bebés. Fazendo-lhes massagens aiurvédicas e levando-os no seu colo com muito carinho e amor. Entre os nenos mais pequenos já tenho muitos amigos. Especialmente uma nena de um ano chamada Mónica, que nom tem medo algum de vir ao meu colo, depois de que utilizasse eu estratégias lúdicas que de criança na Corna me ensinara a minha mãe Rosa.

Tenho pensado eu sobre a razom pola que as crianças indianas som tam alegres. Muitas podem ser as causas de que isto aconteça. Uma, que as mães, embora nom saibam ler, aprenderam das suas próprias progenitoras as técnicas ancestrais de como cuidar as crianças, como fazer massagens desde que nascem, praticar ioga com elas, estar com elas falando, contando contos, jogando, fazendo brincadeiras tradicionais e sabê-las levar no colo e nos braços. Também a maioria dos pais tratam muito bem aos seus filhos e é muito normal que os levem no seu colo ou às carrancha-pernas arredor do pescoço. Como tantas vezes me levou a mim meu pai Juan, da Corna aos Arneiros ou ao Outeiro de Torcela. Em época das matas ou das festas patronais.

Para mim aqui em Bengala é-me um prazer ver como brincam os nenos, como inventam jogos e como se divertem, demonstrando uma alegria e uma felicidade que já gostaria muito eu de ver nas nossas crianças da Galiza. Onde há excessiva naturria e os rapazes nom sabem desfrutar do muito que têm e dos numerosos brinquedos que se lhes compram. Porque o melhor jogo que há, e é insubstituível, é jogarmos com os nossos nenos e filhos.

Naturalmente, na Índia também ajuda muito à alegria dos nenos o sol radiante, a natureza desbordante, o excelente clima, sobre tudo de outubro a março, e os muitos animais que existem, sempre do agrado das crianças, como todos sabemos. Outro dia falarei da minha experiência com rapazes das aulas ao ar livre, debaixo de árvores centenárias, nas escolas criadas por Tagore. Crianças alegres e felizes, que é muito agradável estar com elas. Porque têm curiosidade e querem aprender.