Por José Paz Rodrigues
(Didata e Pedagogo Tagoreano)
Por encontrar-me no grande complexo e centro educativo de Tagore em Santiniketon (Bengala-Índia), aonde venho desde 2001 todos os anos, por três meses, nom pudem participar, como seria o meu desejo, nos atos da despedida dos professores que nos jubilamos ou reformamos da Faculdade de Educaçom de Ourense. Estivem, isso sim, espiritualmente com todos os companheiros que comigo deixamos de estar em ativo, a partir do primeiro de outubro passado.
Pensei muito em tomar a decisom que tomei, de solicitar a pré-jubilaçom, segundo o sistema vigente atualmente na Universidade de Vigo. Fi-lo no último momento, ao nom ter a garantia de que dito sistema continuaria um ano mais. Ademais, a docência, com o novo modelo bolonhês, ocupava-me muito tempo e impedia-me levar para a frente projetos pendentes de publicações que tenho concretizados. Especialmente os relacionados com novas obras de Tagore e estudos sobre ele, que uma editora catalã vai acometer, sob a minha direçom neste ano 2011. Ano de Tagore, por se cumprirem os 150 anos do seu nascimento, com um amplo programa de atividades que vam ter lugar em todo o mundo. Em muitas das quais tenho que participar como organizador, relator ou conferencista.
Custou-me bastante tomar a decisom que tomei, pois sempre fum um namorado do trabalho docente com os alunos. Considero-me um pedagogo com grande vocaçom. Desfruto muito ensinando aos estudantes, e, especialmente aos que vam ser docentes de infantil ou primária. No seu dia fiz os estudos de Pedagogia porque realmente era uma paixom para mim. A minha vocaçom nasceu comigo, pois tivem a sorte (o destino, dim os indianos) de que minha mãe me trouxo ao mundo um mês de abril no mesmo local da escola da minha aldeia de Corna. Depois na Escola Normal, grandes professores entusiasmárom-me ainda mais por fazer-me pedagogo. Especialmente, este grande carinho devo-lho à excelente pedagoga Carmen López Lucas, minha maravilhosa professora da Normal ourensana, que felizmente ainda vive e mora em Madrid.
Dediquei, sem contar as minhas múltiplas atividades paralelas culturais e de renovaçom pedagógica, quarenta anos à docência. Um ano no ensino primário na escola número 5 de Marinha Mansa em 1969, a primeira escola que tivem, e no colégio Virgem de Covadonga. Outro ano no ensino secundário, no ano letivo 1971-72, no Instituto que hoje leva o ilustre nome de “Otero Pedraio”. Em setembro de 1972 Manuel Bermúdez ofereceu-me um posto de professor na Escola Normal, onde fora estudante. Aceitei de imediato, pois era o centro educativo que respondia aos meus interesses e ao perfil da minha licenciatura. No seu momento, exercim o cargo de subdiretor e pouco tempo também de diretor. Mas eu do que gosto é de ensinar, nom gosto nada de cargos, e menos quando, como agora, estám muito politizados e partidarizados.
Quando a Escola Normal se integrou na atual Faculdade de Educaçom no campus, passei a fazer parte do claustro da mesma, com todos os companheiros que estávamos em ativo na Normal. Neste momento, o que com mais carinho lembro é os muitos alunos e alunas que tive desde o ano 72. Passaram tantos polas minhas aulas, que, quando visito algum centro educativo, público ou concertado da Galiza, sempre me encontro com algum mestre que fora meu estudante. O que muito me orgulhece, e nom esqueço nunca o seu rosto, por ter uma grande memória visual. Sempre tratei de ajudar os meus estudantes e nunca tive problema algum com eles. Esta sempre foi a minha meta, tomada como um dever principal. Se alguma vez me equivoquei no tratamento a algum aluno, foi inconscientemente.
Por isso quero aproveitar para pedir desculpas àqueles que, sem pretendê-lo, pudem prejudicar alguma vez. Em geral, guardo gratas recordações de todos os meus estudantes. Que foram milheiros, e conservo na minha biblioteca todas as fichas, com as suas fotos. O importante na universidade som os estudantes, e por eles som feliz e estou satisfeito do meu labor realizado como professor durante 40 anos da minha vida. Menos satisfeito estou das relações humanas entre o pessoal docente. Tema do que, com algumas exceções, poucas gratas lembranças tenho. Opino que a Universidade atual está muito partidarizada e nom responde à “universitas” que tinha que ser. Seria muito feliz que isto mudasse e o relacionamento entre as pessoas fosse mais grato, respeitoso, solidário e nom sectário. Onde a autêntica amizade, a bondade e a generosidade, brilhassem por cima de tudo.
